Outros grampos da Lava Jato tornam conversa de Temer e Joesley “dispensável”

Foto: Agência Brasil
 
Jornal GGN – A tentativa da defesa de Michel Temer de anular a gravação feita por Joesley Batista, da JBS, revelando possíveis crimes de obstrução de Justiça e corrupção passiva praticados pelo presidente da República, será inútil, na visão de investigadores da Lava Jato. Isso porque a relação de Temer com o esquema criminoso está provada em outros grampos feitos pela Polícia Federal no âmbito da operação controlada Patmos.
 
Segundo reportagem da Folha, a Procuradoria Geral da República, que já investiga Temer com autorização do Supremo Tribunal Federal, coloca a gravação de Joesley com Temer como secundária.
 
“Investigadores avaliam que a relação entre Temer e Rocha Loures está comprovada em outras interceptações telefônicas, feitas na fase em que a Polícia Federal passou a acompanhar o caso – a fase das ações controçadas – e, que prová-la não depende da gravação feita pelo empresário”, disse o jornal.
 
Em um dos áudios já divulgados pela Lava Jato, Joesley conversa com o deputado Rodrigo Rocha Loures sobre Temer saber dos “cuidados” com Eduardo Cunha e Lúcio Funaro na prisão. O parlamentar foi assessor de Temer na Presidência, antes de assumir o cargo na Câmara, por ser suplente de Osmar Serraglio, ministro da Justiça.
 
Loures teria combinado com Joesley esquemas de corrupção no governo Temer que renderiam pagamentos de propina a Cunha, para evitar uma delação premiada. O emissário do presidente foi flagrado pela PF recebendo uma mala com R$ 500 mil.
 
“Apesar de ter sido um dos [pontos] mais explorados desde que as investigações vieram à tona, hoje, [a conversa de Joesley com Temer, sobre Cuha] é apontado como secundário pelos investigadores.”
 
A Lava Jato acha que só as provas colhidas em torno dos pagamentos  Rocha Louras e ao coronel Lima bastam para processar Temer por corrupção passiva. 
 
Coronel Lima foi assessor de Temer quando o peemedebista ocupava a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, entre 1980 e 1990. Aposentado da Polícia Militar de SP, Lima é dono da empresa Argeplan, cuja sede foi usada para entrega de R$ 1 milhão em propina destinada ao presidente, segundo delações da JBS.
 
O relato é que Temer foi um dos únicos políticos a pegar dinheiro de propina para enriquecimento ilícito, e não para usar em campanhas eleitorais. 
 
Desde que o escândalo veio à tona, Temer tenta, com apoio de alguns setores da mídia, desqualificar e anular a validade da gravação de Joesley.
 

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