8 de junho de 2026

A presença permanente de Vinão, por Luís Nassif

Um dia chegou para a mãe e falou: Minha cabeça está cheia de vida!

Hoje é dia de festa em casa. O primo Oscar está se restabelecendo de uma cirurgia delicada e logo mais chegará para o almoço de comemoração, com a Bimba, todos seus filhos, minha ninhada completa, tudo sob o abrigo generosa de Eugenia.

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Os Nassif-Mesquita sempre celebraram a vida através da música. Oscar era meu parceiro desde os tempos em que seu violão era quase do seu tamanho, eu no meu cavaquinho afinado em bandolim.

Mas é inevitável. Nesses momentos de celebração, vem intensamente à memória a imagem do Vinicius, o Vinão, meu filhotão, enteado querido, que faleceu no ano passado.

Era quem mais cultivava as reuniões. Vibrava com pessoas, com gente, com a família. 

Um dia lhe disse que, graças ao casamento de sua mãe comigo, ele ganhara mais uma família, os Nassif. E ele me corrigiu na hora.

  • Uma, não. Quatro. Os Nassif, os Mesquita (do lado de uma tia), os Sarraf (do lado materno) e os Aguirre (de meu primeiro casamento).

Suas frases, suas imagens, marcaram todos nossos ambientes.

Um dia chegou para a mãe e falou:

  • Minha cabeça está cheia de vida!

Era muita vida driblando as restrições da síndrome de Down.

Ou, quando viajava e recusava a atender o celular, por justa causa:

  • Estou com alergia de saudade!

Ou, quando a mãe olhava com ternura para ele, e ele se derretia:

  • Olha não! Olha não!

Ou sua máxima, formulada após a morte de Michael Jackson:

  • Mãe, cantores não podem morrer!

Daqui a pouco, na reunião familiar, a grande presença ausente será do Vinão, do inesquecível Vinão.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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2 Comentários
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  1. Luiz

    4 de outubro de 2025 3:10 pm

    Nassif, meu caro. A língua portuguesa é bela e única por um vocábulo: sau-da-de. Não sei se os povos viventes neste mundo, cada dia mais inseguro e insensato, há palavra mais bela a expressar sentimento de amor por quem deixamos ou se foi. Também choro hoje, dia 4, a partida do meu primogênito, aos 12 anos, em 1996, 4 de outubro, vitimado por uma meningite. Curei minha cegueira, que parecia eterna, com a sensação de saudade pelo amor incontido, irrefreável e sagrado de pai. Que Deus nos dê conforto e, ao seu Vinão e ao meu anjo, luzes, para que sempre sintamos saudades, como prova de que em nossas mentes e corações continuaremos sempre a lembrar suas presença com amor e saudades.

  2. Sylvie Boechat

    4 de outubro de 2025 4:16 pm

    Vini, presente! Sigo te amando para sempre e sentido o amor para sempre que me devoto!

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