Bruno Pereira e Dom Phillips: Presentes!, por Izaías Almada

A Amazônia é hoje uma espécie de terra de ninguém, ou melhor, de gente que mata e esfola quando tem seus interesses minimamente questionados.

Bruno Pereira e Dom Phillips: Presentes!

por Izaías Almada

A cobiça pela Amazônia é antiga. Não é por acaso ou por uma aventura leviana, como afirmou o psicopata, que o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips foram vil e brutalmente assassinados.

Basta uma ligeira pesquisa na internet e um pouco de memória dos mais idosos, para nos lembrarmos de algumas dessas investidas, como a do candidato à presidência dos EUA, Al Gore, quando declarou: “Ao contrário dos que os brasileiros, acreditam a Amazônia pertence a todos nós”.

Só não sabemos se Al Gore se referia aos barões do capitalismo predador ou se fazia também referência aos bandidos e mafiosos espalhados pelo mundo, pilares de sustentação desse sistema econômico, em particular aqui no Brasil que – com a passagem dos anos – conseguiram ter um quadro real das riquezas dos solos e subsolos amazônicos.

A pesquisa na internet, num de seus artigos, informa ainda que no século XIX, um tenente da marinha dos Estados Unidos de nome Matthew Maury propôs ao seu governo a exploração do Rio Amazonas com argumentos supremacistas e imperialistas, como estes: “Quem deve povoar o grande vale do poderoso Amazonas? Deve ser ele habitado por um povo imbecil e indolente ou por uma raça empreendedora, que tem a energia e a iniciativa capazes de subjugar a floresta e desenvolver e utilizar os vastos recursos que ali jazem ocultos?”

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Apesar do preconceito e da arrogância do marinheiro, suas dúvidas tinham um tom profético, onde os verbos SUBJUGAR (Dominar) e UTILIZAR (Roubar) se encaixam bem no momento atual.

Vários outros países já se manifestaram a favor da internacionalização da Amazônia e o surgimento das Organizações Não Governamentais (ONGs) nos anos 50 e 60 – onde entidades privadas recebem apoio do poder público – e onde também a corrupção, as religiões e os serviços de espionagem das “grandes potências”, fizeram o seu ninho.

Embora pertencendo de direito e de fato ao Brasil, a Amazônia, infeliz e tragicamente, virou terra de ninguém, onde os primeiros a degradá-la fomos nós os brasileiros, com a expulsão dos indígenas nativos de suas terras e em seguida com a exploração de suas riquezas a qualquer preço.

Criamos ao norte do país um imenso valhacouto de bandidos, sejam eles analfabetos ou donos de títulos universitários, traficantes ou “pastores de ovelhas”, civis ou militares, comerciantes de fachada ou políticos profissionais.

O pouco de defesa criado para a região foi sendo destruído, sobretudo no atual governo, onde de tudo se faz para agradar aos compatriotas do marinheirozinho acima citado.

A Amazônia é hoje uma espécie de terra de ninguém, ou melhor, de gente que mata e esfola quando tem seus interesses minimamente questionados. Aonde convivem em regime de comunhão de bens o crime organizado e o crime de destruição ambiental.

Quem matou Marielle?

Quem matou Bruno Pereira e Dom Phillips?

Penso que uma pergunta tem tudo a ver com a outra… As respostas ficam por conta do amigo leitor…

Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro. Nascido em BH, em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.

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