Ciro, Elon e Aloysio…, por Izaías Almada

Nos últimos quinze dias, três fatos marcaram esse momento que vai se tornando um dos mais patéticos da história contemporânea brasileira.

Ciro, Elon e Aloysio…

por Izaías Almada

…o Brasil merece. Nos últimos quinze dias, três fatos marcaram esse momento que vai se tornando um dos mais patéticos, para não usar outros adjetivos também mais chulos, da história contemporânea brasileira. Senão vejamos:

         1 – o debate entre o candidato Ciro Gomes e o pensador humorista Gregório Duvivier;

         2 – a visita do empresário Elon Musk ao Brasil;

         3 – a entrevista de Aloysio Nunes ao site 247.

Como previ aqui mesmo na minha crônica anterior, na hipótese de realização de um debate entre o candidato do PDT Ciro Gomes e Gregório Duvivier, o senhor Ciro levaria um passeio, como se diz na gíria esportiva.

E não deu outra: a agressividade e o destempero do candidato à presidência da república foram detonados pela habilidade e inteligência do humorista, que não deixou pedra sobre pedra.

Ciro, que se tem na conta de pessoa inteligentíssima, usou um dos truques mais velhos em debates políticos, o de não deixar o seu oponente falar. Nos dez primeiros minutos, Gregório Duvivier teve que brigar para ter alguns segundos e contrapor-se ao seu adversário, até poder desabafar com aquele “ele está na sua frente, seu babaca!”, referindo-se ao Lula.

A fixação em falar mal de Lula e do PT, no candidato que já visitou inúmeros partidos políticos brasileiros, penso que nem Freud e toda sua teoria psicanalítica seriam capazes de explicar. Eu diria, meu caro leitor, que Ciro Gomes já encheu o saco… Sua ironia, por vezes primária, é temperada com sal grosso.

Quaisquer cinco minutos do programa “Greg News” são mais estimulantes que noventa minutos de um discurso cirista, sobretudo se for um discurso sobre economia…

E a visita de Elon Musk ao Brasil? Com uma reuniãozinha a portas fechadas com o nosso (?) presidente. Aliás, um debate sensacional seria entre o Ciro e o Jair, já pensaram?

Falemos de coisas sérias, pois tudo indica que o Musk veio dar um jeitinho de fazer negócios na Amazônia, aquele pedacinho de mata que vai aos poucos se transformando num deserto e aonde os seus habitantes originais, os índios brasileiros, vão se tornando ‘personae non grata’, só lhes restando a fuga para não serem exterminados por jagunços à procura de ouro e outros minérios importantes para o Vale do Silício.

A classe média babava na gravata, pois estava no Brasil um dos homens mais ricos do mundo e disposto a abrir o seu talão de cheques (coisa mais antiga, não?) ou, desculpem, usar o seu cartão de aproximação Tesla, aproximando-o das mãos mais sensíveis aos apelos em favor da indústria do novo mundo digitalizado. Coisa mais brega essa nojenta subserviência brasileira aos norte americanos. Chega a dar engulhos…

E o Aloysio, lembram-se dele? Foi motorista do líder guerrilheiro Carlos Marighela nos anos 60 e protagonista de um vexame internacional na Venezuela em 2015 quando, ao lado de outros políticos brasileiros participou de uma ida àquele país para se solidarizar aos presos políticos lá existentes, uma meia dúzia – se tanto – e tiveram que voltar quase que do aeroporto, pois o povo e as forças armadas venezuelanas não admitiram a interferência atrevida de propaganda aos, mais uma vez, interesses norte americanos.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: www.catarse.me/jornalggn

Em entrevista ao jornalista Leonardo Attuch, Aloysio disse que a democracia brasileira está ameaçada e que o momento é de união, referindo-se ao seu apoio a Lula.

E disse mais: que o PT e o PSDB sempre estiveram unidos em momentos necessários a essa defesa da democracia. E eu pergunto: como em 2015, Aloysio, quando Aécio Neves não queria aceitar a vitória democrática da presidente Dilma nas urnas? E cujo desdobramento, todos sabem, nos trouxe a esse descalabro de fim de feira.

A sorte dos políticos medíocres no Brasil (e eles são muitos) é que o brasileiro continua com a memória curta, pois em grande parte do tempo ainda está ligado nessa coisa chamada “Big Brother Brasil”…

Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro. Nascido em BH, em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.

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4 Comentários

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Aldair

- 2022-05-29 10:21:24

Pois é, esses "arrependidos" do psdb golpista estão querendo é sabotar. São a própria "elite do atraso"

Lourdes Nassif

- 2022-05-24 14:53:46

Ele informa que nasceu em BH e que, em 1963, mudou-se para São Paulo...

Edivaldo Dias de Oliveira

- 2022-05-24 14:49:52

O perfil do autor, embaixo diz que ele nasceu em 63 e que entre 69 e 71 foi preso pela ditadura, porntato entre 6 e 8 anos de idade. É isso mesmo? Não são poucos os casos crianças sequestradas e mesmo torturadas pelos militares, mas..

melkizedeke

- 2022-05-24 14:08:38

Já encheu o saco é saber que Lula, irá dar de bandeja um novo mandato para Bolsonaro, enquanto Ciro propõe e debate o Brasil, o PT fica comemorando o casamento com a "Janja", Deus salve nosso Brasil.

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