Eu só padeço de excessos orbitais
por Romério Rômulo
Quanto branco, meu deus!, na minha cara
quanto horror eu retrato permanente
nestas feras que vivem no meu corpo
meu pedaço de chão mais indecente.
Eu só padeço de excessos orbitais.
Tenho uns mares tão vis e alcandoreiros
que uns navios, excessos de cargueiros
só me navegam em fugas animais.
Cada pedaço de mar, de águas-vivas
cada pedaço de água, rente em pelo
pode chegar em forma de degelo
de corrimãos esquivos e mortais.
Ciranda. Porque tudo é desmazelo
que vive tudo aos trancos nos punhais.
Romério Rômulo (poeta prosador) nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar – Rio de Janeiro RJ.
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