Peço licença aos ingratos, 2
por Romério Rômulo
As tardes todas de espanto
com ventos feitos de linho
gosto de vinho Amaranto
Nas quebradas se fazia
dia e noite, noite e dia
um pedaço de quebranto
Quando a fornalha se via
arremessada na guia
entulhada de ataranto
O diabo nas migalhas
entravado nas fornalhas
breve em riso, sem pranto
Quebrado nas Cornualhas
cheio de ranço e batalhas
sempre forrado no manto
De estrelas e mortalhas
mãos benditas, de navalhas
cortadas em frio e canto
Uns olhos amartelados
umas mãos apedrejadas
sem um riso de acalanto
São todos mais arrojados
todos mais agalopados
sem viseira e sem encanto
Banhado todo em poesia
na faca suja do dia
feita de ferro amianto.
Entradas, bandeiras, tralhas
peito sujo de medalhas
feito um verbo sacrossanto.
Romério Rômulo (poeta prosador) nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar – Rio de Janeiro RJ.
Deixe um comentário