5 de junho de 2026

Senado fará audiência pública sobre a compra de caças suecos


Imagem do modelo Gripen NG, desenvolvido pela empresa sueca Saab

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Tão logo o Congresso retome as atividades, em fevereiro de 2014, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) fará uma audiência pública com o ministro da Defesa, Celso Amorim, e o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, para que sejam esclarecidos detalhes relativos à decisão do governo brasileiro de comprar 36 caças da empresa sueca Saab.

Foi o que informou o presidente da CRE, senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), ao repórter Adriano Faria, da Rádio Senado. Na entrevista, o senador expressa a opinião de que as ações de espionagem realizadas no Brasil pelo governo dos Estados Unidos, reveladas pelo analista de inteligência americano Edward Snowden,  certamente prejudicaram a Boeing, empresa daquele país que disputava a preferência das autoridades de defesa brasileiras com a Saab e a francesa Dassault.

– Ainda que nossas autoridades não admitam, é evidente que houve uma reflexão sobre isso. Quando você faz uma aquisição como essa, é como se você estivesse fazendo um casamento. Então a geopolítica foi considerada, juntamente com as questões de eficiência e performance – ponderou Ferraço.

Antecedentes

Anunciada na última quarta-feira (18), a escolha dos caças suecos pôs fim a uma disputa que já durava quase duas décadas. Em 1996, o governo Fernando Henrique Cardoso comunicou a intenção de adquirir as aeronaves. O mesmo objetivo orientou o lançamento, em 2001, do programa FX-2, ainda na gestão FHC.

Durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o então presidente da República chegou a declarar que o Brasil compraria os equipamentos fabricados pela francesa Dassault.

Na opção pelos caças de modelo Gripen NG, da Saab, pesaram, conforme o Ministério da Defesa, a qualidade dos equipamentos, os custos de aquisição – estimados em US$ 4,5 bilhões – e de manutenção e, sobretudo, os compromissos de transferência de tecnologia e de nacionalização de boa parte do processo de produção. Isso porque a parte de estrutura do avião e outros componentes deverão ser produzidos em São Bernardo do Campo (SP), contribuindo para o desenvolvimento da indústria aeronáutica do país.

Baixo investimento

No Senado, foram positivas as primeiras reações à escolha da Suécia como parceira no projeto de reaparelhamento da Aeronáutica. Em discurso em Plenário na quinta-feira (19), a senadora Ana Amélia (PP-RS) elogiou a decisão.

Lamentou, no entanto, a demora na definição do escolhido e os baixos investimentos do Brasil nas áreas de defesa e de tecnologia.

Ferraço também fez declarações favoráveis ao caminho estratégico pelo qual o país optou. Mas destacou a necessidade de “diálogo” entre Executivo e Legislativo para que sejam esclarecidos “detalhadamente” os diversos aspectos da decisão.

Um desses aspectos tem a ver com as providências que serão tomadas para resguardar os interesses nacionais de defesa a partir deste mês – quando a Aeronáutica deixará de utilizar os caças franceses Mirage – e até 2018, data em que está prevista a entrega dos primeiros aviões Gripen.

– Nós vamos fazer um diálogo muito aprofundado e detalhado sobre as razões que levaram o governo brasileiro a decidir pelo jato supersônico Gripen, e vamos debater o planejamento do Estado brasileiro para esses meses em que termos um vácuo na ocupação desses espaços – afirmou Ferraço à Rádio Senado.

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. luiz valentim

    23 de dezembro de 2013 1:31 pm

    Se ele(Ricardo Ferraço)é taõ sabido assim praquê audiência?
    Um Presidente de Comissão com tanta idéia préconcebida quer mesmo é ENCHER O SACO dos Milicos.

  2. leonidas

    23 de dezembro de 2013 1:48 pm

    Histeria de gente que nao tem

    Histeria de gente que nao tem o que fazer

    Se o Senado de fato honrasse suas funçoes eu ate aceitaria isso, mas aquilo é um antro e certamente a finalidade desses esclarecimentos nao tem relaçao alguma com os interesses da naçao

     

  3. antonio francisco

    23 de dezembro de 2013 2:35 pm

    unicameralismo, já!

    Senado brasileiro é sinônimo de excrescência.

    Legislativo pode ser, sim, unicameral, como ocorre em outros lugares no mundo.

    Aí, então, o senador Ferraço, já livre de seus inúmeros (!) encargos legislativos, vai poder conversar no bar da esquina a respeito de compras de avião.

  4. junior50

    23 de dezembro de 2013 9:12 pm

    Uma “não noticia”

      O Senador e seus pares da CREDN, são obrigados pelas suas funções constitucionais, a analisar estes contratos e convocar para audiência publica, não apenas o Brig. Saito, mas tambem o MinDef Celso Amorim, para depois juntos aos demais participes da CREDN ( senadores e deputados ), apresentarem as duas casas legislativas seus pareceres, pois o contrato – mãe entre o Brasil e a Suécia, como qualquer contrato de financiamento internacional ou relativo a compra e/ou cessão de equipamentos de defesa, deve ser aprovado pelo Congresso

Recomendados para você

Recomendados