A arrecadação federal somou R$ 289,3 bilhões em julho de 2026, uma alta real de 8,97% em relação ao mesmo mês do ano passado, já descontada a inflação medida pelo IPCA. No acumulado de janeiro a julho, as receitas chegaram a R$ 1,876 trilhão, crescimento real de 6,98% na comparação com os sete primeiros meses de 2025.
O resultado, divulgado pela Receita Federal, é influenciado por diferentes fatores, entre eles a expansão do emprego formal, o nível elevado das taxas de juros e a recuperação de setores da economia. Também entram na conta receitas extraordinárias, o que reduz parcialmente a capacidade de o resultado representar o comportamento recorrente da arrecadação.
Excluídos pagamentos considerados não recorrentes, como receitas atípicas de IRPJ e CSLL e a tributação sobre exportações de combustíveis, o crescimento real acumulado até julho seria de 5,84%.
Emprego e juros sustentam receitas
O mercado de trabalho formal aparece entre os principais fatores por trás do aumento da arrecadação. A Receita Previdenciária somou R$ 64,2 bilhões em julho, crescimento real de 5,50% sobre o mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, foram R$ 445,6 bilhões, alta real de 5,14%.
O desempenho acompanha a expansão da massa salarial, que cresceu 5,30% em termos reais em junho. Segundo os dados utilizados pela Receita, o mercado de trabalho também registrou saldo positivo de mais de 921 mil postos formais no primeiro semestre, segundo o Novo Caged.
A arrecadação também foi favorecida pela retomada gradual da tributação sobre a folha de pagamentos e da contribuição patronal dos municípios, prevista na Lei nº 14.973/2024, além do desempenho das empresas enquadradas no Simples Nacional.
Outro componente que ganhou força foi o Imposto de Renda Retido na Fonte sobre rendimentos de capital (IRRF-Capital). A arrecadação dessa modalidade alcançou R$ 13,4 bilhões em julho, alta real de 29,47%. De janeiro a julho, foram R$ 105,7 bilhões, crescimento de 17,87% em termos reais.
Nesse caso, o nível elevado da Selic tem efeito direto sobre a arrecadação. Juros maiores ampliam os rendimentos de aplicações de renda fixa e, consequentemente, a base sobre a qual incide o imposto. No acumulado do ano, o recolhimento nominal sobre essas aplicações aumentou 30,79%.
Também houve crescimento de 48,77% nas distribuições de Juros sobre Capital Próprio (JCP), outra fonte de arrecadação do IRRF-Capital.
Consumo, petróleo e receitas extraordinárias
Os tributos relacionados ao consumo e ao faturamento também contribuíram para o resultado. A arrecadação de PIS/Cofins alcançou R$ 363,6 bilhões nos primeiros sete meses do ano, crescimento real de 4,52%.
A Receita relaciona o resultado à expansão das vendas do comércio, que cresceram 2,02%, e do volume de serviços, com alta de 2,27%. Também houve recuperação em setores como o automotivo e os serviços financeiros, além do retorno à tributação de empresas que haviam sido beneficiadas pelo Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse).
O conjunto formado por IRPJ e CSLL arrecadou R$ 378,2 bilhões no período, alta real de 5,52%. O crescimento foi influenciado principalmente pela arrecadação das empresas tributadas pelo Lucro Presumido, que avançou 9,55%, e por ajustes tributários envolvendo instituições financeiras.
Um dos movimentos mais expressivos, porém, veio do setor de petróleo e gás natural. A arrecadação administrada pela Receita Federal sobre o segmento passou de R$ 15,5 bilhões nos primeiros sete meses de 2025 para R$ 79,1 bilhões no mesmo período de 2026, uma alta real de 410,17%.
Parte desse salto está relacionada à tributação das exportações de petróleo. Somente em julho, o Imposto de Exportação sobre óleo bruto, instituído pela MP 1.340/2026, gerou R$ 3,16 bilhões.
Outro destaque foi o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A arrecadação chegou a R$ 58,5 bilhões entre janeiro e julho, crescimento de 28,73% em termos reais. O avanço foi associado ao aumento das operações de crédito e ao maior volume de operações de câmbio, em decorrência também de mudanças legislativas implementadas desde meados de 2025.
O conjunto dos dados mostra, portanto, uma arrecadação em trajetória de crescimento real em 2026, apoiada tanto pela atividade econômica quanto por fatores específicos de tributação. Ao mesmo tempo, a diferença entre o crescimento total, de 6,98%, e o resultado descontadas as receitas extraordinárias, de 5,84%, indica que uma parcela do avanço não decorre exclusivamente do comportamento recorrente da economia.
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