Cenário global justifica os R$ 400 milhões de investimento na indústria da defesa

Marcos Barbieri observa que, por ser estratégica, área da defesa tem a maioria das inovações patenteada e que é compartilhada entre países

Crédito: Arquivo pessoal

Conforme o previsto na missão 6 do programa Nova Indústria Brasil, o governo federal vai investir R$ 400  milhões até 2026 no desenvolvimento de tecnologias críticas para a defesa. 

O jornalista Luis Nassif e a bancada do programa Nova Economia receberam, na última quinta-feira (22), o professor Marcos José Barbieri Ferreira, especialista em indústria aeroespacial e de defesa, para debater os impactos que o programa deve trazer ao País. 

Barbieri conta que vê “com muito bons olhos” a retomada da política industrial no País, que representa um avanço, especialmente pelo formato proposto pelo Planalto. Dividido em missões e focado em áreas estratégicas, como alimentos, sustentabilidade, cidades e defesa, o NIB tem aspecto moderno e transversal. 

“Mas há também limitações, porque o programa procura atender parte da questão do desenvolvimento tecnológico na área da defesa. Mas o desenvolvimento da base industrial de defesa envolve muitos recursos e acordos”, observa. 

Além dos militares

Mesmo com limitações, o programa abrange os problemas certos, na avaliação do convidado, pois o Brasil precisa ter o domínio de tecnologias críticas e estas precisam ser desenvolvidas nacionalmente, pois como são majoritariamente patenteadas e estratégicas, não costumam ser transferidas para entre países. 

“O quadro internacional sofre mudanças drásticas. Temos um mundo muito diferente dos anos 1990. É um mundo em que a questão nacional é recolocada com toda força. Foi recolocada desde a crise de 2008, recolocada pela questão da covid e ainda mais pela questão dos conflitos [guerras na Ucrânia e em Gaza]”, continua o professor. 

O cenário global exige, assim, que o País repense a defesa, a fim de aproveitar possibilidades de exportação e garantir a soberania nacional. “A defesa precisa ser rediscutida pela sociedade como algo não exclusivo dos militares, mas com aceitação da sociedade, da universidade, dos políticos, do setor público.”

Questão nacional

Barbieri afirma ainda que a defesa não precisaria ter outra função além da defesa, mas que é um setor que costuma ser precursor de avanços tecnológicos e áreas estratégicas. “O nosso smartphones, temos o livro da professora Mariana Mazzucato [O Estado Empreendedor], em que ela coloca que das 13 tecnologias desenvolvidas para um telefone celular e os aplicativos, das 13 foram desenvolvidas pelo estado, 10 são de origem militar.”

Outro exemplo relevante na história do País foi a criação da Embraer, inicialmente pensada para atender demandas da Força Aérea, mas que se diversificou e atualmente oferece soluções na área de radares, satélites e sistemas de controle de tráfego aéreo. 

“A conquista da Embraer é resultado de uma política científica, tecnológica e industrial de 70 anos”, conclui o professor.

Confira o debate na íntegra:

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Camila Bezerra

Jornalista

2 Comentários

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  1. Isso é realmente necessário agora, não tem mais como adiar, infelizmente, porém as nossas FFAA tem que se profissionalizarem, cumprir o seu papel funcional e constitucional, a esquerda nunca foi inimiga das nossas FFAA, nunca, cobrar retratação de desvios é e era uma racionalidade necessitaria, a esquerda é muito mais nacionalista e defensora de nossa soberania do que qualquer outra corrente política do Brasil, mas é hora de reforço. O mundo multipolar exige isso, quando vemos correntes políticas de extrema direita promoverem divisão interna com lacunas fora de nossa razão social, econômica e geopolítica por mera questão de poder, ancorados em aspectos religiosos, ideológicos e desestabilizantes, causa agonia, instabilidade desnecessária, e atrasa todo o conjunto da nação, é hora de união e de defesa da nossa soberania territorial, política e econômica.

  2. A China, quando ainda morria de fome, em 1964, explodiu sua primeira bomba. Tá aí bombando, retomando a liderança mundial após 150 anos, e “os bonsinhos” ciscam, ciscam e ciscam; resmungam, resmungam e resmungam, mas sequer tem o topete de espalhar cizanias como espalham sobre a Rússia – apesar de não ter topete pra invadi-la – muito menos de tratar como submundo. Vai trabalhar? Bote a garrucha, cheia até a tampa ao lado. Senão o vagabundo vem tomar o fruto do trabalho e humilhar. Essa é a humanidade. E desde que os assírios resolveram se converter de comerciantes a latrocidas, praticado em escala industrial.

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