20 de maio de 2026

Governo Tarcísio fez pouco caso dos US$ 50 bilhões da Ucrânia e depois culpou Lula

Na gravação, conselheiro da Antonov diz que é "inconcebível" a Ucrânia correr atrás do governo de SP para oferecer investimentos
Lula e Tarcísio de Freitas
Foto: Ricardo Stuckert

Um áudio relevado pelo Estadão mostra um representante da Antonov – estatal da Ucrânia na área aeronáutica – reclamando da dificuldade em conseguir uma audiência com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para tratar de investimentos da monta de 50 bilhões de dólares no Estado.

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Na semana passada, a Secretaria de Negócios Internacionais de São Paulo informou à imprensa que as tratativas com a Antonov não prosperaram por causa de uma frase infeliz de Lula sobre a guerra na Ucrânia.

Em artigo no GGN [leia aqui], o jornalista Luis Nassif mostrou inconsistências e lacunas a serem preenchidas na narrativa da secretaria paulista. Procurada pela reportagem, o governo Tarcísio não ofereceu os esclarecimentos solicitados.

A iniciativa da Antonov

Avião Antonov An-225 Mriya. Foto: Wikipedia

O áudio agora revelado pelo Estadão parece ter sido gravado antes da reunião de representantes da Antonov com a Secretaria de Negócios Internacionais de São Paulo, em 11 de Abril.

Naquela data, os representantes da Antonov teriam feito uma apresentação afirmando interesse em migrar a produção da empresa para uma “jurisdição neutra” em virtude dos conflitos com a Rússia.

Os representantes eram o presidente do Conselho de Administração da Antonov, Oleksandr Nykonenko – ex-embaixador da Ucrânia em Brasília na década de 1990 – e o vice-presidente da empresa, Victor Avdeyev.

É a voz de Nykonenko que aparece no áudio reclamando da dificuldade de falar com Tarcísio e criticando a postura do governo de SP. “Eu vejo que não há interesse por parte do governo. Nós temos que convencê-los de tudo.”

Na semana passada, o governo de SP divulgou que uma fala declaração de Lula sobre a guerra na Ucrânia teria feito os representantes da Antonov desistirem da aproximação. Segundo o governo, essa acusação contra Lula teria sido registrada em e-mail pelos representantes da Antonov. O GGN pediu acesso à cópia do e-mail, mas o governo Tarcísio não respondeu à demanda.

Depois da repercussão na mídia brasileira, a Antonov emitiu nota desautorizando a representação de Nykonenko e Avdeyev para falar em nome da empresa no Brasil.

O projeto da Antonov

O projeto em questão envolve a construção de uma planta industrial, transferência de tecnologia, geração de cerca de 10 mil empregos diretos e indiretos, além de pista de testes e uma planta estimada em 70 mil metros quadrados.

“Para atingir tais metas a Antonov dispõe de cerca de US$ 50 bilhões a serem aplicados na estrutura proposta de forma escalonada de forma a atingir em até 5 anos a plena atividade produtiva”, diz a apresentação

Confira abaixo a íntegra da apresentação realizada pela Antonov ao governo de São Paulo no dia 11 de abril.

Os detalhes do áudio

Ao mesmo tempo, áudio creditado a Oleksandr Nykonenko mostra o representante da Antonov reclamando da dificuldade em apresentar o projeto ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freita.

No áudio, Nykonenko afirma ser “inconcebível” que a estatal ucraniana Antonov precisasse enviar um convite formal ao governo paulista para dialogar com as autoridades.

“Segundo a lógica, é a parte brasileira que deveria estar interessada de atrair os investimentos e altas tecnologias, especialmente na área aeronáutica”, afirma Nykonenko.

“Por isso, para mim, é inconcebível, incompreensível porque nós temos que enviar uma nota solicitando audiência com o senhor governador”, destacou.

“Quando eu estive embaixador no seu país, no Brasil, eu tinha muitos contatos com os políticos (…) E quando eu lhes explicava que a Ucrânia quer vir para cá para fazer isto, isto e isto ‘ok, embaixador, bem vindos, o que é necessário? um convite? não há problemas, te mando em seguida’. “E tudo está solucionado, e nós tínhamos visitas, intercâmbio e tudo”, explicou.

Diante disso, Nykonenko afirma ao interlocutor que, se ele tem acesso ao governador ou a assessores próximos, que ele pode explicar que “o primeiro embaixador da Ucrânia no Brasil está disposto a falar com o senhor governador por telefone, lhe explicar quais são as intenções da parte ucraniana para receber este convite formal (…)”

Confira abaixo a íntegra do áudio

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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14 Comentários
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  1. ciro araujo

    30 de abril de 2023 11:41 am

    ué?

  2. Marcos Henrique Coutinho Moreira

    30 de abril de 2023 12:23 pm

    Não entendi, afinal foi um golpe que tentaram aplicar ao governo de São Paulo, ou era realmente a empresa estatal ucraniana querendo investir no estado de São Paulo?

  3. Sergio Navas

    30 de abril de 2023 2:39 pm

    Afinal esse assunto é verdadeiro ou falso?

  4. AMBAR

    30 de abril de 2023 3:42 pm

    Então escritórios de advocacia já estão vendendo aviões e instalando indústrias de grande porte. Esse povo é muito ousado. Alô Dalanhol, veja como se faz um power point convincente!

  5. ed.

    30 de abril de 2023 5:00 pm

    Ué II…Teve até publicação de desmentido. Isso é fake news ou não é?

  6. Paulo Dantas

    30 de abril de 2023 5:16 pm

    CNN e WW estavam certos então.

    Todavia segue não fazendo sentido, país em guerra investir tanto.

    A gente “entraria na guerra” mesmo que seja só avião civil.

    O cara da Rússia pode ficar Putin com isto.

  7. Luiz Mattos

    30 de abril de 2023 8:44 pm

    Oras antes era falso agora é real?

  8. Fábio de Oliveira Ribeiro

    30 de abril de 2023 8:59 pm

    Tarcísio ainda não explicou direito as relações perigosas entre ele e os nazistas ucranianos que queriam lavar dinheiro construindo aviões em São Paulo (ou roubando os paulistas incautos que investirem numa arapuca montada por ladrões internacionais que são amigos do governo norte-americano).

  9. Sergio Navas

    30 de abril de 2023 11:07 pm

    Então a CNN estava certa?

  10. Jicxjo

    1 de maio de 2023 10:04 am

    Nassif, essa história está muito mal contada. O GGN precisa passar tudo isso a limpo, para não ser feito de bobo pelos bolsonaristas na mídia e no governo de SP, bem como seus supostos simpatizantes na Antonov.

  11. ed.

    1 de maio de 2023 12:37 pm

    Aos que questionam se a CNN / Waack estavam “certos”: certos de que? De que a Antonov desistiu “por causa de Lula” ou da inapetência do governo cariopaulista (ou pauliroca?) de Tarcísio? “Tá defícel” esse assunto do investimento pela Antonov de uns 25%-30% do PIB da Ucrânia, em guerra, onde seria até mais comum um contato com o governo do país para direcionamento da “oportunidade”, né não? Parafraseando Harendt, este país tá banalizando a bizarrice (e tantas outras).

  12. +almeida

    1 de maio de 2023 12:50 pm

    Imagino que um tipo de preconceito teimoso e sem fundamento,por parte da maioria do eleitorado Paulista, pode ter uma importante parcela de responsabilidade na nítida decadência que o estado está experimentando, nas últimas décadas. Avalio que o amplo domínio político e eleitoral, que o PSDB recebeu da maioria da população eleitoral paulista, o fez permitir que a soberba e a certeza de que seus atos e condutas seriam certamente esquecidos e referendados, mesmo que erros ou prejuizos fossem causados. Então, acredito, que quando perceberam o reduzido retorno em tão substancial fidelidade e apoio, resolveram mudar o voto e a linha política, mas manter intacto o poder de seu preconceito. Parece que o castigo será ainda maior e que o tiro da mudança foi dado no próprio pé.
    Portanto, eu entendo que a atenção desses eleitores tem que se redobrar, para evitar que o próximo tiro eleitoral não seja no pé e, principalmente, não seja ainda mais trágico.

  13. Arthur

    1 de maio de 2023 4:57 pm

    Assim como a estranhíssima história de um movimento espontâneo de adolescentes neonazistas que estariam preparando ataques à escolas, temos agora um embroglio kafkiano que de um lado temos a máfia paraestatal de um país estrangeiro em guerra e de outro o estado mais importante da federação em franco processo de ocupação por forças milicianas e a extrema direita global representada pela sucursal local alijada do poder central. Para azeitar o enredo farsesco entram em jogo os insuspeitissimos braços midiáticos do poder imperial, CNN e Estadão em tabelinha sincronizada de fazer inveja às irmãs Feres, destilando doses cavalares de desinformação. Ou esse governo mergulha em um caminho sem volta de confrontamento pelas vias da contrainteligência que exigirá um cavalo de pau nos aparatos de inteligência, de segurança e no poder fardado, se possível com apoio de seus parceiros estratégicos no oriente, ou o Brasil em pouco tempo sera engolfado pelos tentáculos da guerra híbrida e Lula III, apenas mais um breve capítulo de nossa história de épicas tragédias e capitulações.

  14. Arthur

    1 de maio de 2023 5:15 pm

    Assim como a estranhíssima história de um movimento espontâneo de adolescentes neonazistas que estariam preparando ataques à escolas, temos agora um embroglio kafkiano que de um lado temos a máfia paraestatal de um país estrangeiro em guerra e de outro o estado mais importante da federação em franco processo de ocupação por forças milicianas e a extrema direita global representada pela sucursal local alijada do poder central. Para azeitar o enredo farsesco entram em jogo os insuspeitissimos braços midiáticos do poder imperial, CNN e Estadão em tabelinha sincronizada de fazer inveja às irmãs Feres, destilando doses cavalares de desinformação. Ou esse governo mergulha em um caminho sem volta de confrontamento pelas vias da contrainteligência que exigirá um cavalo de pau nos aparatos de inteligência, de segurança e no poder fardado, se possível com apoio de seus parceiros estratégicos no oriente, ou o Brasil em pouco tempo sera engolfado pelos tentáculos da guerra híbrida e Lula III, apenas mais um breve capítulo de nossa história de tragedias épicas e capitulações.

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