Um contrato de R$ 500 milhões, assinado em outubro de 2025, expõe a proximidade entre o Grupo Fictor e o banqueiro Daniel Vorcaro pouco antes de ambos se tornarem alvos de investigações por crimes financeiros. O documento, revelado pela repórter Alice Maciel, do ICL Notícias, detalha a venda de cotas do fundo Krispy, composto por precatórios bilionários, da Titan Capital Holding — empresa de Vorcaro nas Ilhas Cayman, um conhecido paraíso fiscal que concentra investimentos pessoais do banqueiro — para a Fictor.
A transação ocorreu exatamente um mês antes de a Fictor anunciar a intenção de adquirir o Banco Master por R$ 3 bilhões. A operação de compra, no entanto, naufragou após a prisão de Vorcaro pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero e a posterior liquidação do banco pelo Banco Central.
Estrutura do negócio e precatórios
O acordo foi dividido em duas fases. Na primeira, a Fictor pagaria R$ 200 milhões por ativos que incluíam precatórios da Usina São João e da Agro Industrial Tabu, avaliados em R$ 1,6 bilhão. A segunda etapa previa o pagamento de mais R$ 300 milhões pelas cotas remanescentes do fundo.
À época, o fundo Krispy era administrado pela Reag, instituição que também sofreu liquidação e é investigada nas operações Compliance Zero e Carbono Oculto. Registros indicam que, em 23 de outubro de 2025, a Fictor chegou a transferir R$ 30 milhões para a holding de Vorcaro como parte do pagamento inicial.
Conexões sob investigação
A complexidade do caso aumenta com a participação da Sefer Investimentos, representante legal da Titan no Brasil e destino dos pagamentos previstos no contrato. A Sefer é apontada pela Polícia Federal como peça de um esquema de repasse de recursos para negócios da família de Vorcaro.
Curiosamente, no processo de recuperação judicial iniciado pela Fictor neste mês, a Sefer aparece como sua segunda maior credora, com R$ 430 milhões a receber. O pedido de recuperação judicial da Fictor disparou novos inquéritos da PF para apurar possíveis fraudes e a real conexão do grupo com as irregularidades atribuídas ao Banco Master.
Defesa e silêncio
Questionada sobre a estrutura da offshore, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que a “Titan Capital Holding foi estruturada no exterior como parte do projeto de reorganização societária do grupo à época, voltado à entrada de investidores estrangeiros e à internacionalização das operações, dentro das normas legais e regulatórias aplicáveis”.
O Grupo Fictor e Daniel Vorcaro foram procurados pela reportagem original do ICL Notícias, mas não enviaram resposta.
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