29 de agosto de 2026

Inovação financeira pode reforçar hegemonia global do dólar, aponta estudo

Stablecoins e tokenização reduzem barreiras aos pagamentos internacionais, mas podem ampliar a concentração financeira em torno da moeda dos EUA
Foto de Vladimir Solomianyi na Unsplash

Estudo de 2026 mostra que tecnologias financeiras podem fortalecer, não enfraquecer, o domínio do dólar no sistema global.
Stablecoins lastreadas em dólar facilitam pagamentos internacionais e aumentam a demanda por ativos financeiros dos EUA.
Inovações como tokenização e pagamentos instantâneos ampliam a liquidez do dólar, mantendo sua posição dominante globalmente.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A transformação tecnológica do sistema financeiro internacional pode produzir um resultado diferente daquele esperado por quem aposta na perda de espaço do dólar: em vez de enfraquecer a moeda norte-americana, inovações como stablecoins, sistemas de pagamentos instantâneos e tokenização de ativos podem reforçar sua posição dominante.

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Essa é uma das principais conclusões de um estudo elaborado por Gordon Liao, da Circle Internet Financial, Eswar Prasad, da Universidade Cornell e do Brookings Institution, e Tony Zhang, da Arizona State University. O trabalho, publicado em agosto de 2026, foi apresentado no Jackson Hole Economic Policy Symposium, organizado pelo Federal Reserve Bank of Kansas City.

Os autores partem de uma constatação: embora a participação do dólar nas reservas cambiais mundiais tenha diminuído nas últimas décadas, a moeda dos Estados Unidos continua amplamente dominante em outras dimensões das finanças globais, como pagamentos internacionais, empréstimos bancários, operações de câmbio e denominação de títulos de dívida.

Assim, a questão central do estudo não é simplesmente se o dólar perderá sua posição, mas como as novas tecnologias financeiras podem alterar a disputa entre moedas.

Stablecoins podem aprofundar a dependência do dólar

Em tese, a inovação financeira poderia reduzir as vantagens históricas das moedas dominantes. Sistemas de pagamentos mais rápidos, moedas digitais de bancos centrais, criptomoedas, plataformas de tecnologia financeira e mecanismos de tokenização diminuem custos e barreiras nas transações internacionais.

Isso permitiria, por exemplo, que empresas e investidores utilizassem moedas de países menores sem precisar recorrer necessariamente ao dólar como moeda intermediária. O problema é que o mesmo mecanismo pode funcionar no sentido contrário.

Os pesquisadores destacam o avanço das stablecoins lastreadas em dólar. Esses ativos digitais permitem realizar pagamentos internacionais utilizando tokens cujo valor está vinculado à moeda norte-americana.

Ao mesmo tempo, suas reservas são constituídas por ativos considerados seguros, especialmente instrumentos denominados em dólar. Na prática, a tecnologia facilita o acesso global a ativos financeiros norte-americanos.

O estudo argumenta que essa combinação pode criar um círculo de retroalimentação: quanto mais pessoas utilizam stablecoins vinculadas ao dólar, maior pode ser a demanda por ativos seguros denominados na moeda americana. Isso amplia a profundidade e a liquidez dos mercados financeiros dos Estados Unidos e, consequentemente, torna o dólar ainda mais atraente.

A inovação que poderia nivelar o campo de disputa entre moedas, portanto, também pode consolidar a vantagem de quem já ocupa a posição dominante. O fenômeno ajuda a explicar por que a perda relativa do dólar nas reservas internacionais não necessariamente significa uma substituição da moeda norte-americana no conjunto do sistema financeiro.

A integra do estudo está disponível abaixo

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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