21 de maio de 2026

Minerais críticos recolocam o Brasil diante do velho dilema: exportar ou industrializar

Disputa global por minerais críticos reacende dilema histórico do Brasil e levanta dúvidas sobre soberania e política industrial.
Terras raras. Foto: Camila Cunha / Serviço Geológico do Brasil.

Brasil enfrenta impasse histórico entre exportar minerais críticos ou industrializar para garantir soberania econômica.
País detém grandes reservas de terras raras, alvo de disputa global entre EUA e China por controle estratégico.
Parlamentares alertam para risco de perda de controle e defendem política industrial integrada no setor mineral.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A disputa em torno dos minerais críticos recoloca o Brasil diante de um impasse histórico que atravessa séculos: permanecer como exportador de commodities ou construir uma estratégia nacional de industrialização capaz de sustentar soberania econômica.

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A fala do ministro Márcio Elias Rosa — ao afirmar que o país não quer ser “exportador de matéria-prima” — ecoa um diagnóstico antigo. Desde o ciclo colonial, passando pelo café e chegando ao minério de ferro, o Brasil consolidou sua inserção internacional como fornecedor de recursos naturais com baixo valor agregado.

O problema nunca foi a abundância de riquezas, mas a incapacidade histórica de transformá-las em base industrial robusta.

Agora, com os chamados minerais críticos — especialmente as terras raras — esse dilema ganha nova dimensão. Diferentemente de ciclos anteriores, não se trata apenas de exportar ou não, mas de disputar posição em cadeias produtivas altamente estratégicas, ligadas à transição energética, à indústria digital e, sobretudo, à defesa.

Nesse contexto, o Brasil surge como ator relevante. Com uma das maiores reservas do mundo, o país passa a integrar o tabuleiro de uma disputa global que envolve diretamente Estados Unidos e China — hoje principal processadora mundial desses insumos.

A movimentação descrita na representação apresentada à Procuradoria-Geral da República (PGR) explicita esse cenário. Segundo o documento, iniciativas envolvendo governos estaduais e capital estrangeiro não seriam episódios isolados, mas parte de uma estratégia internacional mais ampla para garantir acesso a esses recursos e reorganizar cadeias globais de suprimento.

O ponto central levantado pelos parlamentares do Partido Socialismo e Liberdade não é apenas jurídico — embora a questão constitucional seja relevante ao discutir competências da União —, mas estratégico: quem controla os minerais críticos controla parte significativa da economia do futuro.

Essa não é uma abstração. A história recente oferece um paralelo eloquente.

Na década de 1950, o debate sobre o petróleo mobilizou o país sob o lema “o petróleo é nosso”, culminando na criação da Petrobras. Naquele momento, consolidou-se a percepção de que recursos naturais estratégicos exigiam coordenação estatal e visão de longo prazo.

Hoje, os minerais críticos ocupam papel semelhante — com um agravante: o mundo já está em plena corrida por esses insumos.

Os Estados Unidos buscam reduzir sua dependência da China, que domina o processamento global de terras raras. A União Europeia acelera políticas industriais para garantir acesso a matérias-primas estratégicas. E grandes corporações se movimentam para assegurar controle sobre minas, tecnologias e cadeias produtivas.

Nesse cenário, o risco apontado na representação ganha contornos concretos: o Brasil pode repetir, em versão atualizada, o padrão histórico de exportar recursos brutos enquanto importa tecnologia e produtos de alto valor agregado.

A eventual transferência de controle de ativos como a mineradora Serra Verde — destacada no documento — não seria apenas uma operação econômica, mas parte de um reposicionamento geopolítico mais amplo, no qual países centrais buscam garantir autonomia em setores considerados críticos para segurança nacional.

Por isso, o debate não se resume a ser “contra” ou “a favor” do investimento estrangeiro.

A questão central é outra: em que termos o Brasil participa dessa nova economia?

Sem uma política industrial clara, integrada e coordenada no nível federal, o risco é que decisões fragmentadas — inclusive por entes subnacionais — acabem por comprometer a capacidade do país de definir sua própria estratégia.

O alerta feito pelos parlamentares, ao falar em “diplomacia paralela” e perda de controle sobre recursos estratégicos, aponta para um problema estrutural: a ausência de uma governança nacional consolidada para os minerais críticos.

E aqui reside a principal contradição exposta pelo caso.

De um lado, o governo afirma que quer industrializar e agregar valor. De outro, o avanço de acordos, aquisições e articulações internacionais sugere que o controle sobre esses recursos pode estar sendo gradualmente deslocado para fora do país.

A história mostra que janelas de oportunidade como essa não permanecem abertas por muito tempo.

Se o Brasil não definir rapidamente uma estratégia para seus minerais críticos — envolvendo regulação, política industrial, tecnologia e defesa —, corre o risco de, mais uma vez, ocupar o elo menos valorizado da cadeia global.

Desta vez, porém, em um setor que ajudará a definir o equilíbrio de poder no século XXI.

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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