O volume de vendas do comércio varejista brasileiro cresceu 0,5% em junho, na comparação com maio, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado veio após uma alta de 0,3% em maio e mostra uma recuperação moderada das vendas no segundo trimestre.
Apesar do avanço mensal, o desempenho do setor ainda revela um cenário de crescimento limitado. No primeiro semestre, o varejo acumulou alta de 1,9% em relação aos seis primeiros meses de 2025, enquanto, nos 12 meses encerrados em junho, o crescimento foi de 1,6%. Além disso, o índice de vendas com ajuste sazonal permaneceu 0,8% abaixo do patamar registrado em março, que havia sido o ponto mais alto do ano até então.
O resultado de junho também foi bastante desigual entre os diferentes segmentos. Quatro das oito atividades pesquisadas pelo IBGE tiveram crescimento na passagem de maio para junho. A maior alta foi registrada em outros artigos de uso pessoal e doméstico, que incluem lojas de departamento, artigos esportivos, brinquedos e joalherias, com avanço de 2,4%.
As vendas de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo cresceram 1,1%, enquanto móveis e eletrodomésticos avançaram 0,4% e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria tiveram alta de 0,2%.
Dentre os quatro segmentos que registraram retração, o destaque negativo foi livros, jornais, revistas e papelaria, com queda de 9,9% em relação a maio. O resultado devolve parte do forte crescimento de 16,1% observado no mês anterior. Na comparação com junho de 2025, porém, as vendas do segmento ainda estavam 12,6% maiores.
Também recuaram as vendas de tecidos, vestuário e calçados (-2,6%), combustíveis e lubrificantes (-1,7%) e equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-1,3%).
Alimentos e medicamentos sustentam o resultado
A alta do varejo em junho foi influenciada principalmente por produtos de consumo recorrente. O segmento de supermercados e alimentos teve a maior contribuição para o crescimento mensal, enquanto os artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria vêm apresentando uma trajetória particularmente consistente.
Na comparação com junho de 2025, as vendas de produtos farmacêuticos cresceram 6,2%, marcando o 40º mês consecutivo de crescimento nessa comparação. No primeiro semestre, o segmento acumula alta de 4,6% e, em 12 meses, de 5,1%.
Móveis e eletrodomésticos também apresentaram desempenho positivo: as vendas cresceram 7,5% em relação a junho do ano passado e acumulam alta de 3,8% no semestre. Já supermercados e produtos alimentícios tiveram crescimento anual de 2,2% e acumulam avanço de 1,3% no primeiro semestre.
Na comparação anual, o cenário é mais favorável do que na margem mensal: sete das oito atividades do varejo apresentaram crescimento. Além dos segmentos já mencionados, livros, jornais, revistas e papelaria cresceram 12,6%; outros artigos de uso pessoal e doméstico, 5%; e equipamentos de informática e comunicação, 2,2%. A única queda foi registrada em tecidos, vestuário e calçados, de 1,7%.
Comércio ampliado recua 1%
Quando são incluídos os segmentos de veículos, material de construção e atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, o resultado é menos positivo. O chamado comércio varejista ampliado caiu 1% em junho, depois de uma retração de 0,3% em maio.
O principal fator foi a queda nas vendas de material de construção (-3,5%) e veículos e motos, partes e peças (-1,5%). O atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, por outro lado, registrou forte alta de 7,5% na comparação com junho de 2025.
Regionalmente, o crescimento do varejo também foi disseminado: 19 das 27 unidades da federação tiveram aumento das vendas entre maio e junho. Amazonas (3%), Espírito Santo (2,6%) e Roraima (2,5%) apresentaram os maiores avanços. Na comparação anual, 24 estados tiveram crescimento, com destaque para Pernambuco (9,5%), Tocantins (9,1%) e Distrito Federal (8,8%).
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