Artistas apoiam Nassif e o GGN

Artistas se unem em apoio a Luis Nassif e Jornal GGN, contribuindo com a luta e com o esforço de sobrevivência da mídia independente.

CARTA DOS ARTISTAS EM APOIO AO JORNALISTA LUÍS NASSIF

Artistas e trabalhadores da cultura estão em luta em defesa da democracia, da liberdade de imprensa e de criação, e do jornalista e músico Luís Nassif.

Nós, artistas, produtores culturais, escritores e livre pensadores denunciamos a perseguição em curso no Brasil contra Luís Nassif. Chamamos a atenção de observadores internacionais e dos fóruns competentes em defesa das liberdades para o crescente arbítrio contra este importante jornalista e intelectual brasileiro.

O acesso a uma informação isenta e de qualidade é um direito assegurado pela nossa Constituição, no entanto, o que temos assistido nestes últimos anos é uma descarada e agressiva perseguição ao Jornalismo independente e de qualidade. Importantes e premiados jornalistas do Brasil, como Fernando Morais, Paulo Henrique Amorim e Luís Nassif têm sido vítimas de assédio judicial tramado por missionários do obscurantismo e do silêncio autoritário.

No contexto de crescente autoritarismo do atual mandatário e de seus grupos de apoio no Congresso, expresso nos elogios à ditadura e à tortura, causam preocupação e enorme indignação as sentenças judiciais contra Luís Nassif e tantos outros jornalistas brasileiros. O Poder Judiciário é quem deveria, neste difícil momento do Brasil, defender o trabalho essencial e livre de jornalistas. É quem deveria atuar como guardião do espaço necessário de crítica e opinião, garantido pela Constituição Cidadã. Quando um juiz condena um jornalista a multas impagáveis por fazer seu trabalho com isenção, deixa de cumprir sua missão e atinge cada um de nós.

Em uma das inúmeras sentenças contra ele, Nassif teve as contas bloqueadas por um juiz do Rio de Janeiro por ter realizado comparações entre Eduardo Cunha e um famoso sonegador. Cunha hoje está preso por crimes muito maiores e mais graves que sonegação, mas teve sua honra restabelecida em juízo e Nassif foi punido.

O direito de informar e criticar deveria ser valorizado sobretudo hoje, quando graves fatos políticos levam o Brasil, em meio a uma gravíssima crise sanitária, a se tornar um país isolado no mundo e dirigido por um governo negacionista. O trabalho de Nassif, que tem várias décadas de profissionalismo na imprensa corporativa e independente, é um marco no direito à informação e no direito a uma interpretação idônea da vida política nacional. Garantindo informação e uma corajosa cobertura, é natural que ela desagrade uma elite poderosa. O trabalho de Nassif incomoda muito porque ele se tornou um texto fundamental para compreender os tentáculos e interesses envolvidos na ascensão da extrema direita no Brasil, inclusive de setores do Judiciário. O objetivo não é só calar o jornalista: trata-se de intimidar cada um de nós, artistas e pensadores brasileiros. Trata-se de amedrontar quem quiser apurar as responsabilidades dos frequentes golpes contra a democracia, a Constituição e o patrimônio público.

O trabalho de Nassif incomoda também porque se diferencia da cobertura corrente em três aspectos: tem inquestionável conhecimento técnico da matéria econômica (tendo sido colunista da Folha de S. Paulo por muitos anos e sendo influente nos debates da área); tem um trabalho cuidadoso de leitura de fontes, documentos jurídicos e longos processos administrativos que são complexos e inexistentes na cobertura ligeira. E, por último, Nassif articula esta base de dados a uma acurada independência e reflexão política de grande fôlego, onde entram elementos geopolíticos e de leitura atenta do noticiário internacional. Nassif não simula uma falsa neutralidade, tem suas posições, mas é crítico sempre. Lembre-se que foi um dos poucos jornalistas que não aderiu a Lava Jato, muito antes da Vaza-Jato. Suas posições, sempre definidas, não impedem de fazer críticas a todos os partidos e vertentes, da direita à esquerda.

O fato jornalístico, em sua pluralidade de angulações, sensibilidades e contextos narrativos, exige diversidade. Mais do que isso, exige reconhecimento da legitimidade das várias falas oriundas da sociedade civil, especialmente no que se refere aos milhões que não têm voz, nem vez junto à mídia corporativa, empresarial. Na verdade, a teia persecutória armada contra Nassif inscreve-se na cadeia de eventos articulada por uma extrema-direita que tenta implantar o totalitarismo entre nós, banindo os “inimigos” do acesso à institucionalidade, inclusive às garantias materiais e formais do Estado Democrático de Direito. Busca-se calar a voz de Nassif para calar os que dissentem, os que ousam opor-se aos desmandos do protofascismo nativo em sua vaga anticivilizatória. Destruir o jornalismo crítico é uma forma de por fim a uma cultura assentada na cidadania, no humanismo, na plena vigência dos valores da liberdade e da igualdade.

Em suma, o jornalismo independente de Nassif e de tantos outros dá voz ao pensamento sufocado ou invisibilizado dos excluídos, injustiçados e esquecidos. Pensando assim à luz de nossa condição de trabalhadores e trabalhadoras da cultura de várias regiões do Brasil, consideramo-nos desafiados ética e politicamente a nos posicionarmos em favor do jornalista Luís Nassif, solidários a sua luta no desempenho de seu ofício jornalístico e contra os ataques e as ações persecutórias de que é objeto.

VIGÍLIA PELA VIDA E PELA LIBERDADE

Setores da sociedade civil se juntaram em defesa da vida e da liberdade e em apoio a Luis Nassif. O caso de Nassif é um exemplo do que acontece hoje no país, com perseguições e sufocamentos para que a vida seja colocada em segundo plano e a liberdade seja só um sonho distante. Unidos, esses setores criaram um manifesto, uma vigília constante, para que tais preceitos não se percam de nós, brasileiros.

Assine o manifesto e divulgue, para que todos possamos lutar a boa luta. Clique AQUI

JORNAL GGN: FINANCIAMENTO EMERGENCIAL

E, lutando contra a perseguição jurídica e disposto a se manter atuante, o Jornal GGN lança uma campanha emergencial para fazer frente às dificuldades enfrentadas. Uma ajuda de seis meses para levantar o site, que sofreu com ataques hackers, e modernizar a estrutura, uma forma de prosseguir atuante e na luta. A campanha dura seis meses e sua contribuição é muito importante para o GGN.

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