O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender o fim da escala de trabalho 6×1 e afirmou que seu governo adotará medidas para impedir a atuação das plataformas de apostas esportivas, as chamadas bets. As declarações foram feitas durante agenda pública em Fortaleza, nesta terça-feira (29), na qual também abordou o impacto do endividamento provocado pelos jogos e questões relacionadas ao futebol.
Ao falar com trabalhadores do comércio, Lula afirmou que pretende acabar com a escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e tem apenas um dia de descanso. Segundo o presidente, a mudança permitiria que os trabalhadores tivessem dois dias de folga na semana.
Bets
O presidente também voltou a defender o fim das apostas de quota fixa no país. Segundo Lula, as plataformas têm contribuído para o endividamento de parte da população, especialmente entre pessoas que comprometem recursos destinados a despesas básicas.
“Tem muita gente endividada neste Brasil por conta de jogo”, disse. Lula citou casos de pessoas que, segundo ele, estariam utilizando dinheiro destinado à compra de alimentos, leite, material escolar e outros gastos familiares para fazer apostas.
O presidente também relacionou o endividamento decorrente dos jogos a casos de sofrimento extremo. “Tem muita gente se matando por causa das dívidas”, afirmou.
Candidato à reeleição, Lula argumentou ainda que a proibição das bets não representa uma ameaça ao futebol brasileiro. Ele citou títulos conquistados por clubes e pela seleção brasileira antes da existência das plataformas de apostas para defender que o esporte pode se manter sem esse tipo de receita.
“O futebol sempre viveu sem as bets”, afirmou. Para o presidente, as apostas atendem principalmente pessoas que desenvolveram comportamento compulsivo relacionado aos jogos.
Críticas ao financiamento dos clubes
Lula também criticou o uso de recursos provenientes das apostas para financiar clubes de futebol e salários de jogadores. Segundo ele, os torcedores já contribuem financeiramente com as equipes por meio da compra de ingressos e produtos, e não deveriam ser estimulados a apostar para gerar receitas aos clubes.
“O que eu não posso aceitar é a ideia de um time querer pagar jogador com o dinheiro do pobre”, declarou.
O presidente afirmou ainda que as bets representam cerca de 7% do orçamento dos clubes e mencionou a possibilidade de transformação das equipes em empresas como alternativa para ampliar as fontes de financiamento.
“Eu não posso aceitar que o cara já compra a camisa do time, já vai ver o jogo do time e ainda o time quer que ele jogue, perca o que tem para poder pagar R$ 200 mil, R$ 300 mil para jogador”, afirmou.
Lula encerrou o trecho sobre o tema reforçando sua posição contra as apostas. “Ou o Brasil acaba com as bets ou as bets acabam com o Brasil”, disse.
Nossa Senhora Aparecida
Durante o discurso, Lula também afirmou que vai manter Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. Ao abordar o tema religioso, declarou que respeita todas as religiões.
A afirmação ocorre em meio ao debate sobre religião e política no período que antecede as eleições de 2026, não só pela informação que atribui ao senador e presidenciável Flávio Bolsonaro a possibilidade de tirar o título de Nossa Senhora Aparecida, mas também aos ataques bolsonaristas promovidos contra católicos há cerca de 10 anos.
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