Em memória do Reitor Cancellier, por Samuel Gomes

O projeto aprovado no Senado dormitava na gaveta claudicante do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, quando Requião e Renan passaram a denominar o projeto de Lei Cancellier, como uma forma de chamar os deputados à responsabilidade.

do Paraíso Brasil

Em memória do Reitor Cancellier (às vésperas do lançamento do documentário “Levaram o Reitor”, do GGN, do Nassif)

Por Samuel Gomes

Acompanhei de perto (por dentro) a reação republicana que resultou na aprovação da Lei 13.869/2019  (Lei do Abuso de Autoridade), que resultou de projeto apresentado pelo senador Renan Calheiros e relatado pelo senador Roberto Requião.

Depois de muito debate e negociação, o projeto foi aprovado em 26 de abril de 2017, com 54 senadores votando a favor e 19 contra.

Poucos meses depois, em 2 de outubro, Luis Carlos Cancellier de Olivo, reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, onde eu fiz mestrado em Filosofia do Direito, saiu da vida para entrar na memória nacional como a vítima mais tragicamente simbólica da tenebrosa máquina de destruir vidas e reputações para o gáudio sádico dos agentes públicos e privados do Brasil e, principalmente, do estrangeiro, que compunham o amálgama maldito do lavajatismo, ardilosa articulação de evidente inspiração estadunidense para conter o desenvolvimento nacional.

O projeto aprovado no Senado dormitava na gaveta claudicante do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, quando Requião e Renan passaram a denominar o projeto de Lei Cancellier, como uma forma de chamar os deputados à responsabilidade.

Naquele contexto de arrogância lavajatista incensada pela mídia empresarial, associações das corporações dos delegados da polícia federal, procuradores da República e juízes federais tiveram a desfaçatez de tentar dar um carteiraço na sociedade para conter a crescente tomada de consciência quanto aos descaminhos da Lava Jato. Para tanto, publicaram uma exótica Nota Conjunta, na qual exigiam da sociedade indulgência plenária para os seus crimes.

*Foi com a pena da indignação que escrevi então um artigo para o Consultor Jurídico – Conjur (“A morte do Reitor é mais um caso de abuso de autoridade”). *

Neste momento da vida nacional em que o lavajatismo buscar ressurgir para empalmar a presidência da República com o juiz Moro e nos encontramos às vésperas do lançamento de um excelente documentário do jornalista Luis Nassif a respeito do martírio do Reitor Cancillier (“Levaram o Reitor”), compartilho (a pedidos) o artigo, mais atual do que nunca.

Eis o artigo: https://www.conjur.com.br/2017-out-10/samuel-gomes-morte-reitor-abuso-autoridade.

Samuel Gomes
Advogado em Brasília, Mestre em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina

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