O ex-jogador de futebol Daniel Alves foi condenado, na última semana, a uma pena de quatro anos e meio pelo estupro de uma mulher na Espanha.
Enquanto o ministério público espanhol pedia uma sentença de nove anos e a acusação esperava 12 anos de prisão, a condenação foi reduzida ao tempo mínimo graças a uma doação da família de Neymar, que pagou 150 mil euros (o equivalente a R$ 800 mil) para atenuar a pena.
Para comentar o caso e repercutir a violência contra a mulher no futebol, o programa TVGGN 20H da última segunda-feira (4) contou com a participação da jornalista Milly Lacombe, que classificou a condenação de Daniel Alves como um grande passo no futebol.
Para esta constatação, a jornalista resgata as estatísticas. Oficialmente, o Brasil registra um estupro a cada oito minutos, mas como a subnotificação é uma realidade, estima-se que uma mulher é estuprada a cada 40 segundos. Três mulheres são assassinadas por maridos ou ex-parceiros, pessoas que as vítimas pensavam que nunca fariam mal contra elas. “Então, a gente está falando de uma epidemia e o futebol não escapa disso. Tudo o que acontece na sociedade acontece também no futebol, é que antes a gente não falava disso”, observa.
A jornalista lembrou que agora o debate sobre a pena do jogador gira em torno da dosimetria da sentença. Porém, a discussão deveria ser outra. “Eu preferiria saber que ele vai ficar um ano preso e sair reformado a ficar 10 anos e sair achando que ele é uma vítima, porque ele não fez nada.”
Para a convidada, a explicação para a ocorrência de tantos estupros está na socialização de homens e mulheres. Enquanto os primeiros são educados para serem garanhões, as mulheres sofrem apelos para que sejam recatadas.
“O homem que participa de um estupro coletivo numa boate como o robinho, por exemplo, ele acha que ele foi ára uma noite de farra. Para a gente é a morte, pode morrer literalmente, mas é uma morte simbólica. A gente morre em vida. A punição é boa, mas se ela não vier com educação, a gente não vai mudar o mundo prendendo um estuprador por vez“, continua Milly.
Protocolo
Diferente do Brasil, a Espanha adotou um protocolo para lidar com vítimas e casos de violência sexual. Milly explica que, no caso Daniel Alves, a vítima foi imediatamente isolada, atendida por policiais masculinos que a acalmaram. Já a polícia feminina chegou rapidamente ao local e pôde coletar o máximo de provas irrefutáveis, que levaram à condenação do jogador. “Porque o que acontece, normalmente, é que depois de um mês a mulher decide denunciar, mas não tem tantas provas.”
Ainda que o protocolo espanhol sirva de exemplo, o combate ao machismo e, principalmente à misoginia tem muito o que avançar. “O Vini Jr. está fazendo um trabalho absolutamente memorável, louvável e corajoso na luta contra o racismo. Ele não se pronunciou sobre o Daniel Alves. Ele não emitiu uma nota, como se fosse possível separar a luta antirracista da luta antimachista. Não é. Assim como não é possível separar essas duas da luta anticapitalista”, explica Lacombe.
Assista ao programa na íntegra:
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Tadeu Silva
5 de março de 2024 1:18 pmTudo péssimo na nossa conjuntura relacional, mas o efeito Família Neymar, explico, pai e filho, deveria gerar uma interdição severa aos responsáveis. As mulheres do futebol bem que poderiam puxar essa discussão, senão… PS. Todo mundo seria o máximo, mas é quimera ainda.