5 de junho de 2026

“Uma civilização inteira morrerá esta noite”: o dia decisivo da guerra no Oriente Médio

Do lado iraniano, a resposta ao ultimato foi um pedido para que a população protegesse as usinas por meio de correntes humanas
Foto de Gage Skidmore

Irã convoca população para proteger usinas após ataques israelenses e ultimato dos EUA no Oriente Médio.
Israel realizou múltiplos bombardeios em infraestruturas iranianas, incluindo pontes e complexos petroquímicos.
Negociações de cessar-fogo fracassam; Irã rejeita trégua e ameaça fechar rotas marítimas estratégicas.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A guerra no Oriente Médio entrou em seu momento mais crítico nesta terça-feira (7). Com o prazo dado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encerrando às 21h (horário de Brasília), o Irã respondeu às ameaças não com recuo, mas com resistência: convocou sua população a formar correntes humanas ao redor de usinas de energia, enquanto ataques continuavam a sacudir o país e os preços do petróleo oscilavam nos mercados internacionais.

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Os preços do petróleo alternaram altas e baixas ao longo da manhã, após a Organização das Nações Unidas (ONU) rejeitar uma resolução que autorizaria o uso de “todos os meios defensivos necessários” para garantir a navegação comercial no Estreito de Ormuz. Perto das 13h40, o barril registrava queda de 0,24%, cotado a US$ 109,51.

O estreito é uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta, uma vez que por ali passa 20% de todo o petróleo e gás natural consumidos no mundo. O Irã praticamente o fechou desde que EUA e Israel bombardearam seu território em 28 de fevereiro, desencadeando pressões nos preços globais de combustíveis.

Ataques

Antes do ultimato se encerrar, a escalada militar já estava em curso. Na segunda-feira (6), Israel voltou a atacar o complexo petroquímico de South Pars, o maior campo de produção de gás do mundo, pela segunda vez desde o início da guerra.

Na primeira ofensiva, em meados de março, os EUA haviam condenado o ataque e prometido ao Irã que não se repetiria. O tom americano, desde então, mudou radicalmente.

Nesta terça, os ataques se multiplicaram. Israel anunciou ter realizado “amplos ataques” em território iraniano, atingindo pontes, ferrovias, aeroportos e edifícios. Uma ponte na cidade de Qom, a cerca de 150 quilômetros de Teerã, foi destruída.

Uma petroquímica em Shiraz também foi alvo. O Exército israelense emitiu um alerta para que iranianos evitassem viajar de trem nas próximas horas, sinal claro de novos bombardeios à rede ferroviária. Várias explosões atingiram Teerã, com ao menos 9 mortes confirmadas pela mídia local.

A estratégica Ilha de Kharg, onde são armazenados cerca de 90% do petróleo exportado pelo Irã, também foi bombardeada novamente, segundo o vice-presidente americano J.D. Vance. Assim como em março, quando Trump anunciou o primeiro ataque ao local, a infraestrutura petrolífera foi poupada, apenas instalações militares foram alvo declarado.

A imprensa iraniana aponta que os ataques desta terça foram realizados em conjunto pelos EUA e Israel. Nenhum dos dois governos se pronunciou oficialmente sobre essa versão.

Correntes humanas

Do lado iraniano, a resposta ao ultimato tomou uma forma simbólica e histórica. Em pronunciamento na TV estatal, Alireza Rahimi, secretário do Conselho Supremo da Juventude e dos Adolescentes, convocou “todos os jovens, atletas, artistas, estudantes, universitários e seus professores” a proteger fisicamente as usinas de energia do país.

“As usinas de energia são nossos ativos e capital nacional”, justificou.

A resposta foi imediata. Centenas de iranianos foram até a usina termoelétrica de Kazeroon, na província de Fars, no sudoeste do país, onde formaram uma corrente humana ao redor da instalação, segurando bandeiras e cartazes em apoio ao governo. Imagens divulgadas pela agência de notícias Fars mostraram a mobilização por volta das 11h locais.

Não é a primeira vez que o país recorre a essa estratégia. Em momentos anteriores de tensão elevada com o Ocidente, iranianos já haviam formado correntes humanas ao redor de instalações nucleares.

“Uma civilização inteira morrerá esta noite

Enquanto isso, Trump intensificou a pressão retórica. Em uma publicação no Truth Social nesta terça, o presidente afirmou que “uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá.”

Ao mesmo tempo, deixou aberta uma brecha: disse que, com uma “mudança de regime completa e total”, algo “revolucionário e maravilhoso” poderia acontecer, e encerrou com uma mensagem ao povo iraniano: “47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã.”

Este não foi o primeiro ultimato do presidente americano. Em 21 de março, Trump ameaçou “obliterar” usinas se o estreito não fosse reaberto em 48 horas. Nos dias seguintes, estendeu os prazos duas vezes, alegando avanços nas negociações.

No domingo (5), voltou a fixar um prazo, desta vez, até as 21h desta terça, e ameaçou atacar pontes e usinas de energia iranianas, alvos que especialistas em direito internacional classificam como protegidos pelo direito humanitário.

Irã

O regime iraniano não deu sinais de recuo. Em entrevista à agência Reuters, uma autoridade iraniana de alto escalão afirmou que o país não reabrirá o Estreito de Ormuz em troca de “promessas vazias” e ameaçou fechar também o estreito de Bab el-Mandeb, a única alternativa marítima ao Ormuz, conectando o Oceano Índico ao Mar Vermelho, “se a situação sair do controle”. A mesma autoridade disse que o Irã poderia deixar “todo o Oriente Médio no escuro” caso os EUA ataquem suas usinas de energia.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reforçou o tom em publicação no X. “Mais de 14 milhões de iranianos valentes já declararam estar prontos para sacrificar suas vidas em defesa do Irã. Eu também tenho sido, sou e continuarei sendo alguém disposto a dar a vida pelo Irã.” O número representa iranianos que responderam a campanhas da mídia estatal e mensagens de texto convocando voluntários, em um país com mais de 90 milhões de habitantes.

Negociações travadas

As conversas por um cessar-fogo permanecem sem avanço. Na segunda-feira (6), tanto o Irã quanto os EUA rejeitaram um plano mediado pelo Paquistão, que previa uma pausa imediata nos ataques, a reabertura do Estreito de Ormuz e um prazo de 15 a 20 dias para negociar um acordo mais amplo.

O Irã apresentou uma contraproposta, alegando preferir negociar o fim definitivo do conflito a uma trégua temporária, que, segundo Teerã, apenas daria tempo aos rivais para se rearmarem. Trump chegou a elogiar a iniciativa iraniana, mas a considerou insuficiente.

O impasse mantém vivos os temores de uma escalada ainda maior: ataques a usinas iranianas poderiam cortar energia para milhões de pessoas; ofensivas a instalações nucleares levantam o risco de acidentes radiológicos com impacto além das fronteiras do Irã; e retaliações iranianas contra refinarias e usinas de dessalinização nos países do Golfo poderiam comprometer o abastecimento de água e combustível em toda a região.

*Com informações do g1.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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1 Comentário
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    7 de abril de 2026 2:49 pm

    Donald Trump certamente não notou a ironia do que ele disse. Quando a escória norte-americana desaparecer da face da Terra por causa dos cogumelos atômicos ninguém poderá dizer que uma civilização foi destruída. Os gringos são bárbaros ladrões, sanguinários e desumanos, que assassinam meninas nos seus bancos escolares. Eles merecem ser tratados como bárbaros.

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