Autoridades de sete países, entre eles França, Alemanha e Itália, condenaram a abertura de licitação para a construção de mais de 1.200 unidades habitacionais no chamado projeto E1, na Cisjordânia ocupada, e exigiram que Israel interrompa imediatamente a expansão de assentamentos no território palestino.
O posicionamento também foi assinado por Reino Unido, Noruega e Canadá. Em declaração conjunta, os governos afirmaram que a decisão ocorre em um momento de “grave instabilidade” na Cisjordânia, marcado por níveis sem precedentes de violência de colonos israelenses contra civis palestinos e por fortes restrições à economia palestina.
Segundo a Euronews, a preocupação internacional está relacionada sobretudo à localização estratégica da área. A implementação do projeto ampliaria a separação entre Jerusalém Oriental e o restante da Cisjordânia, dificultando a continuidade territorial necessária à criação de um Estado palestino.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, afirmou que o projeto representa uma “ameaça existencial” à possibilidade de formação de um Estado palestino territorialmente contíguo.
O projeto E1 prevê a construção de aproximadamente 3.400 moradias em uma área de cerca de 12 quilômetros quadrados localizada a leste de Jerusalém e entre a cidade e o assentamento israelense de Ma’ale Adumim.
A área de E1 foi aprovada pelo governo israelense em agosto do ano passado. Agora, o Ministério da Habitação de Israel abriu licitação para mais de 1.200 unidades, segundo a organização israelense Peace Now, que monitora a expansão dos assentamentos.
A licitação foi publicada em 18 de agosto e permanecerá aberta para propostas até 19 de outubro, apenas uma semana antes das eleições israelenses marcadas para 27 de outubro. A Peace Now afirma que as unidades correspondem a aproximadamente um terço do projeto total e acusa o governo de tentar consolidar compromissos de construção antes da votação.
O projeto E1 já havia sido condenado no ano passado por 21 países, incluindo Reino Unido e França, que consideraram a expansão dos assentamentos uma violação do direito internacional e pediram que Israel revertesse a decisão.
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