O Partido Liberal Democrata (PLD), da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, conquistou ao menos dois terços das cadeiras da Câmara dos Representantes nas eleições antecipadas realizadas neste domingo (8), segundo projeções da emissora pública japonesa NHK. O resultado assegura ao governo uma maioria confortável para avançar com sua agenda no Parlamento.
De acordo com os dados preliminares, o PLD obteve sozinho 271 das 465 cadeiras em disputa, ultrapassando a maioria absoluta de 261 assentos. Com o apoio do partido aliado Nippon Ishin no Kai (Partido da Inovação do Japão), a coalizão governista deve alcançar entre 302 e 366 cadeiras.
A apuração começou logo após o fechamento das urnas, às 20h no horário local, e em menos de duas horas o partido da premiê já havia superado a marca de 233 deputados. A vitória confirmou as projeções de boca de urna divulgadas pela NHK imediatamente após o fim da votação, que indicavam ampla vantagem para a legenda governista.
Segundo a emissora, o PLD deve terminar o pleito com algo entre 274 e 328 cadeiras, número considerado estratégico para garantir estabilidade política e viabilizar a aprovação de propostas prioritárias do Executivo. Até a última atualização, o resultado final ainda não havia sido oficialmente consolidado.
Eleições antecipadas
Takaichi dissolveu o Parlamento em 19 de janeiro e convocou eleições antecipadas oito dias depois, apostando em sua alta popularidade para fortalecer a base governista. A campanha foi a mais curta do pós-guerra japonês, com apenas 16 dias entre a dissolução do Legislativo e o dia da votação.
Primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra no Japão, Takaichi, de 64 anos, assumiu o governo em outubro e se tornou a quinta chefe de governo do país em cinco anos. Apesar de posições conservadoras, ela ganhou forte adesão nas redes sociais, especialmente entre jovens, impulsionando o fenômeno apelidado de sanakatsu, uma espécie de “mania por Sanae”.
Apoio dos Estados Unidos
A campanha de Takaichi ganhou ainda mais força após o apoio público do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em publicação nas redes sociais, Trump classificou a premiê como uma líder “forte, poderosa e sábia” e declarou “apoio total e absoluto” à sua reeleição. Ele também afirmou esperar recebê-la na Casa Branca em março para tratar de comércio e cooperação em segurança.
Neste domingo, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, elogiou a vitória da coalizão governista japonesa e destacou a relação próxima entre Takaichi e o governo americano. “Ela é uma grande aliada, tem uma ótima relação com o presidente. E quando o Japão está forte, os Estados Unidos estão fortes na Ásia”, afirmou em entrevista à Fox News.
O dia de votação foi marcado por nevascas recordes em diversas regiões do país, o que dificultou o deslocamento de eleitores e levou ao fechamento antecipado de algumas seções eleitorais. Esta foi apenas a terceira eleição realizada em fevereiro no Japão desde o fim da Segunda Guerra Mundial, já que o período costuma ser evitado por causa do clima rigoroso.
Mesmo com temperaturas abaixo de zero, eleitores compareceram às urnas. Na cidade de Uonuma, na província de Niigata, o professor Kazushige Cho, de 54 anos, afirmou que votou no PLD por acreditar que Takaichi “traz um senso de direção e união para o país”.
Economia e desafios
Durante a campanha, a premiê prometeu suspender o imposto sobre vendas de 8% aplicado a alimentos, como forma de aliviar o impacto da inflação sobre as famílias. A proposta, no entanto, gerou preocupação entre investidores e analistas, diante do alto nível de endividamento do Japão.
“Os planos dela para o corte do imposto sobre o consumo deixam grandes pontos de interrogação sobre o financiamento e sobre como ela pretende fazer a conta fechar”, avaliou Chris Scicluna, chefe de pesquisa da Daiwa Capital Markets Europe.
O fortalecimento do mandato de Takaichi também pode intensificar tensões com a China. Suas posições nacionalistas e a ênfase no reforço da defesa japonesa já provocaram atritos diplomáticos, especialmente após declarações sobre uma possível resposta do Japão a um ataque chinês a Taiwan.
Para Pequim, o aumento dos investimentos em defesa representa uma tentativa de reavivar o passado militarista do país. Ainda assim, apoiadores da premiê veem a postura como necessária. “Votei em um partido que claramente tem vontade de proteger o país”, disse Masanobu Igarashi”, disse Masanobu Igarashi, soldado aposentado, após votar no PLD.
*Com informações do g1.
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