O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, endureceu o discurso nesta quinta-feira (26) ao abordar o estágio das negociações para um cessar-fogo com o Irã. Em publicações em sua rede social, o Truth Social, o republicano afirmou que o regime de Teerã está “implorando” por um acerto, embora publicamente as autoridades iranianas neguem a existência de um diálogo direto e mantenham a rejeição aos termos apresentados por Washington.
“Os negociadores iranianos são muito diferentes e ‘estranhos’. Eles estão ‘implorando’ para que façamos um acordo, o que deveriam fazer, já que foram militarmente obliterados, sem nenhuma chance de recuperação“, escreveu o presidente.
Trump alertou que o país persa deve aceitar a proposta americana rapidamente: “É melhor levarem isso a sério rapidamente, antes que seja tarde demais, porque, quando isso acontecer, NÃO HAVERÁ VOLTA, e não será nada bonito!“.
Divergências diplomáticas e pressão militar
O impasse ocorre após os EUA enviarem, via Paquistão, uma proposta de 15 pontos que inclui o alívio de sanções em troca da reversão do programa nuclear e garantias de navegação no Estreito de Ormuz. O Irã, por meio da emissora estatal Press TV, respondeu com cinco condições próprias, exigindo indenizações de guerra e a interrupção de ataques a grupos aliados na região, como o Hezbollah.
Enquanto a diplomacia patina, o Pentágono confirmou o envio de tropas da 82ª Divisão Aerotransportada para o Oriente Médio. A unidade é conhecida por sua capacidade de mobilização rápida e poderia ser utilizada para capturar pontos estratégicos, como a Ilha de Kharg, responsável por 90% das exportações de petróleo iranianas.
“O câncer era o Irã com uma arma nuclear. Nós o extirpamos agora“, afirmou Trump em evento recente, classificando o conflito como uma “operação militar” para evitar trâmites legislativos sobre guerra.
Críticas à Otan e isolamento aliado
A retórica de Trump também se voltou contra os aliados tradicionais. Em mensagens grafadas em letras maiúsculas, o presidente afirmou que a Otan “não fez absolutamente nada para ajudar” contra o Irã.
A aliança europeia tem demonstrado cautela, buscando evitar que seus Estados-membros sejam arrastados para um confronto direto, embora discuta tecnicamente uma coalizão para reabrir rotas comerciais marítimas.
“Os Estados Unidos não precisam de nada da Otan, mas ‘nunca se esqueçam’ deste momento muito importante!“, disparou o americano.
Do lado iraniano, o tom permanece de desafio. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, reconheceu o recebimento de mensagens de Washington por “países amigos“, mas negou que isso signifique uma negociação em curso.
“Alguém como nós jamais fará um acordo com alguém como vocês“, reforçou Ebrahim Zolfaghari, porta-voz militar de Teerã.
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