Tropas do Exército dos Estados Unidos e forças de segurança do Equador realizam operações militares conjuntas sigilosas no norte do país sul-americano, próximo à fronteira com a Colômbia. A ofensiva, voltada ao combate a grupos criminosos e ao narcotráfico, ocorre no âmbito do programa “Escudo das Américas”, coalizão antidrogas que reúne cerca de 20 países da América Latina e do Caribe sob a liderança do governo de Donald Trump.
A presença militar em solo equatoriano abrange locais estratégicos como a província costeira de Esmeraldas, região historicamente afetada por altas taxas de assassinatos, sequestros e extorsões exercidos por redes de tráfico de drogas que usam os portos do Pacífico para exportar substâncias para os EUA e para a Europa.
“Estamos no sétimo grupo do Exército dos Estados Unidos (…) estamos trabalhando em conjunto na luta contra o narcoterrorismo“, afirmou o governador da província de Esmeraldas, Juan Jaramillo, sem detalhar o contingente exato de militares americanos enviados ou a data do início das mobilizações.
Reforço aeronaval no Pacífico
A coordenação militar na região ganhou força com o anúncio da chegada de equipamentos de grande porte fornecidos por Washington. O ministro da Defesa do Equador, Gian Carlo Loffredo, confirmou o desembarque de dois navios de guerra americanos, lanchas interceptadoras e helicópteros do modelo Black Hawk para patrulhamento em pontos estratégicos e cidades litorâneas, como Manta, além das rotas marítimas em direção às Ilhas Galápagos.
“Essa aliança agora se traduz em capacidades que chegam ao mar para enfrentar o narcotráfico. Isso significa que vamos triplicar nossa capacidade de interdição na zona marítima“, disse o ministro. “Além disso, contamos com três helicópteros Black Hawk que já estão em Manta e realizarão operações. A cooperação entre Equador e Estados Unidos se traduz em ações concretas contra o narcoterrorismo e o crime organizado transnacional“, acrescentou.
Para respaldar a atuação estrangeira, o governo do presidente de direita Daniel Noboa publicou um decreto que permite a permanência de militares americanos no território nacional por até 180 dias sem a exigência de visto, concedendo-lhes também imunidade migratória. A medida ocorre após a população equatoriana ter rejeitado, em referendo realizado em 2025, a instalação de bases militares permanentes dos EUA no país.
Sanções financeiras e cerco às redes locais
A ofensiva militar é acompanhada por ações no setor financeiro e de inteligência. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou sanções contra 15 indivíduos acusados de integrar uma rede logística responsável pelo envio mensal de toneladas de cocaína a partir da costa equatoriana em direção ao mercado americano.
Segundo dados das autoridades americanas, a organização criminosa utilizava empresas de pesca como fachada em Manta. A droga transportada abastecia facções como Los Choneros e Los Lobos, classificadas por Washington como organizações terroristas, e contava com conexões com os cartéis mexicanos de Sinaloa e Jalisco Nova Geração (CJNG). Paralelamente, Washington anunciou o bloqueio e a apreensão de dez embarcações pesqueiras equatorianas vinculadas às rotas do tráfico.
Escalada regional e denúncias de violações
A aproximação entre Quito e Washington faz parte de uma política externa mais rígida do presidente Donald Trump para a América Latina. O plano inclui a autorização de bombardeios marítimos e operações terrestres integradas, estratégia recentemente estendida a acordos com governos da Colômbia, Guatemala e Honduras.
A campanha militar, no entanto, acumula críticas de organizações de direitos humanos. Desde o ano passado, bombardeios americanos contra supostas embarcações do narcotráfico no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico resultaram em mais de 200 mortes. A organização Human Rights Watch e veículos da imprensa internacional apontam que ataques executados na costa equatoriana atingiram barcos de pesca artesanal, deixando ao menos oito pescadores desaparecidos.
Apesar da intensificação das medidas de segurança impostas desde o início da gestão de Daniel Noboa, a violência no Equador permanece elevada, tendo atingido a marca histórica de 52 homicídios por 100 mil habitantes no último ano.
Deixe um comentário