O advogado criminalista José Luis Oliveira Lima deixou a defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A decisão, classificada pelo defensor como resultado de um “de comum acordo”, foi confirmada após a Polícia Federal (PF) rejeitar a proposta de delação premiada apresentada pelo empresário.
Oliveira Lima, conhecido nos bastidores jurídicos como Juca, havia assumido o caso em março com o objetivo de estruturar o acordo de colaboração. A saída do advogado expõe o esgotamento das negociações com a PF, que considerou os relatos iniciais do ex-banqueiro “seletivos” e omissos em relação a nomes centrais do esquema investigado.
Pressão e nova estratégia financeira
De acordo com informações da Globo News, interlocutores relatam que Daniel Vorcaro enfrenta forte desgaste psicológico e já não suportaria a rotina da prisão. Diante da recusa da Polícia Federal em chancelar o acordo, o empresário mudou a estratégia e sinalizou à Procuradoria-Geral da República (PGR) a intenção de elevar o valor proposto para ressarcimento de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões.
Apesar do aceno financeiro, a PGR informou aos representantes do ex-banqueiro que, para avançar nas negociações, não bastará aumentar a cifra: o roteiro dos depoimentos terá de ser inteiramente refeito para incluir fatos inéditos.
Além disso, embora a PGR mantenha os canais de diálogo abertos, a costura de um acordo enfrenta outras barreiras. Isso porque uma delação chancelada pela gestão do procurador-geral Paulo Gonet, sem o aval da PF, corre o risco de ser interpretada como um recuo institucional. Além disso, interlocutores apontam que o acordo dificilmente superaria o crivo do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Endurecimento do regime e pedido de transferência
O clima entre o investigado e as autoridades policiais deteriorou-se no início da semana. Na segunda-feira (18), a PF determinou a transferência de Vorcaro de uma “sala de Estado-maior” para uma cela comum na Superintendência da corporação em Brasília. A medida foi interpretada como uma reação direta à postura considerada pouco colaborativa do preso.
Em resposta às novas condições de detenção, a defesa protocolou um pedido de transferência para o 19º Batalhão da Polícia Militar no Distrito Federal, ala localizada no Complexo Penitenciário da Papuda e conhecida como “Papudinha”. Os advogados justificaram o pedido alegando que as instalações da Superintendência da PF não apresentam condições adequadas para a manutenção da custódia.
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