6 de junho de 2026

Bolsonaro pode ser preso hoje: entenda a nova decisão de Moraes

Ministro do STF dá 24 horas para defesa de Bolsonaro explicar violação de medidas cautelares; silêncio pode levar à prisão imediata
Lula Marques - Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu um prazo de 24 horas para que a defesa de Jair Bolsonaro (PL) se manifeste sobre o suposto descumprimento de medidas cautelares impostas ao ex-presidente.

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A nova ordem foi proferida na noite desta segunda-feira (21) e acende o alerta máximo no entorno bolsonarista: caso não haja resposta no tempo estipulado, Moraes poderá decretar a prisão imediata do ex-mandatário, com base no artigo 312, §1º, do Código de Processo Penal. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já foi notificada sobre o despacho.

A decisão vem no contexto de uma investigação sensível que aponta Jair Bolsonaro como peça central em uma suposta tentativa de golpe de Estado — e inclui também articulações internacionais conduzidas por seu filho, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), nos Estados Unidos, contra instituições e autoridades brasileiras.

Medidas cautelares que Bolsonaro deve seguir

Como parte das medidas cautelares, Bolsonaro está proibido de:

  • Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica;
  • Recolhimento domiciliar noturno entre 19h e 6h em dias úteis e integral nos fins de semana e feriados;
  • Proibição de aproximação ou acesso a embaixadas e consulados;
  • Proibição de contato com embaixadores ou autoridades estrangeiras;
  • Proibição de comunicação com Eduardo Bolsonaro e outros investigados;
  • Proibição total de uso de redes sociais, inclusive por meio de terceiros — o que inclui entrevistas, transmissões e veiculações em plataformas alheias.

Moraes esclarece proibição: até terceiros estão impedidos

Nesta segunda-feira, Moraes emitiu um esclarecimento decisivo sobre o alcance da proibição do uso de redes sociais por Bolsonaro. Segundo o ministro:

A medida cautelar de proibição de utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros, imposta a Jair Messias Bolsonaro inclui, obviamente, as transmissões, retransmissões ou veiculação de áudios, vídeos ou transcrições de entrevistas em qualquer das plataformas das redes sociais de terceiro.”

Ou seja, ainda que a fala do ex-presidente seja publicada por aliados ou por canais de imprensa nas redes, isso já configura descumprimento da ordem judicial.

Fala pública reacende tensão

Apesar disso, Bolsonaro falou com apoiadores e a imprensa na saída de uma reunião com deputados do Partido Liberal (PL) na Câmara. Ele mostrou a tornozeleira eletrônica na perna esquerda e afirmou:

Não roubei cofres públicos, não matei ninguém, não trafiquei ninguém. Isso é o símbolo da máxima humilhação do nosso país. Uma pessoa inocente. (…) O que estão fazendo com um ex-presidente da República. Nós vamos enfrentar tudo e a todos. O que vale para mim é a lei de Deus.

A declaração circulou amplamente nas redes sociais, postada por perfis de apoiadores, veículos de comunicação e por Eduardo Bolsonaro, o que levou Moraes a considerar que houve violação das medidas cautelares.

Reunião na Câmara

O encontro com Bolsonaro na Câmara foi convocado por Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e contou com mais de 50 deputados, dois senadores e parlamentares de siglas como Republicanos, PP, PSD, União Brasil e Novo. Durante a reunião, foram anunciadas três comissões para reagir institucionalmente:

  1. Comunicação estratégica da oposição, sob liderança de Gustavo Gayer (PL-GO);
  2. Mobilização no Congresso, conduzida por Cabo Gilberto (PL-PB);
  3. Defesa externa de Bolsonaro, organizada por Rodolfo Nogueira (PL-MS) e Zé Trovão (PL-SC).

Cenário incerto: prisão pode ocorrer a qualquer momento

O desfecho está nas mãos da defesa de Bolsonaro. Caso os advogados não convençam o STF de que não houve descumprimento, ou sequer apresentem manifestação no prazo, o ex-presidente poderá ser preso ainda hoje. A decisão de Moraes eleva a pressão política e jurídica sobre Bolsonaro.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

3 Comentários
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  1. ed.

    22 de julho de 2025 10:14 am

    A única contribuição ao país desta família é causar confusão, sempre de de olho apenas nos próprios umbigos.
    O pior é a existência de seu fanático e idólatra eleitorado, fora o oportunismo de outros segmentos de nossa sociedade, o que desnuda o carácter desajustado de uma parte significativa dela.

  2. emerson57

    22 de julho de 2025 10:27 am

    Deixei de ler essa “bagaça” por causa do “ENTENDA” no título.

  3. Fábio de Oliveira Ribeiro

    23 de julho de 2025 10:01 am

    A petição que os advogados de Jair Bolsonaro protocolaram no STF é astuciosa e tecnicamente bem elaborada. Alegando conduta atípica e a prolação de uma decisão omissa, a defesa não cedeu ao Tribunal espaço para decretar a prisão do réu. Mas existe um aspecto importante: aquilo que não foi dito.
    Não deve ser fácil defender um réu sempre disposto a bravatas públicas, cuja existência política depende da vitimização e acostumado a mobilizar e radicalizar seus súditos utilizando a imprensa e as redes sociais/antissociais. Isso para não mencionar o desespero causado pela consciência de culpa.
    Os advogados de Bolsonaro não conseguem tranquilizá-lo. Isso se tornou impossível. Eles sabem que em algum momento ele será condenado e preso, algo que não melhora a situação deles. Talvez eles digam que o STF tem sido injusto, blá-blá-blá. Isso, aliás, é de se esperar.
    Acuado, Bolsonaro está se tornando mais perigoso para si mesmo e para as pessoas mais próximas dele. Isso para não mencionar aqui os prejuízos que ele impõe aos empresários nacionais e norte-americanos ao recrutar Donald Trump para sua causa. Talvez esse seja um bom argumento para retirá-lo de cena.
    A prisão cautelar nesse caso não seria apenas para punir o réu que afronta a Corte e ameaça os ministros dela. Ela seria um corolário da necessária preservação da segurança do réu contra suas próprias inclinações destrutivas.

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