Em nova fase da Lava Jato, PF faz buscas nas casas de André Esteves e Graça Foster

Força-tarefa quer identificar possíveis beneficiários do dinheiro da planilha da Odebrecht chamada "Programa Especial Italiano", com base na delação de Palocci

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Jornal GGN – O ex-presidente do BTG Pactual, André Esteves, e a ex-presidente da Petrobras, Graça Foster, sofreram mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal na manhã desta sexta-feira (23). A força-tarefa da Lava Jato, em Curitiba, diz se basear em informações da delação de Antônio Palocci.

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A ação faz parte da 64ª fase da operação Lava Jato, envolvendo investigações sobre supostas propinas pagas pela empreiteira Odebrecht. Segundo informações da Folha de S.Paulo, as buscas estão relacionadas a diferentes inquéritos policiais.

Além das residências de Foster e Esteves, a PF cumpre outros 10 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. O Ministério Público Federal e PF querem identificar outros possíveis beneficiários do dinheiro de uma planilha da Odebrecht chamada de “Programa Especial Italiano”. “Italiano”, é como Palocci foi apelidado pela empreiteira.

Na quarta-feira (21), o cunhado de Marcelo Odebrecht e ex-diretor jurídico da empreiteira, Mauricio Ferro, foi preso. A PF diz ter encontrado na casa dele quatro chaves de criptografia que podem levar ao acesso de novas informações ligadas ao pagamento de propinas da empresa.

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Em nota, o MPF diz que as buscas “objetivam obter evidências sobre possíveis ilícitos na venda de repasses de propinas em espécie” e explica que uma das linhas investigativas diz respeito a possíveis ilícitos envolvendo a venda pela Petrobras ao BTG de ativos na África.

“A partir de análise de documentos apreendidos em fase anterior da Operação Lava Jato, identificaram-se indícios de que os ativos foram comercializados em valor substancialmente inferior àquele que havia sido avaliado por instituições financeiras de renome no início do processo de venda”, diz o MPF.

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Segundo os procuradores, os ativos eram avaliados entre 5,6 e 8,4 bilhões de dólares. Mas, ao final do processo de venda para o BTG, o preço pago por 50% dos ativos foi 1,5 bilhão em 2013, “valor esse em flagrante desproporção com aquele inicialmente avaliado”, acusam.

O MPF alega ainda como indícios de irregularidades no processo “a possível restrição de concorrência”, em favor do BTG, e o acesso do banco ligado à Andre Esteves a informações sigilosas. A força-tarefa também afirma que a venda dos ativos da Petrobras na África foi aprovado pela “Diretoria Executiva em um dia e do Conselho de Administração no dia seguinte, sem que tenha havido tempo suficiente para discussão ampla de operação de valor tão elevado”.

A outra frente da fase deflagrada nesta sexta-feira (23) está ligada ao relato feito pelo ex-ministro Antonio Palocci de que Esteves teria acertado com Guido Mantega o repasse de R$ 15 milhões no final da campanha de 2010, para garantir privilégios ao banco no projeto das sondas do pré-sal da Petrobras.

“Segundo informado por Antonio Palocci, parte desse valor teria sido entregue em espécie a Branislav Kontic na sede do Banco”.

Por fim, a Lava Jato diz que as buscas e apreensões de hoje tem como objetivo apurar informações encontradas em e-mails de Marcelo Odebrecht e prestadas por Antonio Palocci de que a ex-presidente da Petrobras, Graças Foster, “teria conhecimento do esquema de corrupção existente à época na estatal”, mas acabou não adotando medidas contra o suposto esquema.

Curitiba não aceitou delação de Palocci

Nesta quinta-feira, novas revelações do Intercept em parceria com o El País mostraram que, em 2016, a força-tarefa da Lava Jato rejeitou o pedido de acordo e delação de Palocci porque trazia informações sobre grandes bancos e o grupo liderado pelo procurador Deltan Dallagnol não queria correr o risco de “quebrar o sistema financeiro”.

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O ex-ministro procurou então a Polícia Federal que aceitou fechar o acordo de delação premiada, homologada pelo Supremo Tribunal Federal. No despacho dos 23 depoimentos feitos por Palocci, entretanto, não há citação de grandes banqueiros.

Já nos chats do Telegram entre a força-tarefa, os procuradores contam que o ex-ministro apresentou uma “narrativa complexa sobre sua relação com poderosos, como Joseph Safra (Banco Safra), Pedro Moreira Salles (na época, do Unibanco), Lázaro Brandão e Luiz Carlos Trabuco (Bradesco), dentre outros.”

Leia também: O que Palocci disse sobre os grandes bancos (e a Lava Jato em Curitiba ignorou)

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6 comentários

  1. Graça Foster e Dilma Rousseff foram as reais responsaveis pelo afastamento dentro da Petrobras de alguns dos diretores na época suspeitos de corrupção e pelo que veio a seguir. Acusar Foster de não ter feito nada é uma forma para atingir a ex-presidenta Dilma e a ja aquebrantanda imagem do PT.

    • Alias, a condenação de Fernando Haddad veio bem a calhar no momento das revelações do Intercepet. Ja havia dito que Sergio Moro esta passando batido e ainda saira candidato à presidëncia e Haddad sera mais um quadro petista ficha suja.

  2. é tudo muito estranho! Palocci permanece sendo a galinha dos ovos de ouro; ou aquele que deve estar à serviço sujo da LJ sempre que os operadores dele carecerem. Serviu deveras nas vésperas das eleições. Só a presença dele foi suficiente pra aumentar o ódio dos anti-petistas.
    O discurso de Haddad no evento de segunda-feira na Universidade do Largo de São Francisco não prestou. No outro dia estava sendo indiciado por um negócio antigo, aparentemente solucionado. Na esteira veio Mantega. Agora tem mais essa: Graça Fóster.
    Posso estar enganada, mas, ao que tudo indica, isso chega na hora em que o Marreco de Curitiba encontra-se em polvorosa, bem como seu subordinado Dallagnol, por vazamentos do The Intercept.
    O golpe não dá trégua. Segue seu ritmo contra o PT, com foco em Lula, se ele é quem lidera o Partido, e com o fito de mantê-lo preso a qualquer custo, nem que seja por delações de um bandido.

  3. O André Esteves entrou na dança só para parecer que há isenção e imparcialidade da operação. Já está com o filme queimado mesmo.
    O alvo mesmo é a Graça Foster.
    Crime: ter participado de um governo do PT.
    Esta PF está cada dia mais para Gestapo.
    Uniformes negros já tem, como podemos ver nas fotos.

  4. JÁ foderam quem queriam, Lula! Agora o Intercept está fodendo quem fodeu Lula! Então os fascistas vão agora analisar, escolher e identificar primeiramente nas delações que implicam pequenos banqueiros e depois somente como último recurso os grandes banqueiros, com o propósito de desbancar o Intercept Brasil, fodendo Lula, o PT e até os netos de quem for socialista, os intelectuais, artistas, políticos, jornalistas,juristas e quem quer que seja que se atreva contra o “ fascismo evangelico militar”. Os fascistas vão longe com sua ignomínia e vai dar coisa muito ruim para os homens que desejam e agem por liberdade e igualdade.

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  5. Posso estar enganado, mas acho que a Lava Jato mexeu em vespeiro: Graça Foster.
    Primeiro porque não vão encontrar nada, pois a integridade dela é notória.
    Segundo – e aí vem o vespeiro propriamente dito – por causa do marido dela. Ele é personagem importantíssimo da maçonaria brasileira e mundial.
    Pior, se para tentar conspurcar a imagem de Foster utilizarem a tática usual de inventar coisas, aí é que a reação da referida irmandade será ainda maior.

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