Janot, o Gattopardo do Ministério Público Federal

Giuseppe Tomasi di Lampedusa foi um escritor italiano cuja principal obra foi o romance Il Gattopardo, no qual, para enfrentar as transformações da Renascença, mudava-se para tudo continuar na mesma. É o sentido da proposta de lei contra abusos apresentado por Giuseppe Janot di Lampedusa, Il Gattopardo.

Janot foi convidado reiteradas vezes para participar das discussões do projeto de lei do senador Roberto Requião. Recusou. Apresentou sua proposta, que identifica a mesma gama de abusos incluída na proposta Requião. Mas com uma diferença. Os abusos podem ser tolerados se justificados. E as justificativas dos juízes não podem ser questionadas, pois fazem parte da autonomia do cargo, necessária para garantir a independência do julgamento.

Mais ou menos assim.

1. Fulano é primo do cunhado da tia do suspeito.

2. Como tal há suspeitas de que na qualidade de primo da cunhada da tia do suspeito, ele possa ter servido de laranja para uma operação investigada.

3. Para evitar desvio de indícios de provas, que não sabemos quais são, nem onde estão, autorizo a invasão de sua casa e sua condução coercitiva, algemado, na frente dos filhos.

Ou, exagerando:

1. Fulano é apreciador dos sambas de Assis Valente.

2. O réu abriu uma conta-fantasma de nome “Camisa Amarela”.

3. Logo, há indícios de ligação entre o admirador de Assis Valente e a conta-fantasma.

Pronto: justificou!

Qualquer abuso é justificável, mesmo pela fundamentação mais furada, porque não cabe a discussão dos argumentos que o juiz empregou para justificar as arbitrariedades cometidas. E, como se sabe, à noite todos os gatos são pardos.

Leia também:  Sem ver parcialidade de Moro, PGR se diz contra absolvição de Lula no caso triplex

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20 comentários

  1. janot….

    Surreal este país onde as maiores autoridades do Poder Judiciário afirmam que na busca de produzir alguma justiça é aceitável cometer alguns crimes. Será que ouviram o que falaram? Destruiremos um inocente para encontrar o culpado. É uma pequena porcentagem para um grande resultado. Para o destruido é uma gigantesca porcentagem. É inacreditável que é isto que estamos ouvindo da direção deste país? É tamanha barbárie quanto ouvir um quase Ministro do STF, Ministro da Justiça José Edurado Cardoso e um Presidente da República Fernando Henrique Cardoso afirmarem que políticos podem usar de um pouco de crime para chegarem aos cargos público almejados. Que pela busca de poder existem crimes e crimes. A retórica de FHC é histórica: “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. Estes párias tem um Poder quase Absolutista sobre nós?!!! PAREM O PLANETA TERRA QUE EU PRECISO DESCER LOGO ALI EM MARTE. UM PONTO ANTES DE BRASILIA !!!!!

  2. Já tem uma justificativa prévia

    Vai sempre aparecer a seguinte pérola como justificativa: “porque o sucesso da Operação Lava Jato, que utilizou de certa forma essa mesma medida, justifica a adoção….”

    Acreditem. Eu já vi isso ser usado em Ação Civil Pública, pelo Ministério Público Estadual, em processo que corre na Província.

  3. Um saco gordo de tanto

    Um saco gordo de tanto excremento, desfaçatez e empáfia derrubando um pouco do seu fétido conteúdo sobre a combalida república de Não Vem ao Caso.  

  4. Il gattopardo foi escrito …

    …para dar ares de mudanças sem nada mudar no governo da Sicília no resurgimento italiano,século XIX.A semelhança com o Brazil se dá no fato de que a máfia governista-burguesa continua a mesma tanto lá como cá no século XXI

  5. Cabeça de Juiz

    Isto tudo foi apenas um erro de interpretação!!!!!!!!!

    ( Este  Juiz é “normal”  ou tem deficit de interpretação ?)

    Mas ele se justificou e disse, “desculpe a nossa falha”) 

  6. Nassif, na verdade é uma

    Nassif, na verdade é uma questão de FUNDO.

    Não cabe ao MP ou ao PGR apresentar leis.

    O MP já tem sua função constitucional, que não é apresentar projetos de lei.

    A isso cabe ao legislativo.

    Se todos foram apresentar leis o que vai virar o País ?

  7. E mais:
    Juiz tem que se

    E mais:

    Juiz tem que se submeter à lei. Ele não pode “interpretá-la” de qualquer maneira para que tudo caiba na lei.

    A lei é clara em dizer que só cabem conduções coercitivas quano fulando já foi citado e não compareceu, portanto o Juiz só pode determinar nesses casos e ponto final. Nâo é o que tem sido feito.

    Caberia ao CNJ e ao STF agirem para acabar com a gracinha do Moro e de outros juizes.

    Como não fazem isso, cabe ao Congresso apresentar uma lei pesada, mesmo que seja draconiana, para acabar com essa palhaçada.

  8. por falar em revisao

    Da ultima vez que me atrevi a questionar o que estava escrito num post, teve um sujeito que só faltou me chamar trucidar.  Desta vez, foram mais rapidos e ninguem reclamou da correçao. Anotado no meu caderno…

  9. Target
    Perfeito, se justificou abuso, logo os argumentos da justificativa têm que passar por uma análise crível, que esteja baseada no racional e lógica, dentro da verificação no real. Fora isso são desculpas de abusadores sem vergonha.

  10. Síndrome do justiceiro

    Se alguém não sabe ainda o que é “síndrome do justiceiro”, esse personagem tem um desafeto que lhe corroi a alma, para chegar nele é capaz de matar 100, não importa quem, se estiver na passagem está atrapalhando,  a “justiça” dele. Em filmes é comum representar o “herói” com esse perfil. Destroi propriedades alheias, centenas de vidas alheias, bem esta alheios, e os sem noção que assiste torcendo pelo mocinho, achando graça dos estragos que ele faz durante a passagem. 

    Falando em patologia, o justiceiro sofre um agravo mas ele quer cobrar mil agravos. A pena de talião pelo menos é mais civilizada.

  11. Síndrome do justiceiro

    Se alguém não sabe ainda o que é “síndrome do justiceiro”, esse personagem tem um desafeto que lhe corroi a alma, para chegar nele é capaz de matar 100, não importa quem, se estiver na passagem está atrapalhando,  a “justiça” dele. Em filmes é comum representar o “herói” com esse perfil. Destroi propriedades alheias, centenas de vidas alheias, bem esta alheios, e os sem noção que assiste torcendo pelo mocinho, achando graça dos estragos que ele faz durante a passagem. 

    Falando em patologia, o justiceiro sofre um agravo mas ele quer cobrar mil agravos. A pena de talião pelo menos é mais civilizada.

  12. É a mesma “esperteza” do

    É a mesma “esperteza” do togado Barroso: justificar o injustificável. Os golpistas se afundam na miséria moral e intelectual. 

  13. + comentários

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