O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) preste esclarecimentos no prazo de cinco dias sobre mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O material, que integra novos trechos vazados de um inquérito mantido sob sigilo no STF e revelados inicialmente pelo portal Metrópoles, aponta suspostas tentativas do empresário de obter proteção de altas autoridades da República para conter investigações sobre a instituição financeira.
As anotações e capturas de tela capturadas no aparelho do banqueiro, preso na Operação Compliance Zero, mencionam diretamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Citação a cúpula e suspeita sobre destinatário
Segundo relatórios da Polícia Federal produzidos com base no material apreendido no final do ano passado, Vorcaro relatou a um interlocutor a necessidade de blindagem contra investidas de investigadores.
“Daniel Vorcaro também afirmou ser importante que o interlocutor reforçasse, junto a Andrei (provavelmente Andrei Augusto Rodrigues, Diretor-Geral da Polícia Federal) e Paulo (provavelmente Paulo Gonet Branco, Procurador-Geral da República), a necessidade de impedir que subordinados, dentro das estruturas hierárquicas da PF e do MPF, praticassem ‘alguma sacanagem’, pois, segundo ele, ‘aí vai tudo pro saco’“, diz trecho do relatório da PF.
Inicialmente encaminhada como imagem de visualização única a um destinatário não identificado, a mensagem teria sido enviada ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, segundo a principal linha de apuração da Polícia Federal.
As anotações indicam ainda que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e diretores da autarquia estariam sob forte pressão para adotar medidas contra o Master diante de cobranças ostensivas da PF e do Ministério Público Federal (MPF).
Desgaste e racha na Corte
Relator dos processos sobre fraudes no Banco Master, André Mendonça assumiu o caso após o ministro Dias Toffoli deixar a condução do processo. A mudança ocorreu após a revelação de que uma empresa ligada à família de Toffoli realizou transações financeiras com fundos associados a Vorcaro em um empreendimento hoteleiro no Paraná.
A inclusão de menções a integrantes do próprio tribunal ampliou o desgaste interno na Corte. A revelação prévia sobre a existência de um contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, já havia aprofundado as divergências entre os magistrados.
A Procuradoria-Geral da República, o gabinete do ministro Alexandre de Moraes e a direção da Polícia Federal ainda não se manifestaram sobre o caso.
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