PGR precisou de mais um ano para analisar “novas” provas contra Aécio em Furnas

“Não teve tempo”: O caso foi estagnado ainda em 2007, há onze anos, na Operação Norbert. Depois, foi recuperado por delatores da Lava Jato, ainda em 2015 e 2016. Mais provas foram enviadas por cooperação internacional em agosto de 2017, há um ano. Mas foram analisadas pela Procuradoria-Geral da República um mês depois de o inquérito ser arquivado. E a defesa de Aécio admite que os documentos são os mesmos de há 10 anos
 

Foto: REUTERS / Ueslei Marcelino
 
Jornal GGN – Após o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivar a investigação contra o senador tucano Aécio Neves pelo esquema de corrupção de Furnas, por justamente considerar o inquérito muito longo e demorado, quase dois meses a Procuradoria pede ao Supremo para retomar a apuração.
 
A Procuradora-Geral da República (PGR), Raquel Dodge, recorreu contra a decisão de junho deste ano, quando Gilmar aproveitou um pedido dos procuradores para encaminhar o processo à primeira instância, considerando o novo entendimento do STF sobre foro privilegiado, para não só não aceitar a remessa, como também engavetar o inquérito.
 
A investigação era um desdobramento da Operação Lava Jato, mas guardava relação com caso antigo e de conhecimento público, o esquema de corrupção praticado na subsidiária de energia em Minas Gerais, Furnas, deflagrado ainda em 2007, ou seja, há mais de 10 anos, na Operação Norbert. 
 
Apesar de mais provas terem sido levantadas antes da Lava Jato, foi em maio de 2016 que a Procuradoria-Geral decidiu abrir a apuração, mantendo o caso quase suspenso durante aquele ano inteiro. Até que no segundo semestre de 2017, a PGR recebe mais indícios e provas do Principado de Liechtenstein, mas só decide estudá-los agora. 
 
Além das acusações do doleiro Alberto Yousseff e do senador cassado Delcídio do Amaral (Sem partido-MS), em delação premiada, contra Aécio, o próprio ex-diretor de Furnas, Dimas Toledo, havia concedido informações sobre os crimes no último ano.
 
Dois anos depois de aberto o inquérito e sem muitos avanços, Gilmar aproveitou um despacho para criticar a atuação da PGR. “Por quase dez meses, a Procuradoria-Geral da República ocupou-se de dar destino a uma investigação concluída. Após, limitou-se a passar o problema adiante invocando a nova orientação do pleno quanto à competência”, disse Gilmar, em junho.
 
O ministro usou como base um parecer externo às apurações do Ministério Público Federal (MPF). Era a consideração de um delegado de Polícia Federal, que saiu em defesa de Aécio e concluiu, em 2017, “que não é possível atestar que o senador realizou as condutas criminosas que lhe são imputadas”.
 
Até então, a PGR não avançava nas investigações, apenas “atualizando” o inquérito solicitando que fosse remetido à Justiça Federal. Então, quando defesa de Aécio foi chamada a se posicionar, lembrou do relatório do delegado: “além de se arrastar por muito mais tempo, há relatório conclusivo da autoridade policial pelo arquivamento e nada se apresenta de plausível para se dar continuidade às investigações”, disse o advogado do tucano, à época. 
 
E arquivada os ilícitos e suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo Aécio Neves, mais de 30 dias depois a PGR pede para recuperar o processo. E não graças aos avanços dos procuradores brasileiros, mas aos investigadores internacionais, que enviaram desde o Principado de Liechtenstein “indícios de materialidade e de autoria delitivas”.
 
Dodge justificou que o tempo de 2 anos e 3 meses desde que o caso está patinando entre os investigadores brasileiros é natural dado à complexidade do caso e porte e está na médida de duração de inquéritos similares. E afirmou que a PGR não teve tempo de apresentar a Gilmar as considerações sobre as provas enviadas do outro país.
 
Os materiais indicam suspeitas de evasão de divisas recebidas pelo senador Aécio Neves no esquema de propinas da Diretoria de Furnas, com documentos do paraíso fiscal de Liechtenstein, localizado à leste da Áustria, e a oeste da Suíça, em acordo de cooperação fechado em agosto de 2017. São informações bancárias de Aécio, do ex-diretor da Dersa Dimas Toledo, de familiares do tucano, a irmã Andrea Neves e Inês Neves e empresas supostamente de fachada.
 
Assim, Dodge admitiu que as provas contra Aécio Neves por prática de evasão de divisas no caso da estatal Furnas foram recebidas pelo MPF brasileiro há exatamente um ano. “Não há como arquivar a apuração sem analisar antes o material recebido do exterior. Seria uma irresponsabilidade”, diz a Gilmar. Atrasada, o objetivo da PGR é que o caso seja encaminhado à Justiça Federal do Rio de Janeiro. 
 
Ainda, foi o próprio advogado de Aécio, Alberto Zacharias Toron, que fez mais um alerta sobre o “atraso” dos investigadores brasileiros: os documentos enviados na cooperação internacional são os mesmos da investigação original, a Norbert, de 2007. 
 
“A PGR não traz nenhuma Informação nova envolvendo o senador Aécio, já que se remete a investigação que já havia sido arquivada pela própria instituição. (…) Os documentos anexados pela PGR são rigorosamente os mesmos constantes no inquérito arquivado há vários anos, já sendo portanto, há muito, de conhecimento das autoridades”, disse a defesa.
 
 

9 comentários

  1. Como pode esse moço se manter

    Como pode esse moço se manter livre, leve e solto, né?

    Quem o conhece pessoalmente diz que ele é compulsivamente um combinado entre o Gato de Botas do Shrek com o Dom Juan de Marco, que não à toa juízas e promotoras não conseguem tocá-lo, principalmente se forem de Minas Gerais, solteironas, idosas e/ou de instinto materno acima de suas profissões…

    Não sei, não o conheço. Mas não me surpreenderia se soubesse que toda essa embalagem traz um enorme – e nada sedutor – poder de levar junto, caso perca sua intocabilidade e vá parar na lama, gente importante no agronegócio, nas firmas de comunicação em massa e em muitos outros ramos da iniciativa privada.

    • Aqui no meu bairro

      Aqui no meu bairro antigamente tinha o Clube dos Lojistas……

       

      enfeitavam as ruas no naltal etc… os shopping centers aniquilaram, mas pra bandas de lá o clubinho de lojistas ainda continua forte…..

  2. Ou seja, a dodge polara é o

    Ou seja, a dodge polara é o atraso personificado, sempre em auxílio aos atucanados criminosos: deve ser as ordens que recebeu na garagem do jaburu, quando do encontro secretíssimo com o temerista-golpista-ladrão. Dizer que os desprocuradores votaram nessa comprometida mulher para ser a chefa: será que todos os desprocuradores são assim: comprometidos com os atucanados e os temeristas? Não se salva algum ?

  3. PT SEM LULA É UM BANDO DE ALOPRADOS

    E isto é uma tristeza e uma vergonha para a Política Nacional que não evoluiu, nem criou novas lideranças e novos caminhos. Simplemente estagnou. E estes mesmos Aloprados ainda na ânsia absurda do ‘poder pelo poder’ querem abandonar Lula no meio do caminho e seguir uma aventura ‘às escuras’. Tropeçarão nas próprias pernas e cairão na primeira arapuca. Não lêem nem mesmo Folha ou Estadão. Ou assistem à GloboNews. Não enxergam o desespero que deixam Tucanos com aparência de Patos Amarelos com tremedeira, sendo matida a candidatura de Lula. Eles não conseguiram nem pensar na estratégia depois de retirado este rochedo da sua frente. Aloprados querem fazer o serviço por eles. É inacreditável. Construam um novo caminho, com novas possibilidades, para um novo século e uma nova história. Isto depois de fazer como a matéria está demonstrando. Expor até as últimas consequências que o Judiciário Brasileiro, mancomunado com Entreguistas e Traidores, só tinha um objetivo: Destruir Lula. Aécio está planejando sua nova candidatura, sem a menor preocupação com prisão. Somente na Pátria do Absurdo. Queremos todos na cadeia. 200, 300, 500 Políticos podem ser substituídos. Mas a Lei deve ser igual para todos.       

  4. tão jovem e já com os cabelos brancos de todos…

    ou  já com pinta, indícios, de ser o arquivo do passado de todos os envolvidos

    arquivo que se abre uma vez só para poder fechar depois para todo o sempre

  5. Assim é (in)justiça no brasil

    Assim é (in)justiça no brasil do golpe. The flash com petistas e The lesma com tucanos.

  6. Ninguem esconde mais a

    Ninguem esconde mais a PARCIALIDADE do judiciário e do MP. Nem a federal, nem o mp e muito meno o judiciario não estão nem aí para a imparcialidade. A coisa é escancarada. Decide-se conforme a capa do processo e pronto. Ou a esquerda parte de maneira inteligente para resolver a questão da parcialidade da justiça ou não vai sobrar nada. É uma luta em vão. O mais engraçado, pra não dizer trágico, é que nem o PT e muito menos a esquerda ainda não entenderam essa questão.

    A esquerda tá f#$@….literalmente.

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