8 de junho de 2026

PCC colocou alvo em Moro por estratégia, não por vingança

Um dos principais investigadores do PCC no País, promotor Lincoln Gakiya, esclareceu o caso à TV GGN Justiça, sob o comando de Luis Nassif e participação de Marcelo Auler
Reprodução/TV GGN

O nome do senador Sérgio Moro (União-PR) ganhou os holofotes da grande mídia, mais uma vez, esta semana. Desta vez, veio à tona uma operação da Polícia Federal (PF) que pretendia prender criminosos parte da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) por trás de um plano contra autoridades com o objetivo de resgatar o seu principal líder, Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido publicamente como Marcola. 

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Moro não se absteve, escreveu e falou publicamente sobre o plano que mira – inclusive – sua família. Ele passou a usar o episódio de forma política e deu a entender, em diversas declarações, que o PCC queria vingança. No entanto, o promotor de Justiça de São Paulo e um dos principais investigadores do PCC no País, Lincoln Gakiya, falou com exclusividade à TV GGN Justiça, nesta sexta-feira (24), sobre a real motivação do bando contra o ex-juiz e senador. 

Em janeiro deste ano, Marcola foi transferido do presídio federal de Rondônia para o presídio federal de Brasília, por causa da descoberta de um plano “A” do PCC para o seu resgate. 

A transferência desmontou a ação inicial da facção que, então, se debruçou sobre o plano “B”, com o objetivo de sequestrar e matar autoridades públicas que poderiam servir como moeda de troca para forçar a libertação ou nova transferência de Marcola. 

Conforme explicou o promotor, entre os alvos do Plano “B” – descoberto no final de 2022 – estavam ele próprio, agentes federais, o senador Sérgio Moro e – curiosamente – sua família, já que não é uma prática da facção mirar mulheres e crianças (nos casos de vingança).

“Ele está lá [no plano] identificado, assim como já foi divulgado com o codinome de Tokyo. E outros alvos, que descobrimos depois (…) servidores, autoridades do Mato Grosso do Sul, especificamente de Campo Grande (…) O alvo não era só o ex-ministro Moro, os alvos eram – possivelmente, porque ainda não está identificado – um policial ou dois polícias penais federais de Porto Velho [RO], diretores de unidades prisionais federais, um ex-comandante da Polícia Militar de Campo Grande e um agente policial penal em Campo Grande. Aparentemente, são esses agentes públicos que estavam envolvidos [no plano do PCC]”, explicou o promotor. 

Acontece, que após o caso vir a público, Moro voltou a propagar a desinformação de que teria se tornado um alvo do bando por ter atuado, quando ministro da Justiça, no caso da transferência de líderes da facção criminosa para o regime penitenciário federal. Quem pediu a transferência de Marcola, de fato, foi Gakiya e por isso se tornou o principal alvo dos criminosos

“O assunto da remoção é muito caro para mim, à minha família, porque isso acabou com a minha vida. Não foi com a vida do Moro (…) e por que eu estou dizendo isso? Porque os criminosos têm acesso ao processo de remoção. Por mais que alguém fale que foi responsável, e eu gostaria que eles [os criminosos] acreditassem, porque eu não quero nunca ter esse protagonismo, mas eles têm acesso de tudo o que foi escrito no processo de remoção e eles sabem que foi eu que tive essa ousadia”, pontuou Gakiya.

Segundo o próprio promotor, Moro poderia ter entrado na mira do PCC porque baixou uma portaria proibindo visitas íntimas aos presos no sistema penitenciário federal quando comandava o Ministério da Justiça. 

“No caso do Moro, ele foi um dos autores que defendeu a Lei anti crime, que transformou a portaria que restringia ou proibia a visita íntima em presídios. Não pode mais ter visitas íntimas nos presídios e isso desagradou e muito, mas não só o Marcola, não só toda a cúpula do PCC, mas [também] o Comando Vermelho, a Família do Norte, todos. Para eles não é só o problema de gozar de uma visita íntima, mas eles usam a visita íntima para poder mandar e trazer os recados sem serem monitorados e hoje eles são monitorados”, explicou Gakiya. 

Contudo, não há uma confirmação sobre a motivação da facção e tudo indica que, pela popularidade, Moro seria uma “boa” moeda de troca no casa da libertação ou da transferência de Marcola para São Paulo, já que o presídio federal de Brasília possui um sistema de proteção super reforçado, que nem mesmo a queda de um avião poderia destruir sua estrutura, segundo o promotor.

“Nas investigações da Polícia Federal não está especificado o porquê o ex-ministro Moro é um alvo e nem ao certo se seria um sequestro ou se seria um atentado”, destacou. “O que chamou atenção e nos deixou muito preocupados, foi que – embora a investigação fosse deflagrada no início de fevereiro, quando se teve acesso a documentos e interceptação de rádio – foram verificados recibos, comprovantes de aluguel, motos, que comprovam que essa ação do plano “B” já estava em andamento pelo menos desde agosto de 2022”, disse Gakiya.

“[Identificamos] chácaras alugadas para possível cativeiro, inclusive com pedreiro trabalhando… acho que fizeram uma parede falsa para poder esconder alguém. Casas foram alugadas próximas ao apartamento e ao escritório do casal Moro (…) uma sala comercial foi alugada no mesmo prédio que o ex-ministro tem um escritório político”, continuou. 

“Essa ação estava pronta para ser executada. Pelas características, é uma opinião minha pela experiência que eu tenho, o PCC não costuma atacar famílias, não têm histórico de atacarem pré-adolescentes, crianças e mulheres. O negócio deles, se eles tiverem alguma coisa, seria com o Moro. Mas ali havia dados de familiares, levantamento inclusive de filhos e da esposa. Então, até pelas chácaras, porque se você vai cometer uma execução, não precisa de cativeiro (…) Seria, possivelmente, um sequestro de toda a família do Moro e, ao mesmo tempo, atentados em outros estados do país contra diversas autoridades federais”, ressaltou o promotor. 

“Você imagina a repercussão de um sequestro do ex-ministro Moro, da esposa e dos filhos? Uma exposição disso e concomitante a atentados contra outros agentes públicos. Me parece que a intenção não era que o Marcola fosse libertado, até porque dificilmente nós iríamos abrir a porta do presídio, ele tem 340 anos [de pena], mesmo com a família do Moro [sequestrada], infelizmente isso não iria acontecer. Mas, forçar a volta do Marcola para o sistema [penitenciário] paulista era possível que acontecesse, na minha opinião, mas tudo isso é uma presunção nossa”, completou Gakiya.

Assista a entrevista na íntegra:

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
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  1. Paulo Dantas

    25 de março de 2023 6:17 pm

    Se a atuação do sr. Moro teve problemas, digamos assim, temos a própria justiça para corrigir isto.
    O que não se pode é achar normal organização criminosa atuar para matar ou sequestrar autoridades.
    Se a esquerda “ficar do lado do PCC” vai pagar isto nas urnas.
    Bom separar as coisas, o ministro Dino acertou, Lula errou.

  2. Rui

    27 de março de 2023 1:06 pm

    Quem aqui achou achar normal organização criminosa atuar para matar ou sequestrar autoridades?

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