21 de maio de 2026

Sergio Moro não era prioridade do PCC, indicam forças de segurança e promotor

Até o vice-presidente Geraldo Alckmin já foi ameaçado de morte pelo PCC. Moro passou a figurar como alvo há poucos meses
Acervo Senado

Ao contrário do alarde autoproclamado, Sergio Moro não era um alvo prioritário do PCC e passou a figurar na lista dos conhecidos pelos serviços de Inteligência da Segurança de São Paulo como um dos ameaçados somente no final de 2022.

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O atual coordenador do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), Lincoln Gakiya, e o ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, eram prioridades da facção.

Mas outros políticos, incluindo o atual vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, já passaram pela lista do PCC de ameaçados de morte.

As informações foram detalhadas pelo promotor de São Paulo, Lincoln Gakiya, que é o chefe do Gaeco do MP-SP. Tornou-se o alvo número 1 do PCC quando, em 2018, assinou os pedidos de transferência de membros da facção para presídios federais, como Marcola, o chefe do grupo.

Gakiya narra em reportagem à Folha de S.Paulo que as forças de segurança de São Paulo apreenderam uma carta, em dezembro de 2018, com a ordem da cúpula de matar o promotor.

Até então, a lista de ameaçados de morte pelo grupo era liderada por Ferreira Pinto, ex-secretário de Segurança Pública, que comandou atuações da Polícia Militar contra membros do PCC, de 2009 a 2012.

Também passaram por essa lista de “decretados de morte” o ex-secretário da Administração Penitenciária Lourival Gomes, o deputado federal Coronel Telhada (PL-SP) e o diretor de presídios Roberto Medina, além do próprio atual vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, quando era governador de São Paulo, a partir de 2011.

“Gakiya obteve provas de que a facção queria matar Geraldo Alckmin, então governador de São Paulo. Interceptações telefônicas mostraram que pelo menos desde 2011 a facção planeja matar o governador”, revelou o promotor ao jornal Estadão.

Já Sergio Moro, não se sabia que ele era um dos nomes ameaçados até o final do ano passado. Foi em outubro de 2022, segundo a Folha, que o setor de inteligência das forças de segurança de São Paulo detectaram que o ex-juiz e ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro era também uma das possíveis miras.

A partir daquele mês, o próprio ex-juiz soube que era alvo e obteve, desde então, a proteção de escolta policial. Assim, não é novidade sequer para o agora senador pelo União Brasil de que ele era ameaçado. E tampouco ele era a prioridade da facção crimonosa, conforme indicou o setor de inteligência da Segurança e o promotor de Justiça.

“Democracia é coisa frágil. Defendê-la requer um jornalismo corajoso e contundente. Junte-se a nós: www.catarse.me/jornalggn

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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8 Comentários
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  1. Fernando Andrade

    23 de março de 2023 1:32 pm

    E como a ação foi parar no TRF-4, com a juíza Gabriela Hardt? Muito esquisito isso…

  2. Célio Ferreira Facó

    23 de março de 2023 2:15 pm

    Figura sinistra, Moro atraí desconfiança até em caso de sequestro!

  3. adelgicio de paula

    23 de março de 2023 5:12 pm

    O reaparecimento de Moro no cenário oposicionista revela que o governo deve estar atento em relação a outras investidas da extrema-direita, para não ser surpreendido pelo próprio Senador ou por outros opositores que se fazem de “esquecidos” e de repente aparecem de forma espetacular, tal qual acontecia na Lava-Jato.

  4. José de Almeida Bispo

    23 de março de 2023 7:22 pm

    Armação!
    Pura armação.

  5. Renivaldo

    24 de março de 2023 11:33 am

    Acho que o próprio Moro deu um jeitinho pra colocar seu nome na lista. Mais uma armação do Marreco de Maringá

  6. Rui

    24 de março de 2023 12:44 pm

    Em 29 de outubro de 2022 o Geraldo Alckmin afirmou:

    “Sobre a transferência do preso Marcola, diz o Moro no livro que ele escreveu depois que deixou o ministério: ‘Mas a poucos dias da deflagração da Operação Império, fui surpreendido com uma mensagem dele Bolsonaro no meu celular sugerindo o cancelamento as transferências. Bolsonaro disse estar receoso de possíveis retaliações do crime organizado contra a população civil e temia que, se isso acontecesse, o governo federal fosse responsabilizado, inclusive com o impeachment no Congresso’. O Moro escreve no seu livro que o Bolsonaro lhe manda um e-mail pedindo o cancelamento, que não fosse feita a transferência. A transferência foi pedida antes do Bolsonaro assumir por um pedido do Ministério Público de São Paulo, e foi autorizada no começo de 2019 por ordem do Tribunal de Justiça de São Paulo. Não foi o Bolsonaro que pediu, foi o MP, quem autorizou foi o Judiciário, e o Bolsonaro, diz o Moro, tentou impedir a transferência do Marcola”. – Geraldo Alckmin

    No final de outubro de 2022, o $érgio Moro se manifestou sobre a afirmação do Geraldo Alckmin:

    “Sobre o episódio que Alckmin falou, de fato PLANEJAMOS a TRANSFERÊNCIA dos LÍDERES desta facção. Isso teve o consentimento do presidente Bolsonaro. Antes ele externou preocupação e pensou até em cancelar a operação, mas não cancelou”.

    Um veículo de imprensa noticiou que:

    “Os motivos que levariam Sergio Moro a entrar na lista do PCC ainda são alvo de análise por parte de integrantes das forças de segurança de São Paulo. Isso porque, até o final de 2022, o nome do ex-juiz e senador pela União Brasil não constava de lista dos serviços de inteligência paulista sobre os “decretados”.
    Isso enfraquece a tese de que ele poderia ter entrado na mira da facção criminosa por ter participado da transferência de presos ao sistema federal em 2019″.

    https://www1.folha.uol.com.br/poder/2023/03/promotor-alvo-de-pcc-esta-no-topo-da-lista-de-decretados-e-questionou-protagonismo-de-moro.shtml

    Pois bem. Até o final de 2022 o $érgio Moro não estava na lista de ‘decretados’ do PCC nem tinha afirmado que a transferência dos Chefes do PCC para presídios federais não se devia ao Promotor Gaykia, mas a ele, $érgio Moro, e ao Bolsonaro.

    Ora, se a transferência dos líderes do PCC para presídios federais ocorreram em 2019, porque o $érgio Moro só virou alvo do PCC no final de 2022?

    Ora, porque mosca não entra em boca fechada.

  7. Rui

    24 de março de 2023 1:25 pm

    Diria um dos meus amigos: “O Moro viu a possibilidade de polarizar com o Lula, na ausência de Bolsonaro. O Lula viu no Moro a possibilidade de rachar a direita em duas bandas e deu corda para o Marreco. E o Bolsonaro começou a se perguntar, mesmo sabendo da resposta: ‘o que é que eu tô fazendo aqui em cima desse andor’. Afinal de contas, ninguém pensa nos pecados do santo no andor, mas de lá de cima ele já não conseguirá mais realizar as ações que protagonizou na terra.

  8. Hélio Jacinto Pereira

    26 de março de 2023 10:48 am

    A Juíza de Curitiba Gabriela Hardt, ao forçar a PF, antecipando a prisão de parte do Bando que ameaçava dez alvos do PCC, atrapalhou as investigações que vinham sendo realizadas há vários meses pela PF e possibilitou a fuga de pelo menos 80% do Bando que articulava atentados contra autoridades e membros do Judiciário.
    Agora as outras possíveis vitimas correm sério risco de vida, uma vez que a Juíza Gabriela Hardt lhes deu o alerta ao antecipar e atrapalhar as investigações com objetivos claramente políticos eleitorais.
    Gabriela Hardt, fez da Justiça do Paraná um palanque político a serviço de Sérgio Moro e colocou várias vidas em risco devido sua irresponsabilidade.

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