PGR e OAB-RJ preparam denúncias contra o governador genocida do Rio de Janeiro

Em breve, Witzel poderá ser denunciado criminalmente ou por apologia ao crime, ou, mais grave, por ordens que resultaram na morte de pessoas.

Imagem: Reprodução/Redes sociais

A atitude do governador Wilson Witzel, do Rio de Janeiro, de anunciar um voo de helicóptero, com policiais armados de metralhadoras e sua ordem de “acabar com a bandidagem” em Angra dos Reis seria motivo para uma prisão em flagrante em qualquer país democrático.

Mesmo assim, as instituições não estão inertes.

Depois do post “Witzel precisa ser detido” recebi um conjunto de informações que mostram que as instituições não estão inertes.

Em breve, Witzel poderá ser denunciado criminalmente ou por apologia ao crime, ou, mais grave, por ordens que resultaram na morte de pessoas.

Há duas iniciativas em andamento.

No âmbito da Procuradoria Geral da República foi montado um Grupo de Trabalho Interinstitucional de Defesa da Cidadania, incumbido de analisar as declarações do governador. O GT é composto pelo Ministério Público Federal, Ministério Público do Rio de Janeiro, Defensoria Pública da União, Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional do Rio de Janeiro, e mais seis entidades da sociedade civil.

Há um mês, a 7ª Câmara Criminal do MPF esteve na Favela da Maré levantando dados com a população. Foram tiradas três Notas Técnicas, uma delas analisando o caráter inconstitucional, anticonvencional e criminoso das declarações do governador.  Foi encaminhada à Procuradora Geral da República uma representação criminal contra Witzel.

Diz a Nota Técnica:

Em 30/10/2018, em entrevista no programa “Estúdio i”, no canal de televisão GloboNews, o Governador afirmou que a decisão do tiro não será individual do policial, explicitando que: “a ordem para efetuar o disparo não é do atirador, é do comando, e o comando vai estar vendo o alvo a ser disparado.” [disponível em https://globoplay.globo.com/v/7130612/].

Nesse programa televisivo, [disponível em https://globoplay.globo.com/v/7127025/], o governador – referindo-se à operação ocorrida naquele dia na Cidade de Deus –, e lamentando ainda a não aplicação da “lei do abate”, novamente apontou seu entendimento sobre a execução de pessoas portando armas de uso restrito: “hoje mesmo… ‘tava’ um helicóptero de filmagem… tinham cinco elementos de fuzil. Ali se você tem uma operação em que os nossos militares estão autorizados a realizar o abate, todos eles seriam eliminados.” Quando indagado se o policial deveria ter receio de responder a um processo criminal, o governador complementa “eu não estou dizendo que ninguém vai deixar de ser processado. Ninguém está sendo enganado aqui.”.

Depois do então Ministro da Justiça Raul Jungman afirmar que a proposta deveria passar “pelo crivo das leis e da justiça”, Witzel insistiu:

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A minha visão sobre o que é legítima defesa ela está na mesma sintonia com milhares de outros juristas; dezenas de juristas, milhares de juristas, cada um tem uma interpretação. Quem não pode ter hermenêutica na cabeça é o soldado, que olhando alguém de fuzil vai atirar e vai abater.” [disponível em https://globoplay.globo.com/v/7130612/].

Datado de 24 de abril de 2019, as conclusões do GT são taxativas em relação às declarações de Witzel:

  • contrárias ao marco legal, à luz dos requisitos caracterizadores das excludentes de ilicitude previstas no Código Penal; (ii) contrárias aos tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil é signatário (PIDCP e CADH) no concernente aos parâmetros do uso da força e do emprego de arma de fogo por agentes estatais e da proteção do direito à vida; (iii) inconstitucionais, à luz da proteção aos direitos à vida e ao devido processo legal; (iv) discurso não amparado pela liberdade de expressão à luz dos deveres de altas autoridades para com o respeito aos direitos humanos e capaz de ensejar a responsabilização internacional do país, na medida em que podem ser entendidas como estímulo a violência ilegítima contra grupos socialmente vulneráveis, considerando, ademais, o histórico de violência policial crônica no Rio de Janeiro, vide a condenação internacional no caso Favela Nova Brasília v. Brasil na Corte IDH.

O próximo passo, agora, será da PGR.

A denúncia criminal da OAB-RJ

Parecer solicitado pela Comissão de Defesa do Estado Democrático de Direito da Ordem dos Advogados do Brasil do Estado do Rio de Janeiro avança nas acusações contra Witzel  e conclui que

independente da responsabilização política e civil, deve o governador do Estado do Rio de Janeiro WILSON WITZEL ser responsabilizado criminalmente pelos crimes que decorrerem de sua ordem direta e de sua determinação dolosa para que agentes policiais (snipers) executem pessoas.

O parecer “Snipers: sua legalidade e responsabilidade do governador do Estado do Rio de Janeiro” é assinado pelo jurista mineiro Leonardo Isaac Yarochewsky, foi aprovado por unanimidade pela Comissão da OAB-RJ, mas precisará ser aprovado pela diretoria da OAB-RJ para ser encaminhado ao Ministério Público Estadual. Será o grande desafio da OAB-RJ,  provar que se tornou uma peça de resistência contra a criminalidade que atingiu o estado, ou continuará vivendo de seu passado.

O histórico de violência

Segundo o parecer

“Em 2014, de acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram 3.022 casos, média de um homicídio (cometido por policial) a cada três horas. Número de vítimas que supera dos atentados de 11 de setembro nos EUA, em que 2.977 pessoas morreram. O número de mortes provocadas pela polícia em 2014 é 37,2% maior que o registrado em 2013. Em 2017, o Brasil teve 5.012 mortes cometidas por policiais na ativa, um aumento de 19% em relação a 2014”.

Em 2017, para cada dois policiais militares ou civis executados, 28 pessoas eram mortas por eles. Em 2018, foram mortas 1.444 pela polícia no Rio de Janeiro, de acordo com o Instituto de Segurança Pública. Foi o maior número de homicídios da polícia desde que começaram as estatísticas, em 1998.

Continua o parecer:

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“A missão da polícia é proteger as pessoas, inclusive aquelas que moram em comunidades carentes”, disse DANIEL WILKINSON da Human Rights Watch. “O uso excessivo da força coloca todos em risco”.

A responsabilidade do sniper

Snipers (“atirador especial”, “atirador de elite” ou “franco-atirador”) é o policial militar ou membro das Forças Armadas especializado em tiros de longa distância e de “precisão”.

O parecer se baseia em uma entrevista de Witzel ao Globo, admitindo que os snipers estão sendo utilizados para matar traficantes nas favelas, “só que não há divulgação”. Para o governador do Rio “O protocolo é claro: se alguém está com fuzil, tem que ser neutralizado de forma letal”.

Depois, menciona reportagem do jornal Extra:

O Ministério Público e a Polícia Civil colheram um indício que reforça o relato de moradores de Manguinhos, na Zona Norte do Rio, sobre disparos feitos por snipers do alto da torre da Cidade da Polícia em direção à favela. O exame cadavérico de Rômulo Oliveira da Silva, de 37 anos – uma das vítimas fatais dos tiros feitos do alto da construção, segundo testemunhas e parentes -, mostra que o tiro que o atingiu veio de cima.

O laudo da autópsia, obtido com exclusividade pelo EXTRA, revela que o disparo entrou no corpo da vítima pelo peito e saiu pela “região lombar esquerda”, ou seja, pela base da coluna. Segundo o documento, a causa da morte foi “ferimento do coração”. O tiro, segundo o texto do perito Ronaldo Martins Junior, do Instituto Médico Legal (IML), percorreu a barriga de Rômulo e causou ferimentos no fígado, nas alças intestinais e no estômago.

O parecer cita diversos juristas, como Luís Augusto Sanzo Brodt, Raul Zaffaroni e Nilo Batista para sustentar que “ ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei’ (art. 5º, inc. II CR)”.

Ou seja, no Estado de direito, a condição prévia para obedecer a uma ordem é sua legalidade. O executor de uma ordem vinculante pode ser responsabilizado

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“1º) desde que a ordem tenha por objeto a prática de ato manifestamente criminoso (…), ou 2º) quando a lesão antijurídica provenha de excesso nos atos ou na forma de execução…”

“Assim, não há, em hipótese alguma, como se cogitar da possibilidade dos chamados snipers estarem, nos casos em comento e de execução sumária, amparados pela excludente de ilicitude do estrito cumprimento do dever legal”, constata.

A responsabilidade de Witzel

Em relação ao autor das ordens, governador Wilson Witzel, o parecer é duro.

“O que poderia ser considerado apenas uma verborragia de campanha ou mais um arroubo populista, ganhou forma de ordem a partir do momento em que WITZEL assumiu o governo do Estado do Rio”.

O chefe do Executivo é também o chefe das polícias civil e militar.

“A ordem do governador WILSON WITZEL para que policiais matem quem estiver portando fuzil – independentemente se ele estiver atacando os agentes de segurança ou terceiros – é inconstitucional e pode fazer com que o chefe do Executivo do Estado do Rio de Janeiro seja responsabilizado pelas mortes que ocorrerem em decorrência da sua ordem”.

O fato de instigar a polícia a cometer crimes se enquadra no Código Penal. O parecer cita Nilo Batista para quem “Instigação é a dolosa colaboração de ordem espiritual objetivando o cometimento de crime doloso. Meios de instigação podem ser todas as possibilidades de influência volitiva: persuasão, dádivas, promessa de recompensa, provocação de um erro de motivo, abuso de uma relação de subordinação, ameaça etc.”

O Código Penal brasileiro (art. 62, inc. III) prevê o agravamento da pena no caso do agente que: “instiga ou determina a cometer o crime alguém sujeito à sua autoridade (…)”.

As conclusões

“Por tudo, o governador do Estado do Rio ao ordenar – ainda que por meio de palavras – que atiradores de elite (snipers) executem pessoas está instigando (determinando) por uma ordem ilegal a prática de crime por parte do autor. Assim, a execução, nos moldes defendidos pelo governador WILSON WITZEL, além de criminosa, é incompatível com o Estado democrático de direito.

Os próximos passos dependerão, agora, da PGR e da OAB-RJ. Poderão escrever um capítulo histórico, na contenção da selvageria que se abate sobre o país, ou sucumbir ao medo.

 

Nota Técnica no 1 

Parecer da Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ

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31 comentários

      • Eu quero que o estado proteja o cidadão de bem pagador de impostos… simples assim!

        Enquanto fazem debates para discutir algo óbvio, pessoas inocentes morrem e bandidos andam livres!

  1. Esperemos sentados, pois: até agora o dito bolsonaro determinou montanhas de estrepolias, inclusive falando em declarar guerra e o escambau e ninguém foi capaz de se opor de forma aficaz, ou seja, mandar ele voltar atrás eou responsabilizá-lo civil, administrativa e criminalmente pelos crimes cometidos; então, no riojaneiro, mais ainda, o desgovernador – que se afastou da justiça federal porque a corregedoria e o cnjotazinho não foram capazes de o responsabilizarem por sua gandaias, agora, tem poder de vida e morte e, com certeza, não será essa (in)justiça abrasileiradamente ineficaz (efetiva apenas contra pobre, preto, prostitua e petista) que fará alguma coisa. “Aliás, diga-se, a tal oabrj eou nacional (argh!) sempre foi das mais condescendentes e apaniguadas com esse tipo de gente. Sentemos, pois.

  2. Este homem é igual àqueles loucos de guerra cheio de psicopatias e pertubação mental. Os alvos na cabeça dele estão nas periferias, pobre e negro. Sobre o câncer das milícias que se perpetua e domina no estado nada ou então relativiza . Fez silêncio e palavras convenientes sobre o caso do músico assassinado e só procurou a família de Marielle por querer sair bem na foto e por suas pretensões políticas depois de toda aquela repercussão negativa da sua foto. Além da notícia acima, ele deve passar por uma avaliação psiquiátrica.

    • É UM ALUCINADO, AGORA MESMO É QUE OS BANDIDOS, MUITO MELHOR ARMADOS QUE A POLÍCIA, E SEM COMPROMETIMENTO COM NADA, VAI SAIR MATANDO POLICIAIS, SEM TRÉGUA. E POR ORDEM DO GOVERNADOR, VÃO SAIR MATANDO GENTE INOCENTE DE CIMA DOS HELICÓPTEROS. POBRE GENTE DA FAVELA, ONDE NOVENTA POR CENTO É TRABALHADOR HONESTO.

  3. finalmente…
    o ministério da tranquilidade pública adverte:

    Não faça do seu governador uma arma

    mas, cuidem-se todos porque muito se assemelha ao terror de Estado, sempre adiante ou muito além de qualquer limite que venha a ser colocado legalmente

  4. Se o falastrão criminoso conseguir demonstrar que a situação da segurança no estado está fora de controle, ele pode conduzir a sua defesa com base na DOUTRINA TRF-4, do jogral dos três miquinhos, desenvolvida especialmente para descriminalizar os crimes cometidos por Sejumoro. Assim ele não poderá nem ser investigado porque “em situações excepcionais, o regramento legal não se aplica” e, portanto, o Witzel poderá continuar matando quem ele bem entender, a critério exclusivo da sua vontade.

  5. A conduta do governador e o dilema de cada policial faz pensar em Hannah Arendt e na questão da banalidade do mal. Transposto para hoje: a banalidade do fascismo.

  6. Essa iniciativa é louvável, mas não creio que o Judiciário vá tomar alguma medida. O TJRJ é conivente com a matança e a Justiça Federal pode muito bem dar de ombros e se dizer incompetente. Isso faria a denúncia ficar rolando de um Tribunal para outro até o mandato de Witzel terminar. A impunidade dele só vai deixar de existir se a denúncia for feita no Tribunal Penal Internacional, porque é evidente que no Brasil esse genocida não será julgado com.a independência e rigor necessários.

  7. Este governador é a soma de tudo o que me assusta. Populismo exacerbado, Direito punitivista ao extremo e sectarismo religioso. É da safra da nova política sonhada por moro e dalagnol e concretizada na eleição deste fasxista que está no planalto. Mais uma vez, parabéns globo, lava jato e coxinhas da paulista. Este ‘paraíso’ que vivemos agora é de responbilidade de vocês.

  8. “Os próximos passos dependerão, agora, da PGR e da OAB-RJ. Poderão escrever um capítulo histórico, na contenção da selvageria que se abate sobre o país, ou sucumbir ao medo”.

    ‘Ser ou não ser’ dizia o príncipe dimamarquês, naquela famosa peça do velho Shakes. Os homens e mulheres dessas instituições, faz tempo, optaram pelo não ser.

    Nada esperemos de onde nada vem.

  9. O cara é daqueles malucos animados, que não têm a minima noção do alcance de suas atitudes espatarfudias, e por isso, ações da força de segurança tornam-se um perigo para qualquer pessoa que, claro, não resida em bairros nobres da ZS ou ZO. Contudo, não acredito que sejam efetivadas ações seja do PGR ou OAB/RJ. Quanto ao louco, ele acha que controla o “guarda da esquina” com declarações do tipo “a ordem será do comando que estará assistindo a filmagem” ou “ninguem deixará de sofrer processo”. Gostaria de avaliar estas duas declarações.
    Apesar de repudiar este governador, apoio ações agressivas de qualquer distância contra homens verdadeiramentes armados que não deponham as armas. Então, se filmados (de modo seguro para agentes, claro), e com aval do comando, não vejo motivos para que as forças de segurança não sejam letais.
    Contudo, a outra declaração, quanto ao “processo”, enxergo como mais uma ação figurativa, haja vista, principalmente, o “processo” recentemente aberto para apurar conduta dos soldados que assassinaram o músico e o catador. No inquérito, um promotor da casa, plagiando fala de episódio da série CSI Miami (abaixo esclareço) disparou que “ninguem sai de casa propenso a matar outrem”, usando este raciocínio para isentar de culpa os envolvidos.
    Esclarecendo: No encerramento de um episódio da série CSI Miami, esta declaração “ninguem sai de casa para matar outrem” foi utilizada pela irmã de um cidadão morto por engano com 1(UM, não oitenta) tiro durante perseguição policial em bairro negro.
    Por fim, e retornando a questão dos bandidos armados de fuzis, insisto na única ação que vejo como verdadeiramente efetiva para conter a matança(*): “Abatidos” ou não, as armas apreendidas com os bandidos não deverão apenas ser objetos de mídia, mas sim de investigações para chegar aos verdadeiros responsáveis pela violência no RJ, e no país, que são os que vendem (traficam) armas.

    (*) RJ, 434 mortos em ações policiais no 1o trim de 2019. Disparam os autos de resistência. Reportagem “O Dia”

  10. A Alemanha nazista tinha os SS………Nos temos o nosso WW nacional…..

    Fazendo “sucesso lá fora”……..

    https://www.theguardian.com/world/2019/may/05/rio-governors-video-with-police-snipers-called-out-as-a-show-off

    Trad:

    O novo governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, é criticado por ter tweetado um vídeo de um helicóptero enquanto observava uma operação policial em que tiros teriam sido disparados pelas forças policiais.

    De acordo com um vereador local, snipers da polícia estavam a bordo do helicóptero durante a missão sobre áreas controladas por traficantes de drogas na cidade litorânea de Angra dos Reis, a cerca de 200 km do Rio.

    O jornal carioca O Globo informou que ninguém foi preso e nenhuma droga foi apreendida. Mas um porta-voz de Witzel não pôde confirmar se o governador estava a bordo do helicóptero no momento em que os tiros foram disparados.

    “Não sei se devo comemorar ou ridicularizar, mas nosso exibicionista, governador machista, não atirou nem prendeu ninguém na operação de helicóptero que ele divulgou. Era só para mostrar”, tweetou Luciana Boiteux, professora adjunta de Direito Penal da Universidade Federal do Rio de Janeiro, candidata esquerdista ao Congresso.

    O vídeo postado por Witzel mostrava ele mesmo, os chefes de polícia e o prefeito de Angra, Fernando Jordão, durante a operação. “Estou neste momento sobrevoando uma das áreas mais perigosas de Angra dos Reis, onde começamos uma operação”, tweetou.

    Thimoteo de Sá, tenente aposentado da polícia e vereador de Angra dos Reis, que dirige a comissão de segurança, reuniu-se com Witzel antes do vôo e saudou a operação para combater o crescente poder das quadrilhas de traficantes que ameaçam o turismo da cidade.

    Um turista britânico foi baleado e ferido perto de Angra em 2017 e um comboio nuclear ficou sob fogo na área em março.

    Witzel é um ex-juiz que é fortemente aliado do presidente brasileiro de extrema-direita, Jair Bolsonaro, e prometeu dar poderes à polícia para “matar” bandidos armados durante sua campanha. Desde que assumiu o poder em janeiro, os tiros disparados de helicópteros da polícia durante as operações tornaram-se mais frequentes, gerando receios de que ele já tenha introduzido sua política de “atirar para matar” após os assassinatos policiais terem atingido um recorde.

    Durante sua campanha, Witzel prometeu que apenas usaria hospitais públicos, mas na semana passada ele foi visto brevemente em um hospital privado no Rio.
    Paulo Pinheiro, vereador do Partido Socialismo e Liberdade, usou isso para atacar o governador sobre a operação. “Você teria mostrado mais coragem se tivesse enfrentado um hospital público”, tweetou ele.

  11. A violência policial, como a comandada por Witzel de um helicóptero em vôo, é um sintoma da falta de inteligência policial. Policia e governador burros. Merecem ir pastar.

  12. Qualquer um pode ser enganado ao votar. O candidato defende um determinado programa e faz o oposto quando eleito. Por exemplo, quando Fernando Collor foi eleito quem “iria” sequestrar a poupança era Lula. Mas Witzel não enganou ninguém, está fazendo o que disse que faria. E foi eleito por esmagadora maioria. Muito provável que entre os que estão morrendo por “snipers” a maioria votou nele. Isso não é motivo para nenhuma comemoração, apenas mostra o grau de patologia da sociedade. Sociedade que, tirando os nordestinos “analfabetos”, elegeu os “snipers”.

  13. …Da importância de uma mídia digna para a construção de uma nação civilizada…
    .
    Todos os dias recorro ao link “Lembranças” do Face em busca de textos antigos. Ele puxa tudo o que escrevi naquele dia específico nos anos anteriores.
    No dia quatro de maio encontro duas reflexões que eu havia salvo em 2018: uma, minha, sobre a capa e a matéria da Veja a respeito dos “luxos e privilégios” de Lula em sua cela. A outra, do professor Luis Felipe Miguel sobre a “reportagem” na mesma revista referente à operação comandada pela delegada Erika Marena em SC e que levou ao suicídio do reitor Cancellier que não suportou as humilhações a ele impostas injustamente.
    .
    Ambos, na verdade, falávamos do mesmo ponto central: nossa indignação pela distorção da verdade nas duas “reportagens” de Veja, manipulando a sociedade de modo descarado e cínico, RECONSTRUINDO através de obras de ficção a realidade, na verdade, transformando-a em FARSA!
    .
    No caso de Lula, com o evidente intuito de desviar a atenção do tema principal – a injustiça da condenação – e ao mesmo tempo reforçar os signos de um “Lula privilegiado”, “até na hora de pagar por seus crimes…” – o que pode ser mais desonesto e desumano?
    Em relação à operação em que a juíza, o procurador e a delegada agiram de modo autoritário, desnecessário, arbitrário e selvagem, destacou o professor Luis Felipe Miguel que o escândalo em torno de “oitenta milhões de reais desviados” resumiram-se, em relação às “provas” contra o reitor, a um “depósito suspeito” na conta do seu filho, no valor de SETE MIL REAIS… – O que lhe custou a paz, a honra, a vida! E, cúmplices de todo o horror, Veja queria não só isentar de quaisquer responsabilidades aqueles agentes públicos, mas justificá-los e insinuar de modo canalha a “culpa” do reitor.
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    São casos emblemáticos, de centenas que poderíamos citar nos últimos quinze anos, de violências indizíveis contra todo e qualquer opositor do grupo político-social de direita radical em nosso país, ou contra o cidadão comum, mesmo o mais inocente, mesmo que pague com sua vida, se a VERDADE “atrapalhar”, manchar, a imagem daqueles que têm que ser mantidos como heróis no imaginário popular.
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    Na contramão da barbárie, do cinismo, da desonestidade e da manipulação da verdade e da sociedade como um todo, temos um pequeno número de jornalistas que corajosamente cumprem o papel social e político do jornalismo autêntico: REVELAR A VERDADE DOS FATOS e elaborar análises essencialmente baseadas nessas verdades.
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    Citando três exemplos, quando o Nassif, aqui no GGN, denuncia o esquema fraudulento da TelexFree, quando denuncia o escândalo da Fundação Lava Jato e seus 2,6 bilhões de reais e quando denuncia o inacreditável crime cometido pelo governador Witzel, ele se torna uma voz e uma consciência, UM ALERTA, não só para a parcela da sociedade que acompanha seu blog, mas para as autoridades que o leem.
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    “Mas seria mesmo necessário “alertas” de jornalistas para que nossas autoridades passem a agir mesmo diante dos crimes mais óbvios?” – poderia perguntar uma pessoa ingênua. E eu responderia, que em tempos tenebrosos, de EXCEÇÃO, onde as leis e a própria Constituição são pisoteados todos os dias, SIM, nossas autoridades medrosas, omissas, confusas, “sem saberem direito quem “pode” ser denunciado ou não” por seus crimes”, em que até a palavra “crime” se torna nebulosa dependendo de quem o comete – alguém a ser perseguido e massacrado ou alguém a ser protegido… – essas autoridades, muitas vezes, só agirão se alguém “esfregar o óbvio” em seus rostos aparvalhados.
    É um tempo tão insanamente DRAMÁTICO, que ser jornalista nesse país implica muitas vezes em GRITAR o que todos estão vendo, de mais obsceno e vil, mas quedam-se numa espécie de CATATONIA, como se todos os agentes públicos pensassem a mesma coisa: “Isso me parece horrendo, mas devo tomar a iniciativa contra esse horror?”
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    No caso da Fundação Lava Jato, ficou nítido que só após os artigos no GGN, em tons eminentemente “catastróficos” – que o tema exigia, diga-se! – repetindo à exaustão a loucura e o crime que tudo aquilo representava, é que as autoridades agiram. É um tempo em que a impressão que temos é que mesmo para as ações mais banais contra os crimes mais descarados, alguém tem que “acender o estopim”, despertar as consciências.
    .
    Me parece o caso em relação ao governador Witzel e sua patologia criminosa.
    Que OAB, Ministério Público, STF, todos enfim que tenham entre as suas atribuições impedir esse louco de seguir em seus planos genocidas, possam agir com firmeza.
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    E que cada um de nós tenha a mais absoluta certeza de que espalhar nas redes sociais todas as matérias dos blogs jornalísticos sérios que tragam luz e verdade sobre o nosso país é, literalmente, uma MISSÃO. Assim como, quem puder, ajudar a sustentar essa chamada “mídia alternativa”.
    .
    Estaríamos todos perdidos sem ela.

  14. Concordo com o artigo e com todos os comentários, mas estou aqui me perguntado, eu que só vejo o RJ pelos noticiários de TV e de jornais: o que diz a Lei sobre esses caras (meninos, em grande parte) que desfilam com metralhadoras e fuzis pelas ruas das favelas e pelas festas dos morros como se fosse uma zona de guerra? É possível para a polícia simplesmente entrar ali, dar voz de prisão, desarmá-los e levar todos presos pacificamente? Curiosidade minha.

    • É possível sim; não só é possível como acontece o tempo todo: A polícia entra, expulsa os traficantes, fica com as armas, as drogas, o ‘ponto comercial’, e depois vai ampliando os negócios. Inclusive sob a barba rala do dotô ministro da Justiça e com a anuência da Famiglia.

  15. Em relação aos snipers, li no sítio Quora (www.quora.com – de perguntas e respostas, geralmente dadas por insiders do tema da pergunta, ou então por amadores “achistas”) algo sobre estes atiradores:

    Não há muita consideração com eles quando, em guerra, uma das partes detém um sniper inimigo, pois tratam de eliminá-lo o mais rápido possível.

    A explicação é que este elemento usa e abusa de covardia, ao atirar em alguém que a rigor ele apenas suspeita que é um inimigo.

    Os seus próprios “colegas” da parte em guerra consideram isto, pois um sniper amigo (da onça) pode causar sérios danos à própria tropa.

  16. Há alguns meses o ex-ministro da Justiça, Torquato Jardim disse com todas as letras que os comandantes da PM do Rio eram sócios dos traficantes.
    O que o justiceiro Witzel está fazendo a respeito? NADA!!
    Esse homem não passa de um irresponsável que ainda não percebeu que a campanha eleitoral acabou e que agora o estado do Rio de Janeiro espera ações de governo e não de bandido assassino de pobres e favelados.

  17. Estes vermes fascistas assassinos se atrevem a dizer que estão protegendo a população! A quem estes sanguinários pesam que enganam. Quem tira a vida é, e sempre será, assassino, seja por qualquer que seja o motivo. Existe sim agravantes e atenuantes pelo ato.

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