Raquel Dodge, a mensageira do arbítrio, por Luís Nassif

Finalmente, a Procuradora Geral da República Raquel Dodge explicita a que veio: aprofundar o arbítrio.

Nem se fale do absurdo de endossar a condução coercitiva. O papel da PGR é seguir as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). Há uma turma que defende a condução, outra que a condena. Logo, não há jurisprudência formada. Qual a razão para Dodge endossar a versão mais radical, em um momento em que o arbítrio campeia sem freios pela Polícia Federal, por procuradores e juízes de primeira instância?

Essa decisão em favor do arbítrio foi apenas o primeiro sinal.

Antes disso, Dodge havia substituído a subprocuradora Ela Wieko como uma das representantes do Ministério Público Federal junto ao Supremo. Ela, figura referencial do MPF, foi substituída pelo subprocurador Juliano Villaverde.

Coube a ele, com delegação de Dodge, defender a maior aberração jurídica dos últimos tempos:  o mandado coletivo de busca. Por ele, qualquer policial pode invadir casas, ante a mera suspeita de que algum crime esteja sendo cometido. Trata-se de uma violência inconcebível, especialmente para as residências de menor renda. Não se trata de medida para o Jardim Paulista, mas para favelas e periferia.

Responsável pela colaboração internacional no âmbito da PGR, figura relevante de investigações históricas do MPF, como o caso Banestado, o procurador Vladimir Aras escreveu em seu Twitter:

“Uma lição que ecoa há 255 anos no mundo e que está no art. 5º da Constituição: a casa é o asilo inviolável do indivíduo. Por mais humilde que seja, que seja uma cabana, um casebre ou uma choupana em que entrem o frio e a chuva, nem o Rei da Inglaterra pode ali entrar sem direito”.

Tempos sombrios, de masmorras silenciosas, trazendo o que de pior existe no mais recôndito da alma das pessoas.

Dodge tornou-se mais um vulto exterminador, em um país que clama por pacificação.

41 comentários

  1. Ouvir os pares

    Com a palavra, o Prof. Eugênio Aragão. Explico: quando a Procuradora Geral da República Raquel Dodge tomou posse, o Professor escreveu um artigo nesse site elogiando e defendendo  a colega, portanto, gostaria de ouvi-lo para depois tomar posição, até porque, continuo me pautando pelas avaliações do Prof. Eugênio Aragão.

  2. Temos que ficar atento a

    Temos que ficar atento a tudo,eu traço uma comparativo entre a minha vida e o que acontece na PGR.Sou casado a 32 anos,trabalhava em uma grande empresa de varejo,cargo de gerencia e posteriormente de diretoria.Conheci minha esposa nas viagens que eu fazia a trabalho pelo Brasil e Exterior,começamos a namorar,só que tinha um detalhe ela trabalhava em uma empresa concorrente.Ficou desconfortavel perante a quem eu trabalhava.sai e casei.ela trabalhou mais um tempo e trocou de ramo e foi trabalhar na area comercial de uma empresa aerea.O que eu quero dizer apesar de acreditar no nosso profissionalismo,perante aos outros a troca de informações seria dificil de evitar.

  3. Enganos

    Pensava ser impossível um PGR pior do que Gurgel. Veio Janot, primeiro engano. Pensei, então, que haveria uma melhora, desta vez. Veio essa Dodge. Estou em situação parecida à do PT nas suas nomeações para a PGR e tribunais. Não acerto nunca… 

  4. Locutora de rodoviária

    E o pior de tudo é aquela voz de locutora de rodoviária que ela tem. É muito irritante!

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