O ministro Benedito Gonçalves, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que o Ministério da Justiça e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) se manifestem, em até três dias, sobre as ações que pedem investigação contra institutos de pesquisa eleitorais.
O ofício foi endereçado ao ministro de Jair Bolsonaro (PL), Anderson Torres, e ao presidente do Cade, Alexandre Cordeiro Macedo.
A medida, oficiada pela Corregedoria-Geral Eleitoral (CGE), apura possível uso eleitoral das entidades administrativas para favorecer a candidatura de Bolsonaro e eventual prática de abuso de autoridade contra o Datafolha, Ipec e Ipespe.
A determinação de Benedito Gonçalves ocorre após o presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, derrubar os processos, no Cade e na Polícia Federal (PF), contra institutos de pesquisa.
O Ministério Público Eleitoral (MPE) e o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MP-TCU) também acompanham o caso.
Ontem, inclusive, o MP-TCU enviou uma série de questionamentos ao presidente do Cade sobre o que motivou a ação contra institutos de pesquisa protocolados na superintendência da autarquia.
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Pesquisas declaram derrota de Bolsonaro
As ações contra os institutos acontecem após as pesquisas eleitorais divulgadas por Ipec, Datafolha e Ipespe apontarem a derrota de Bolsonaro nas urnas.
Na véspera do primeiro turno da eleição, os levantamentos mostravam o ex-presidente Lula com 49% a 51% das intenções de votos válidos, enquanto Bolsonaro ficava entre 35% e 37%. A margem de erro era de dois a três pontos percentuais para mais ou para menos.
Em 2 de outubro, o resultado das urnas foi de 48,43% dos votos válidos para Lula, enquanto o candidato à reeleição teve 43,2%.
Contrariado com a iminente derrota, Bolsonaro passou a desqualificar os levantamentos e levou os órgãos a tomar medidas contra os institutos que apresentaram “erro” sobre os índices.
Com informações do Uol.
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José Carvalho
15 de outubro de 2022 6:45 pmA utilização de um órgão de Estado pelo presidente Jair Bolsonaro é indevida porque a disputa eleitoral ainda está em andamento e ele é parte interessada. Quanto ao CADE sendo um regulador de mercado deve ser cabível pedir alguma informação que possa resultar em algum tipo de melhora nos métodos aplicados.
De toda forma existe um histórico de inconsistência em várias pesquisas eleitorais ao longo do tempo. Ainda que o desanimo do brasileiro a cada disputa somado ao habitual desinteresse pela política, que vai aumentando à medida que os políticos também se afastam dos interesses do cidadão comum, estando cada vez mais representantes dos setores elevados da sociedade; não é admissível que as diferenças ultrapassem essas margens de erro que foram ampliadas. Os institutos de pesquisa precisam ser concorrentes uns dos outros e procurar criar suas próprias metodologias, diferenciar-se entre si. Isso dará maior capacidade a eles. Claro que a repulsa da população em relação à política tem afetado moldar um senso comum na configuração da interpretação dessa intenção de cada eleitor, mas não deve ser usado como desculpa. A alegação da queda no número de votos anulados e em branco nesta votação, também fica difícil crer, já que teoricamente a tendência seria ir pra definição em turno único. Será importante aos próprios institutos saber onde é que estão derrapando. Não cabe ao Ministério da Justiça esse assunto, o Ministro é do País e não da candidatura de ninguém.
Fábio de Oliveira Ribeiro
16 de outubro de 2022 7:56 amIsso não basta.
O abuso criminoso dos serviçais de Bolsonaro é evidente e deve resultar em responsabilização criminal.