Xadrez do golpe na era da hipocrisia, por Luís Nassif

Peça 1 – chocando o ovo da serpente

No evento dos 80 anos da Folha, em 2001, foi constituída uma mesa de debates e uma colega enalteceu a grande vitória da democracia: as algemas colocadas pela Polícia Federal no senador Jader Barbalho.  Já havia, então, a celebração da selvageria. Fiz-lhe ver que se tratavam assim um senador, o que não fariam com os anônimos?

A lógica bisonha de que a igualdade dos direitos consiste em todos terem seus direitos desrespeitados – como propõe o inacreditável Ministro Luís Roberto Barroso – era apenas um álibi para não tratar dos abusos contra os menos favorecidos.

Mas o ovo da serpente vinha sendo chocado desde a campanha pelo impeachment de Fernando Collor, depois do ensaio com os tais “fiscais de Sarney”. E quem tentava se colocar contra a besta, pagava caro.

Exemplo 1

Ainda nos anos 90, me envolvi em uma pinimba pesada com o Ministério Público Federal, Judiciário e mídia sobre os abusos das denúncias anônimas e das prisões preventivas.

Fui alvo de ataques de procuradores da República em sua lista não-oficial. Um deles me passou o link. Entrei e me pus a discutir com os críticos. No mesmo dia, recebi um e-mail da subprocuradora Delza Curvello, contando a maneira como foi denunciada por dois colegas, associados à mídia.

No e-mail, já estava claro o jogo de parte do MPF com a mídia, conforme coluna de 9 de agosto de 2.000:

“Prezado Luís,

(…) “É certo que o Ministério Público não se resume às pessoas contra as quais representei.

“A turma é grande e boa, mas está amedrontada -tanto quanto eu- diante da cobertura que essas ações temerárias vêm recebendo da mídia, colocando-os como “os salvadores da pátria” (como se nós outros -que não nos utilizamos da mesma “metodologia” por eles utilizada- fôssemos os “traidores”).

“(…) Creio que ambos -imprensa e Ministério Público- necessitam se sentar e se repensar, pois são duas forças que, juntas, poderão, se assim desejarem, levar uma nação ao caos.

“(…) Peço que você e a redação desse conceituado jornal façam uma reflexão profunda em torno do papel da imprensa na formação da opinião pública, não permitindo que ela seja manipulada, que seja um instrumento contra o indivíduo e em consequência contra a própria sociedade.

“Tenho pensado muito sobre minha instituição -e sei que, da forma como ela vem se comportando em face do indivíduo, ela está muito mal.

“Fique certo, Luís, que aqui fora não está nada fácil sobreviver.

Exemplo 2

Em novembro de 2002 fui condenado a três meses de prisão pela juíza substituta da 6ª Vara Criminal de São Paulo, Érika Soares de Azevedo Mascarenhas, devido ao seguinte texto:

Fim da aventura
Fracassou, e foi pouco notado, uma das mais atrevidas aventuras já tentadas contra os cofres públicos: a ação de indenização proposta pela Mendes Júnior contra a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) por atrasos nos pagamentos. A indenização pedida era de R$ 10 bilhões, muitas vezes maior do que o preço total da obra. No mês passado, o Superior Tribunal de Justiça liquidou definitivamente com a aventura.

Resultado de imagem para Murilo Mendes, Mendes JrTrês meses de prisão por ter denunciado um golpe preparado pela Mendes Junior contra a CHESF, através de uma ação na Justiça pretendo corrigir pelas taxas de hot money um atraso de pagamento nos anos 80 que havia sido devidamente quitado de acordo com o que estipulava o contrato. Quando a aventura chegou ao fim, o valor pleiteado estava em inacreditáveis R$ 20 trilhões.

Na ocasião, dois Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) saíram em minha defesa: Marco Aurélio de Mello e Gilmar Mendes. Nenhuma surpresa, portanto, com sua postura garantista atual no STF.

Disse Marco Aurélio, que estava na presidência do STF:

Qualquer postura que, de alguma forma, contribua para inibir o exercício da liberdade jornalística não pode ser agasalhada pela estrutura do Judiciário, sob pena de retrocesso. Porque emudecer a imprensa não fará bem a ninguém.

No dia 23 de novembro de 2002, a Folha saiu em minha defesa em editorial:

(…) A juíza entendeu que o texto “manifesta a intenção inequívoca de difamar”.

Nassif, sem dúvida, exprimiu-se de maneira crítica em relação à tentativa da Mendes Júnior de obter do erário, a título de indenização por atraso de pagamento, um valor várias vezes superior ao custo total da obra em questão (R$ 10 bilhões equivalia, em 2000, a 1% do PIB brasileiro).
(…)  A crítica constante de supostos dogmas de opinião e de comportamento públicos é uma das marcas das colunas de Luís Nassif. A disposição questionadora do jornalista não tem poupado atitudes da própria imprensa -desta Folha inclusive.
Não é justo que uma condenação venha a ameaçar o livre exercício da crítica, cuja conquista custou tanto à sociedade brasileira. Espera
-se, portanto, que essa sentença imprópria seja reformada pelo Judiciário.

O que se depreende disso? Que o desrespeito aos direitos individuais foi um processo gestado lentamente, mesmo após a Constituição cidadã, pela absoluta incapacidade prospectiva do Judiciário, mídia e políticos.

Mas, na época, ainda havia mais vozes denunciando os atos arbitrários.

Exemplo 3

De um artigo do Advogado Arnaldo Malheiros, publicado na Folha no dia 21 de agosto de 2007, sob o título “Que saudades do AI-5”:

Recentemente, temos visto abusos do Estado que nos tempos negros do AI-5 não ocorriam: os DOI-Codi poupavam os juízes de autorizar violências. Hoje, porém, há um consenso segundo o qual qualquer arbitrariedade, se praticada com ordem judicial, é legítima; as megaoperações meramente pirotécnicas, à custa da imagem dos atingidos; a invasão de escritórios de advocacia em busca de provas contra clientes, coisa que os militares jamais fizeram. (…)

 (…)  O regime hoje não é militar, mas há civis -pior, há até magistrados- capazes de fazer coisas muito mais graves contra os direitos individuais. 
Nem mesmo a ditadura militar, com todo o seu aparato autoritário e antijurídico, chegou a propor a “limitação” do habeas corpus a “situações muito pontuais”, chegou a proibir aos réus o direito de recorrer. 

O ovo da serpente vinha sendo chocado há muito tempo.

Exemplo 4

Na Operação Anaconda, o juiz federal Ali Mazloum descobriu que um dos suspeitos havia sido grampeado por dez meses, mas ele, titular da ação, só havia recebido trechos selecionados de uma semana de grampo. Exigiu o restante dos responsáveis pelo grampo, policiais federais rodoviários. Como não foi atendido, telefonou a um deles e cobrou de maneira enérgica a íntegra dos grampos.

Sua conversa foi grampeada e Mazloum crucificado por uma combinação fatal de vazamentos da Anaconda em parceria com a mídia, comprometendo gravemente sua carreira funcional.

Peça 2 – as ilegalidades do HC de Lula

As sementes plantadas resultaram no pântano atual e na sucessão de fatos que marcam o início da nova fase do estado de exceção.

O Ministro da Defesa, Roberto Jungman, ordenou à Polícia Federal que desobedecesse a uma ordem judicial, atendendo a um pedido do presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), Thompson Flores.

Ao mesmo tempo, o juiz Sérgio Moro telefonou para o diretor-executivo da PF do Paraná, Roberval Ré Vicalvi, com a mesma demanda.

O relator do processo, João Pedro Gebran Neto, atropelou o desembargador de plantão, avoca a si o caso e tenta impedir a denúncia de Moro ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Com o incêndio lavrando, a presidente do STF, Carmen Lúcia, informa que Minas Gerais está onde sempre esteve e dali não arredará pé.

Há discussões sobre a oportunidade ou não do HC pelo desembargador Rogério Favretto. Mas nenhuma dúvida sobre os demais episódios:

  • Jungman e Vicalvi incorreram em crime de responsabilidade, ao não acatar uma decisão da Justiça.
  • Moro atropelou a hierarquia do Judiciário ao ordenar, de Lisboa, que a medida não fosse cumprida.
  • Thompson e Gebran não seguiram os ritos e recursos próprios do Judiciário, que consistiria em aguardar o fim de semana para encaminhar as ações contrárias.

Solto, não haveria motivos para temer a fuga de Lula. Os únicos efeitos da medida seriam políticos.

O colunista de O Globo, o surpreendente Ascânio Seleme, seguidor tardio da escola Marco Antônio Villa, explicou sem meias palavras o que estava em jogo:

Resultado de imagem para Ataques a Favretto no Twitter“Imagine se Lula (…) fosse solto num lapso do plantão da Justiça e da Polícia Federal. Pense como estaria a esta hora o Sindicato do Metalúrgicos do ABC. Seria uma catarse para a militância petista. Mesmo os mais reticentes, os que não saem de Copacabana, mas postam suas verdades absolutas sentados de frente para o mar, seriam excitados pelo frenesi de Lula solto e desembaraçado”.

As próprias manchetes de O Globo deixaram isso claro. Ou seja, houve motivação política óbvia todos os envolvidos no episódio. Mais que isso, acabou de vez o pudor em revestir o jogo político com alguma capa de legalidade.

Peça 3 – a era da hipocrisia

E aí se chega ao final do processo, quando se ingressa na era da hipocrisia.

O golpe atual obedece a uma posologia comum a todos os golpes, um método repetido desde tempos imemoriais.

  1. A fase de preparação.

Uma campanha sistemática de descrédito do grupo a ser derrubado, tirando a besta (o efeito-manada) da jaula, visando intimidar os que se opuserem à escalada. A rápida virada de posição do ex-PGR Rodrigo Janot e dos Ministros Luís Roberto Barroso e Luiz Edson Fachin coincidiram com ataques desfechados contra eles.

  1. A catarse.

A noite de São Bartolomeu, que coloca à tona os piores sentimentos de todos os setores envolvidos, de procuradores agindo de ofício a PMs atacando manifestações contrárias. Tudo é permitido até que o inimigo seja derrubado. É o momento da catarse.

  1. A institucionalização do golpe.

Conquistada a vitória, com o Judiciário e o Legislativo sob controle, tenta-se baixar a fervura, conferir aparência de legalidade ao golpe e de disfarce do estado de exceção implantado. Firma-se um pacto de invisibilidade entre Judiciário, Ministério Público e mídia: só é considerado fato aquilo que a imprensa publica.  E a imprensa só publica um lado das questões.

Hoje em dia, por exemplo, as críticas contra a Lava Jato têm gerado um vagalhão de processos e condenações pecuniárias na Justiça Federal do Paraná contra jornalistas de fora do sistema. Como a mídia não deu, não aconteceu. E, como não são jornalistas do sistema, não merecem a defesa nem do Superior Tribunal de Justiça (STJ), nem do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que montou um conselho exclusivamente para amparar os grupos jornalísticos contra as condenações excessivas.

O país é claramente dividido entre “nós” e “eles”. Anunciam-se providências para apurar atentados à caravana de Lula, ao acampamento em Curitiba, ao assassinato de lideranças populares. Passados alguns dias, tudo termina em pizza.

  1. A era da hipocrisia.

Chega um momento em que, por excesso de abusos, não dá mais para esconder o jogo político. A estratégia final, da simulação de legalidade, falha pela ausência de candidaturas competitivas alinhadas com o golpe. Com isso, fecha-se o espaço para a continuidade da pantomima legalista. Bate meia noite, a carruagem da legalidade transforma-se em abóbora e parte-se para as vias de fato.

Peça 4 – o ensaio de ditadura

Resultado de imagem para Twitter general Paulo Chagas Favretto

Entrando na era da hipocrisia, o próximo passo será a ditadura explícita. De certo modo, o momento atual está para o golpe jurídico-midiático como oAI-5 para o golpe militar.

Na época, poucas vozes se insurgiram contra o Ato, como o vice-presidente Pedro Aleixo. Mais à frente, um grupo de advogados passou a batalhar pe

la volta do habeas corpus.

Depois de sua atitude, o desembargador Rogério Favreto está sendo alvo de um massacre, com divulgação de seus telefones pelas redes sociais, disseminação da imagem de sua família e até um general da reserva insuflando as pessoas a agredirem-no. Segundo os jornais, a Polícia Federal vai investigar novas ameaças contra o juiz Sérgio Moro. Nenhuma manifestação sobre as ameaças dirigidas a Favreto. A Ajufe (Associação dos Juízes Federais) solta uma nota em defesa das prerrogativas de Sérgio Moro, e nenhuma linha a respeito das ameaças recebidas por Favretto.

Peça 5 – a volta da serpente

Resultado de imagem para as bruxas da inquisição A insubordinação do TRF4, a interferência de Sérgio Moro, se impôs sobre a debilidade do STF.

O país chega, então, a um desses momentos cruciais, em que todos os ritos são atropelados e instaura-se o vale-tudo contra o “inimigo”.

Solta, a besta se torna incontrolável. Os episódios dos últimos dias destruíram de vez hierarquias e procedimentos no Judiciário.

A história está repleta de exemplos em que o combate inicial ao inimigo gerou uma dinâmica incontrolável, produzindo episódios trágicos.

O avanço de Bolsonaro é uma consequência direta desse processo.

Quem irá segurar a onda?

O STF, que tem como presidente Carmen Lúcia e como inquisidores Edson Fachin e Luís Roberto Barroso, que não resistiram aos primeiros ataques contra sua reputação?

O Superior Tribunal de Justiça (STF), com Laurita Vaz, ou o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), cuja presidente Carmen Lúcia montou um grupo de trabalho especificamente para defender os direitos absolutos da mídia, e nenhum grupo para discutir o direito à diversidade de opinião?

Não existe vácuo de poder. Essa balbúrdia desaguará, em pouco tempo, em  alguma liderança autoritária. E a escolha será entre o déspota primário e o esclarecido.

 

 

81 comentários

  1. Especialidade econoxinha

    O que une o congresso, judiciário e mídia, além de quem os financia por trás, ainda é o discurso econoxinha. Apostaram na “recuperação da economia”, aquela que foi “estabilizada” na era FHC, e era “desastrosa” nos anos Lula-Dilma. A economia, “em recuperação”, afundou e cortaram o bolsa família mas está intacto o morodia. Para os congressistas e midiáticos a verba corre solta, provavelmente aumentaram os próprios rendimentos, enquanto a concentração de renda sobe. E sabe-se lá quanto os juízes investiram no mercado imobiliário ou tem sociedade em contrutoras, dessa parte da lei entendem como ninguém que também só devem estar lucrando. Alguns que se beneficiam do golpe inadimplente porque muitos estão pagando as custas e os custos.

  2. Ana IIIReichamélia

    No discurso de Gleisi ontem no senado, Ana IIIReichamélia ameaçou com a seguinte frase: Palocci está falando!! O que será que a senadora já sabe e por que só ela sabe?

  3. Do ovo renasceu uma serpente

    Do ovo renasceu uma serpente enorme, uma espécie de sucuri que, além de sua força esmagadora, também possui um tipo de veneno mortal. Se nos depararmos com esse animal sinistro, a primeira atitude de defesa a ser tomada será procurar por sua cabeça monstruosa, mirar em seus olhos demoníacos, em suas presas gotejantes de veneno e verificar se ele está nos enxergando. A partir daí, só nos restará sairmos correndo; ou, se for possível, cortar-lhe a cabeça. Sairmos correndo não acaba com o perigo, apenas adia o momento em que seremos mortos e engolidos por ela, que se alimentará com os nossos corpos e, desse modo, continuará serpenteando e nos matando aos poucos em nossas próprias terras.

    O terceiro ponto importante será tentar descobrir do que, ou por quem, é composta a cabeça do animal. Afinal, a cabeça comanda o corpo todo e, sem ela, a serpente será consumida e se tornará esterco.

    No presente post, estão elencadas algumas partes da serpente. Mas, quais fazem parte do corpo e quais fazem parte da cabeça? Certamente, pedaços importantes da cabeça não foram mencionados. Partes dos olhos, da mandíbula e do minúsculo cérebro não constaram. A meu ver, quase todos os pedaços são do corpo. No entanto, ainda há tempo para uma análise minuciosa, pois a serpente é extremamente perigosa, mas não possui pernas e se movimenta lentamente.

    Certa vez, li um excelente texto de um professor francês, cujo nome não me lembro, em que ele dissecava a estrutura do nazismo à luz de Hegel e outros filósofos, a fim de determinar os homens (partes da serpente) nos quais o poder nazista se cristalizara e chegou a um total de onze monstros.

    Ao trabalho, temos muito o que fazer!

     

  4. Nassif, qual a chance de que

    Nassif, qual a chance de que partes da lavajato tenham sido chantageadas a cooperarem para  “destruir” a esquerda (Lula) com um grande escândalo político que se tornou essa operação.

    Vejamos. A lavajato é uma reabertura da operação BANESTADO. O resultado desta operação, por si só já seria capaz de promover acusações pro Moro, pro MP e TRF4.

    A GLOBO tem rabo preso nas investigações da FIFA que os EUA promoveram. 

    Nossos políticos da oposição estavam bem acomodados e mamando nas tetas do governo, como é o caso do Aécio, e demais partidos.

    Os ministros do STF, também podem ter sido grampeados pela NSA e, chantageados.

    Sei que daqui uns 50 anos esses documentos secretos da CIA ganharão domínio público e serão divulgados, mas vai demorar muito ainda.

  5. CONSCIENTIZAÇÃO versus HIPOCRISIA

    Preciso e terapêutico o diagnóstico expendido no artigo em tela, que denuncia as evidências da deplorável Era da Hipocrisia na qual estamos todos submersos.

    No mesmo sentido, essencial também a pedagógica recordação das raízes históricas da abjeta derrogação da legalidade constitucional, demonstrada nas recentes pantomimas e anomalias judiciais, que aviltam princípios jurídicos elementares.

    Acima de tudo, crucial o registro da (lamentável e insustentável) motivação política de TODOS os envolvidos na novela do HC dominical e das vergonhosas reações ilegais, inconstitucionais e antijurídicas, avessas ao Estado Democrático de Direito.

    Todavia, a possibilidade da urgente solução democrática não está descartada, pois os interesses do grande capital não seriam favorecidos nas hipóteses de ruptura da ordem que, apesar de precária, é preferível ao arbítrio, sempre imprevisível.

    Falta é vontade política para estruturar alternativas capazes de preservas o bem comum, que é a estabilidade necessária para o funcionamento regular da sociedade.

    Nesta medida, urge mobilizar os formadores de opinião e as comunidades populares, a fim de cobrar das lideranças a indispensável conscientização das organizações legítimas de esquerda e de centro esquerda, em prol de um projeto político de reversão dos retrocessos e de resgate da legalidade.

  6. Telegramas de viagem: Lula e o culto à necrofilia política.

    Decidi junto com a meninas dar uma saída de Pasárgada e fazer um mochilão.

    Vamos a Araxá (óbvio), depois a Macondo, passando por Miraflores e se der tempo, vamos visitar aquilo que seria o túmulo de Gregor Samsa, que de acordo com os relatos, estaria enterrado em um subúrbio de Bratislava.

    Mas não posso deixar de tecer considerações sobre hipocrisia (inlucindo a do texto), necrofilila e Lula.

     

    Lula não merece os seguidores que têm.

    Ontem em diálogo com meu camarada Arkx concordamos em um ponto (e tantos outros vários): Lula é Lula, e sua história e seu tempo na História lhe são próprios, suas proezas não são poucas, e sua condição de mito nunca poderá lhe ser subtraída.

    O problema é que Lula faz política, e essa mesma História nos mostra que nem sempre o portador da mensagem, ou o emissor dela (Lula) consegue se fazer entender por seus receptores.

    Lula tem se exposto a um tipo de trajetória martirizante desde que surgiu na política brasileira, talvez um reflexo de sua própria experiência de vida, onde só o ato de sobreviver à sua origem de classe já carrega em si condições épicas.

    No caso de seu auto-martírio, sim, auto-martírio, porque Lula NUNCA deixou a narrativa de sua prisão nas mãos de quem se imaginam seus carrascos, Lula os têm manipulado à perfeição, Lula tem enviado mensagens claras, que de tão claras parecem cegar sua fidelíssima audiência.

    Nunca a frase “perdoai-os ó Pai, eles não sabem o que fazem” foi tão apropriada.

    Não, Jesus não se referia aos responsáveis pela sua crucificação. Não, os romanos e judeus sabiam exatamente o que significava matar o messias!

    Quem não sabia o que fazer era quem se dizia seguidor de Cristo.

    E a julgar o que veio depois, e o que se tornou a Igreja de Pedro, Cristo Crucificado tinha razão em ficar preocupado: um antro de disputas mundanas por poder, pedofilia e uma difusora de métodos de inquisição e tortura.

    Mais ou menos como os adoradores de Lula.

    Ele (Lula) oferece seu sofrimento no claustro, e os seguidores não entendem.

    Não basta adular o mártir, tem que merecer seu sofrimento.

    Para aqueles que acreditam em eleições, e que elas só terão sentido com a presença Dele (Lula), que façam sua parte, ou seja:

    Que vão às ruas disputar cada espaço político para ganhar corações e mentes, possibilitando assim que um suposto novo governo de Lula não o mantenha igualmente preso as alianças com o “centro”, com os financiamentos espúrios da máquina partidária, com o armisticío forçado com a globo e outros tubarões da mídia, que, enfim, deem ao Santo Lula um país capaz de receber o “milagre” que esperam dele:

    Transformar séculos de desigualdade estrutural e privilégios de casta em um oásis de igualdade, sem o derramamento de uma gota de sangue e com pouca resistência dos que serão alijados de suas benesses vindos muito tempo, em outras palavras, fazer a omelete sem quebrar os ovos.

    Querem o “milagre” da multiplicação do pão sem derramar vinho transformado em sangue?

    Uai, construam uma base popular sólida para o Santo operar o “milagre”.

    Disputem voto a voto a eleição para o Congresso, militem de bandeirinha nas mãos e broches no peito, esquina por esquina, conferindo a “religião” Lula 80% das Casas Parlamentares.

    Agora, se não têm coragem nem capacidade para tanto, não adianta reclamar de quem, aqui ou em outra esfera de debates, aponte a incongruência dos seguidores inertes, dos sacerdotes de culto estático, aqueles que dizem adorar o Santo Lula, mas não têm o ímpeto de viver pelas regras traçadas pelo sacrifício que eles nos oferece.

    Chega de necrofilia.

    Os romanos não queriam matar o fundador da Igreja Católica. Queriam SIM matar as ideias revolucionárias que o tal messias pregava.

    E conseguiram. 

    Quanto à Igreja em si, sua organização ou estrutura, os romanos gostaram tanto da ideia que aderiram com força e elevaram a pequena milícia religiosa a categoria multinacional na época e através das épocas que vieram.

    As ideias revolucionárias foram mortas na cruz, por romanos e católicos.

    A necrofilia dos católicos seguiu adiante, matando Cristo a cada passo adiante da Igreja que contrariava tudo que Ele ensinou.

    Engraçado que essa é mesmo a homilia da missa. A reencenação da morte e claro, da culpa!

    Tal e qual Lula.

    Seus seguidores seguem matando Ele (Lula) aos poucos.

    Esperemos então, pela ressurreição Dele.

    Palavras da salvação. Graças a Lula!

  7. Justiça não é uma opinião…

    “Imagine se Lula (…) fosse solto num lapso do plantão da Justiça e da Polícia Federal. Pense como estaria a esta hora o Sindicato do Metalúrgicos do ABC. Seria uma catarse para a militância petista. Mesmo os mais reticentes, os que não saem de Copacabana, mas postam suas verdades absolutas sentados de frente para o mar, seriam excitados pelo frenesi de Lula solto e desembaraçado”.

    Ele acha que justiça é uma opinião…

+ comentários

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome