26 de agosto de 2026

Xadrez de Mendonça 3: o contato com a Cioeste, por Luís Nassif

E na esteira do contrato, Mendonça publicou vídeo onde afirmava que doaria 90% dos lucros do ITER para obras de caridade. Igual Deltan.
André Mendonça e seu padrinho Jair Bolsonaro - foto de Evaristo Sa / AFP - Reprodução

O ITER, fundado por André Mendonça no STF, firmou contratos com governos do RJ e consórcios públicos em SP.
Contrato de R$ 1,2 mi com Cioeste para cursos em gestão ocorreu após prejuízo milionário do RPPS de São Roque.
Mendonça transformou o ITER em S.A. fechada, reduzindo transparência, enquanto promete doar 90% dos ganhos.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

No Xadrez de Mendonça 1, mostramos o crescimento vertiginoso do ITER, instituto de ensino criado por ele logo após assumir o cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Abordamos também o contrato firmado com o governo de Cláudio Castro no Rio de Janeiro. A assinatura e a liberação da verba ocorreram apenas 11 meses depois — e 17 dias após o voto favorável de André Mendonça contra a inelegibilidade de Castro. Um caso clássico do casto Mendonça com Cláudio, o Castro.

No Xadrez de Mendonça 2, expusemos os negócios do ITER com o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), o envolvimento dos principais associados no caso Master e os contratos insólitos celebrados pelo CFC com o instituto: um destinado ao curso “A Arte e a Ciência da Oratória” e outro focado em uma “imersão de liderança e governança destinada a até 100 pessoas: presidente, vice-presidente, conselho consultivo, diretores e técnicos do CFC e dos Conselhos Regionais”.

O Xadrez de Mendonça 3 revela outro contrato suspeito: desta vez, de R$ 1,2 milhão com o Cioeste, consórcio público intermunicipal que reúne 12 municípios da região oeste da Grande São Paulo (Araçariguama, Barueri, Cajamar, Carapicuíba, Cotia, Itapevi, Jandira, Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Santana de Parnaíba, São Roque e Vargem Grande Paulista).

O acordo, no valor de R$ 1,2 milhão, previu um ano de cursos e palestras nas áreas de direito e administração pública para uma “Escola de Governo” do consórcio.

A Escola foi criada em 28 de abril de 2025, e o contrato com o ITER acabou sendo assinado menos de três meses depois.

Onde está o ponto nebuloso?

O contrato foi assinado por Guto Issa (PSD), então prefeito de São Roque e presidente do consórcio na época. Em 2024, o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) de São Roque aplicou R$ 93,15 milhões em Letras Financeiras do Banco Master, registrando o segundo maior prejuízo municipal entre os 18 fundos previdenciários atingidos pela quebra da instituição — ficando atrás apenas de Maceió.

Em 2025, à medida que o caso Master avançava, Guto Issa contratou conferências do Ministro Gilmar Mendes, seguidas por apresentações do Procurador-Geral Paulo Gonet e, por fim, pelo contrato milionário com o ITER.

Até o momento, não há notícias de providências adotadas contra a prefeitura de São Roque nem contra os escritórios de contabilidade envolvidos. Enquanto isso, Cláudio Castro ostenta os votos contrários à sua inelegibilidade proferidos pelo casto Mendonça e por Kassio Nunes Marques.

A doação em off

Três dos cinco maiores contratos do ITER são de entidades direta ou indiretamente envolvidas com o caso Master ou com votações de Mendonça no TSE: Cláudio de Castro, Conselho Federal de Economia e Cioeste.

Ao mesmo tempo, Mendonça publicou um vídeo no qual orava fervorosamente ao “Santo Multiplicador de Contratos”, assegurando que doaria 90% dos ganhos para obras de caridade.

Paralelamente, transformou o ITER em uma sociedade anônima fechada.

Segundo a Lei das S/As:

Em uma S.A. fechada, diferentemente do que ocorre em uma sociedade limitada (Ltda.), a movimentação acionária não exige alteração contratual pública a cada transferência. Assim, é possível conhecer o dividendo total distribuído sem conseguir identificar imediatamente seus destinatários individuais.

De um lado, Mendonça alardeia a caridade; de outro, reduz a transparência de sua empresa — estratégia similar à adotada por Deltan Dallagnol.

Se quisesse ser levado a sério, Mendonça registraria a promessa em um cartório e conferiria a alguma entidade acima de qualquer suspeita a responsabilidade de auditar os gastos.

Jeremias 9:5 — “E cada um engana o seu próximo, e não falam a verdade; ensinaram a sua língua a falar a mentira.”

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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