4 de junho de 2026

Segunda carta ao Presidente Lula: repensando a educação no Brasil, por Sebastião Nunes

Nesta segunda carta, relembro os CIEPs do Brizola, uma das melhores ideias em educação já postas em prática neste país.

Segunda carta ao Presidente Lula: repensando a educação no Brasil

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por Sebastião Nunes

            Presidente Lula:

            Boas ideias não têm prazo de validade. Em outubro de 1986, o então governador Leonel Brizola, do Rio de Janeiro, apresentou os CIEPs, um novo conceito de escola em tempo integral, idealizado por duas das mais brilhantes inteligências que já honraram este país com sua existência e seu trabalho: Darcy Ribeiro e Oscar Niemeyer.

            Que tal revitalizar, ampliar e, quem sabe, transformar os CIEPs no modelo ideal para a educação básica em seu novo governo, a partir de janeiro de 2023?

            Creio, embora não seja especialista, que se trata de ótima maneira de revitalizar a ideia de educação, possibilitando que crianças e jovens tenham, realmente, projetos de futuro decente e de independência intelectual.

            Permito-me, aqui, copiar seus pressupostos básicos, adequados aos dias de hoje e acrescidos de alguns itens novos que me parecem necessários.

            Educação em tempo integral (de 8 às 17 horas).

            Transporte escolar gratuito de ida e volta.

            Salas de aulas multimodais, amplas, bonitas e confortáveis, em que professores, mais que mestres, tornem-se companheiros de aprendizado dos alunos. Anísio Teixeira e Paulo Freire devem ser lembrados sempre, pois serão eles os guias para o ensino. Ênfase especial deve ser dada à integração de material didático convencional a tablets e celulares, distribuídos de graça a todos os alunos, pedagogos e professores.

            Atendimento médico e odontológico.

            Alimentação completa, cheirosa e apetitosa.

            Ginásio poliesportivo, com campo de futebol e quadras para outros esportes, além de piscina e espaços para atividades artísticas e culturais.

            Horta comunitária e pomar, plantados e cultivados pelos próprios alunos.

            Dormitório, para uso temporário de alunos impedidos, por algum motivo, de voltar para casa no mesmo dia.

            Biblioteca polivalente, dotada da mais variada gama de objetos de estudo, de livros de literatura a gibis e computadores.

            Banheiros, para que a garotada, como anunciou Brizola em sua apresentação, possa voltar para casa “de banho tomado”.

            Nos fins de semana, feriados e nas férias escolares, os CIEPs funcionariam normalmente, com professores em plantão permanente, atividades recreativas e culturais, aulas de reforço e alimentação normal, além dos serviços médicos e dentários.

            Por último, mas não menos importante, integração permanente entre escola e pais, de maneira que a vida doméstica seja uma continuação da vida no CIEP. No caso de crianças sem incentivo em casa, será destinado a cada filho em idade escolar um salário-estudante a ser estabelecido, condicionado à assiduidade.

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VIABILIZANDO OS CIEPS

            Senhor presidente:

            Nosso país tem carências tremendas. Além da área educacional, não é possível esquecer saúde, habitação e renda mínima para garantir que, à medida do possível, todas as famílias escapem da miséria, em primeiro lugar, e, em seguida, da pobreza.

            Sonhos irrealizáveis? No entanto, é preciso que carências sejam tratadas com firmeza, de modo a superá-las, como o senhor bem sabe, e como praticou sempre.

             O custo destas escolas de sonho será bem alto. Como construí-las e mantê-las?

            Não sei. Não passo de um escritor otimista.

            Quem sabe, pensando em voz alta, taxando as grandes fortunas de forma (quase) indolor, através de um percentual mínimo? Ou modificando as alíquotas do imposto de renda, de forma a fazê-las aumentar progressivamente? Pode ser a saída, mas não me cabe meter a mão nessa cumbuca. Seus economistas saberão desatar o nó.

            Volto aos CIEPs e, neles, a algo que passou despercebido até agora.

            A remuneração dos professores.

            Como é possível manter um Centro Integrado de Educação Pública em alto nível se o piso salarial na educação básica foi estabelecido em apenas R$ 3.845,63 para 2023?

            Aliás, como é possível motivar bons professores com salário tão pouco atraente?

            Este, Presidente Lula, será o assunto da carta do próximo domingo.

Sebastião Nunes é um escritor, editor, artista gráfico e poeta brasileiro.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].

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Sebastiao Nunes

Escritor, editor, artista gráfico e poeta brasileiro.

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1 Comentário
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  1. Gosvin Manuel dos Anjos

    19 de setembro de 2022 6:26 am

    Como sempre, gente que nunca trabalhou na área de educação pública (e com pouca familiaridade com o assunto) dando pitaco…

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