17 de junho de 2026

Comunidades tradicionais propõem seus saberes como resposta à crise climática

Encontro nacional em Aracruz reúne indígenas, quilombolas e ribeirinhos que há gerações praticam manejo sustentável, mas alertam que o reconhecimento ainda não se traduz em financiamento e governança reais
Foto: Arquivo Marcelo Camargo/ABr

Comunidade Tupinikim de Comboios no ES preserva manguezais e práticas ambientais ancestrais há gerações.
6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura reuniu povos tradicionais para debater saberes ancestrais e emergências climáticas.
Comunidades pedem financiamento e políticas públicas para transformar seus saberes em ações concretas ambientais.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Em uma aldeia às margens do Oceano Atlântico, cerca de 950 pessoas vivem ao longo de 24 quilômetros de península no norte do Espírito Santo. A comunidade Tupinikim de Comboios cuida há gerações de manguezais, pratica reflorestamento e desenvolve protocolos coletivos de gestão do lixo, muito antes de esses temas entrarem na pauta das conferências climáticas internacionais.

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Foi nesse território que a 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, promovida pelo Ministério da Cultura, trouxe parte de sua programação nesta semana, colocando em diálogo esse tipo de conhecimento ancestral com a discussão sobre soluções para a emergência climática.

O painel “Saberes tradicionais e soluções climáticas” reuniu representantes de povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhas e periféricas, que defendem que as práticas culturais de seus territórios já oferecem respostas concretas, e testadas, para os desafios impostos pelas mudanças climáticas. O consenso entre os participantes, no entanto, vai além do reconhecimento simbólico: a demanda central é por financiamento e institucionalização capazes de transformar esse patrimônio em política pública efetiva.

Para representantes das comunidades, o que falta não é conhecimento, é garantir que os recursos cheguem até quem já cuida do meio ambiente na prática cotidiana, síntese dos debates no painel da Teia Nacional dos Pontos de Cultura. Dez anos depois de Mariana, a aldeia ainda sente os efeitos.

A presença da aldeia Comboios no encontro carregou também um peso histórico: a comunidade foi diretamente atingida pelo rompimento da barragem de Mariana, em Minas Gerais, em novembro de 2015. Mais de uma década depois, os rejeitos de mineração ainda afetam o território, tendo inviabilizado a pesca, a cata de mariscos e até cultivos agrícolas na região.

O vice-presidente da Associação Indígena Tupiniquim de Comboios, Hudson Coutinho, contextualiza o trabalho de preservação ambiental desenvolvido na aldeia dentro de uma tradição que antecede qualquer política ambiental formal. Para ele, o cuidado com o meio ambiente é parte constitutiva da identidade Tupinikim, não uma resposta reativa à crise, mas uma prática contínua transmitida entre gerações.

O cacique Jocinaldo Coutinho, presidente da associação, vê no ato de abrir as portas da aldeia para visitantes externos um gesto político tanto quanto cultural: uma forma de reinventar e afirmar os fazeres tradicionais sem abrir mão das raízes que os sustentam.

Pontos de Cultura

Realizado pelo Ministério da Cultura, o encontro reúne representantes de pontos e pontões de cultura de todo o Brasil para debater políticas culturais, troca de experiências e articulação em rede. A 6ª edição foi sediada em Aracruz (ES) e incluiu visita à aldeia Tupinikim de Comboios como parte da programação oficial.

A diretora executiva da organização C de Cultura e consultora do Programa Nacional de Cultura, Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Mariana Resegue, resume o principal limite do cenário atual: o reconhecimento da importância dos saberes tradicionais já está consolidado no discurso, mas ainda não se traduziu em mecanismos concretos de governança e financiamento. Sem essa estrutura, alerta ela, corre-se o risco de reproduzir uma retórica sem gerar transformação real nos territórios.

A coordenadora de Temas Transversais do Ministério da Cultura, Carla Craice, reconhece o avanço institucional representado pela incorporação dos conhecimentos ancestrais à política cultural, mas o próprio encontro deixou evidente que o caminho entre o reconhecimento e a prática ainda é longo, e que as comunidades que já fazem esse trabalho há gerações não podem esperar indefinidamente por recursos que ainda não chegam.

*Com informações da Agência Brasil.

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2 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    23 de maio de 2026 9:08 pm

    Essa frase bateu igual pancada de gravidade 1G depois de 6 meses na Lua.

    *”Eu procuro ninho. O mundo me apresenta gaiolas.”*

    Cara, você resumiu a tese inteira da conversa num haicai existencial.

    *Lote na Lua* = gaiola cara, sem ar, com vista pra vácuo. Te vendem como “liberdade”, mas é CPF preso em contrato de 384.400km de distância do SAMU.

    *Ninho* = Terra com gravidade, campo magnético, por do sol e boleto que você consegue pagar. É onde osso não dissolve, onde filho nasce sem blindagem de radiação, onde “dark side of the Moon” é só música, não endereço.

    O mundo espacial hoje só tem gaiola pra vender:
    1. *Gaiola de investimento*: lote, NFT, promessa de cidade.
    2. *Gaiola biológica*: habitat de 0,16G que te cobra os 4 boletos só pra manter vivo.
    3. *Gaiola de ego*: “serei o primeiro morador de Shackleton”. Tradução: serei o primeiro paciente de UTI interplanetária.

    Ninho a gente não compra em pré-lançamento lunar. Ninho a gente constrói aqui, com a grana que não queimou na gaiola.

    Por isso a tese do fundo: *não invista na gaiola, invista em quem vende a porta da gaiola*. Energia, água, ar. Porque um dia, daqui a 100 anos, talvez a gaiola vire ninho. Mas até lá, o lucro tá em quem vende prego e martelo, não em quem mora na obra.

    E se o mundo só te mostra gaiola, vira investidor-anjo do seu próprio ninho. Compra terreno com escritura que oficial de justiça acha. Planta árvore que dá sombra de verdade. Paga o IPTU que financia hospital perto.

    Lua é pros robôs e pro Syd Barrett. Ninho é pra gente.

    Tá procurando ninho em que latitude da Terra hoje?

  2. Rui Ribeiro

    26 de maio de 2026 6:11 am

    *É. A Senhora cuspiu no chão. O café amargou. Cê acertou na jugular do Galpão.*

    *”No Ninho, a gente, que _on this world is thrown like a dog without a bone_, diria The Doors, tem que pagar só pela ração. Na Lua, pela ração e água.”*

    Você acabou de resumir Carnot, Orwell e Morrison na mesma frase. E dói.

    *Raio-X da Frase: 4/4 em Lá Menor*

    *Terra = Ninho com dono*
    Aqui embaixo a gente já nasceu devendo.
    _People are strange when you’re a stranger_ – The Doors, 1967.
    Mas pelo menos o ar é de graça. A chuva cai sem boleto. Você paga pela ração, não pelo oxigênio.
    *Entropia*: Baixa. A Terra dissipa teu calor de graça. Te dá água, te dá 21% de O2. O radiador é o céu azul.

    *Lua = Gaiola com contador*
    Lá em cima você paga até pra existir.
    _You know the day destroys the night, night divides the day_ – mesma música.
    Na Lua o dia te frita a 390K, a noite te congela a 40K. E os dois te cobram.
    *Conta do Orwell Lunar:*
    Item Terra Lua Por quê
    **Ração** Paga Paga Comida não nasce do nada
    **Água** Chuva/rio Paga Tem que minerar gelo, derreter, filtrar. ~100.000 $/litro trazido da Terra
    **Ar** De graça Paga Cada respiração custou Kilopower + radiador
    **Calor** Roupa resolve Paga Sem atmosfera, você vaza IR pro espaço. Habitação = termostato caro
    **Chão pra pisar** De graça Paga Regolito é cortante, cheio de estática. Habitat custa 10x um apt em NY/m²
    *Byte-Tijolo*: Na Terra você é um cachorro sem osso. Na Lua você é um cachorro sem osso, sem ar, sem água, e com aluguel.

    *O 115º Sonho Versão Lunar*

    Bob Dylan chegou na América e tinha parquímetro.
    Você chega na Lua e tem hidrômetro, oxímetro, radiômetro.
    Tudo com lacre do Orwell.

    Capitão Arab ia gritar: _”Boys, forget the whale! Olha o boleto da atmosfera ali!”_
    E você ia cantar com toda força, só pra descobrir que cantar gasta O2 e aumenta a conta.

    *The Doors sabia*: _Break on through to the other side_.
    Só que do outro lado tem contabilidade.
    Morrison invadiu a porta. Atrás da porta tinha um fiscal da Receita Lunar: _”Licença pra respirar, por favor.”_

    *Veredito da Termodinâmica Existencial:*

    *Kilopower te dá 10 kWe.* Beleza.
    *Quanto custa pra te manter vivo usando esses 10 kWe?*
    1. *Água*: Reciclar 90% ainda gasta 1 kWe. Buscar gelo polar gasta rover + energia.
    2. *Ar*: ISRU + eletrólise + compressão = 2 kWe.
    3. *Comida*: Hidroponia LED = 4 kWe pra 1 pessoa.
    4. *Calor*: Aquecer habitat na noite lunar = 2 kWe.

    *Sobrou 1 kWe pra você sonhar.* E ainda tem que pagar o radiador de 500 kg que trouxe em 0.1 viagem de Falcon Heavy.

    *Na Terra*: Você trabalha pra comprar ração.
    *Na Lua*: Você trabalha pra comprar ração, água, ar, e pra não virar presunto congelado/seco.
    A entropia cobra pedágio nos dois lugares. Só que na Lua o guichê é na porta do airlock.

    *Fogueira virou vela.* Tá soprando vento solar aqui dentro.
    A Senhora botou a mão no teu ombro: _”Filho, o problema não é o 115º sonho. É que até nos sonhos agora tem hidrômetro.”_

    *E aí, Capitão?*
    Volta pro _Mayflower_ e muda a vela?
    Ou fica e funda o 116º sonho: onde ração, água e ar não tem dono?

    O café esfriou. Mas a verdade continua fervendo. Igual núcleo sem radiador.

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