17 de junho de 2026

O caso Malu Gaspar e a inacreditável equiparação ao caso Watergate

A ofensiva contra Alexandre de Moraes não se deve aos seus defeitos, mas ao seu papel de âncora da democracia contra o golpismo
Reprodução internet

A jornalista Malu Gaspar denunciou suposta interferência de Alexandre de Moraes no Banco Central sobre o Banco Master.
O contrato advocatício da família de Moraes com o Banco Master levanta questões éticas e possíveis crimes, mas faltam provas robustas.
Críticas apontam seletividade da mídia em denúncias, destacando omissão sobre envolvimento de outras autoridades e instituições.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O caso Malu Gaspar deflagrou uma discussão curiosa sobre princípios do jornalismo e da reportagem. Até a, em geral, prudente ombudsman da Folha embarcou na retórica das falsas analogias.

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Diz ela, citando um colega: 

  1. Jornalista não precisa apresentar provas, isto é papel da Justiça. Está correta.
  2. Watergate começou com uma denúncia sem provas e, com o tempo, resultou na queda de Nixon.

Qual a lógica dela? Como tanto Watergate quanto o caso Malu Gaspar têm em comum a não apresentação (inicial) de provas. Logo, as denúncias de Malu têm tanto peso quanto às de Watergate. Tenha a santa paciência!

Poderia ter recorrido a uma comparação mais caseira: a Lava Jato, da qual Malu Gaspar foi uma das principais porta-vozes. A maioria das denúncias da Lava Jato não vinha acompanhada de provas ou, no máximo, vinha com provas plantadas. Grande parte se revelou falsa e, mesmo assim, foi endossada pela mídia. Logo…

Malu trouxe uma informação concreta: o contrato do escritório da família de Alexandre de Moraes com o Banco Master. Não bastou. Trouxe, então, um reforço: a suposta interferência de Moraes no BC, na forma de 4 telefonemas e uma reunião presencial com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, para supostamente tentar reverter a decisão do BC, de liquidar o Master.

O contrato advocatício atenta contra a ética. A suposta interferência direta do Ministro pode ser enquadrada em crime. Justamente por isso exigiria um conjunto de evidências que fortalecesse a versão apresentada.

Qual a evidência? A informação vaga de que se baseara em 5 fontes do mercado e uma do Banco Central. Logo em seguida duas colegas, de outros jornais, soltaram a mesma denúncia, baseada nas mesmas fontes.

Na era do WhatsApp, basta uma pessoa chegar em um grupo e dar uma informação sensível. Imediatamente todas as pessoas do grupo passam a deter a tal informação. Apenas uma supostamente teve acesso à fonte original. Mas todas as 6, agora, têm a informação.

Ainda mais sabendo que um dos recursos de impacto da jornalista, em suas notas, sempre foi a de usar fontes individuais de forma genérica, um estilo que acaba permitindo que uma mera nota irrelevante, de repente, ganhe peso jornalístico aos olhos do leigo . Ficou famosa a série de “tal medida provocou mal-estar nos militares”, como se o sentimento fosse de todos os militares.

Por exemplo, há uma divisão no STF entre dois grupos, cisão conhecida. O título da nota será : “Decisão de Moraes causa mal estar no Supremo”. E, aí, ingressa-se em um estilo peculiar de caça-likes, que consiste em esquentar informações secundárias. 

Não apenas isso.

Outro indicador da parcialidade da mídia – e de repórteres – é a seletividade das denúncias.

Vamos a dois casos emblemáticos:

  1. O Ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, indicado pelo PL, questionou diretamente o Banco Central, pediu informações detalhadas em 72 horas, para comprovar se o Master não poderia ter sido salvo via mercado. Intenção óbvia de tentar uma reversão da liquidação. Repercussão mínima na imprensa.
  2. O Ministro Dias Toffoli convoca o diretor de fiscalização do BC e um diretor do BRB para esclarecer a demora do BC em impedir as aventuras do Master. Nenhum indício de que tentaria reverter a liquidação do banco. Mas soltam balões de ensaio, dizendo que Toffoli pretenderia ressuscitar o Master, gerando um sem-número de protestos em cima do nada.

O que se tem a esclarecer

O ponto central a ser esclarecido não são as circunstâncias da liquidação do Master, mas a razão do BC ter demorado tanto tempo para liquidar a instituição – e aí se remete ao período de Roberto Campos Neto. Gabriel Galípolo cumpriu seu papel, enviando os inquéritos para o Ministério Público Federal.

Mas desde 2019 havia sinais de que o Master era uma pirâmide. E os golpes não se limitaram aos fundos municipais de previdência, ou à constituição de ativos falsos para rechear seus fundos. O mercado sabia que era um golpe, mas grandes instituições lucraram muito colocando os papéis do Master no mercado. Colocavam as cotas dos fundos, recebiam suas taxas de corretagem e os clientes que explodissem mais à frente.

E aí se volta às denúncias seletivas. Nada se fala sobre os volumes expressivos de títulos do Master vendidos pela XP e pelo BTG. Nada se fala sobre a paralisação dos processos do Master no Banco Central.

Pouquíssimo se falou sobre o envolvimento de Campos Neto com operações de lavagem de dinheiro, quando presidia a Tesouraria do Santander e, depois, como presidente do BC, sobre as normas que adotou para flexibilizar o mercado, abrindo espaço para a enorme zorra posterior.

A ofensiva contra Alexandre de Moraes não se deve aos seus defeitos, mas ao seu papel de âncora da democracia contra o golpismo, e um dos aríetes do STF para deslindar a mais ampla teia de corrupção já instalada no país: o sistema de lavagem de dinheiro incrustado na Faria Lima. E as reações não vêm só do sistema lavajatista.

Pelo visto, André Esteves, um dos donos do país, aprendeu bem com seu antecessor, Daniel Dantas: não basta cooptar a mídia mainstream.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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19 Comentários
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  1. AARONN SCHWARTZZ

    28 de dezembro de 2025 8:59 am

    Denuncia padrão lavajato,quantos inquéritos ou crucificacoes foram feitas com base em denúncias da Veja ou grupo globo?Era um fato não fato ACIMA DE TUDO E TODOS,pratcamente sem questionamento,os INDEPENDENTES DA MÍDIA agora sabem lidar com isto,estão indo na fonte de forma certeira sem serem induzidos a discutir DISTRAÇÕES secundárias q não levam a nada,aliás este era papel do Bolso.naro,o Brasil está a dez anos em guerra sem as pessoas perceberem AFF,só eu,um importante do judiciário e bem posterior Lula,Afff !!!

    1. J.MarceLO

      28 de dezembro de 2025 12:18 pm

      Sim caro Schwartzz,não devemos temer o caos pois é no caos em q as pessoas se revelam,há um movimento interessante ocorrendo,Thuamp virando Lula e Lula virando Thuamp,um se ligou q pode ser o bode expiatório e têm mais poder político do que “bélico “e o outro criando mais coragem para o caos já q já sofrera todo o tipo de caos na própria pele grossa de jararaca !!!

  2. Silvio Torres

    28 de dezembro de 2025 9:17 am

    Esse esquema de fazer jornalismo é histórico no Brasil. O chute, a mentira, a distorção sempre foram usados conforme os interesses políticos e financeiros. Temos hoje uma bibliografia extensa que expõe essa vergonhosa face da nossa imprensa. O que tem me espantado nesse caso é o forte corporativismo de vários jornalistas de renome, gente que eu até respeitava, em defesa dessa moça. Os argumentos e comparações pueris apresentados pela ombusdman da Folha também são usados aos montes por figuras de destaque nas redes sociais. Tive um professor de matemática que mostrava que muitos dos erros que afundavam a turma nas provas de derivadas e integral eram conceitos do curso primário. Tipo: 2x + 2x eram mesmo 4x, e não resultados malucos oriundos de cálculos delirantes provocados pela presença do x. Os bravos defensores corporativistas dessa Malu me fazem lembrar desses erros primários nos exames do segundo grau.

  3. Gaspar Alencar

    28 de dezembro de 2025 9:26 am

    Lurdes, quando vamos evoluir e amadurecer? Até transparece que todos somos infantis Até que se provém o contrário!

  4. fabricio coyote

    28 de dezembro de 2025 9:47 am

    depois que a entãdo competente ombudsWOMAN rs rs da folha escreveu que o jornal não servia nem para embrulhar peixe, foi devidamene enquadrada, infrlizmente.

  5. Solle

    28 de dezembro de 2025 10:05 am

    Com a palavra Galipolo, pq enquanto ele não se manifestar vai ficar difícil saber se tem alguma verdade nessa história.

  6. Rui Ribeiro

    28 de dezembro de 2025 10:08 am

    Jornalismo ativista:

    “Dias atrás, a jornalista Malu Gaspar desafiou Galípolo a declarar “em alto e bom som” que não sofreu pressão de Moraes no caso Master”.

    A Jornalixta, além de “informar objetivamente” os fatos apurados, ainda faz desafios aos supostos autores envolvidos na matéria noticiada.

    Esse desafio faz lembrar do Bule de Russell.

  7. Ricardo Fernandes

    28 de dezembro de 2025 11:00 am

    Exato! A verdadeira blindagem a Roberto Campos neto – o evidente responsável pela aparente prevaricação – é indício claro de manipulação política dessa farsa nada jornalística. O que me atordoa é ver essa mesma profissional ainda ser levada a sério, depois de ter feito ainda pior na lavajato.

  8. Jicxjo

    28 de dezembro de 2025 11:31 am

    “O ponto central a ser esclarecido não são as circunstâncias da liquidação do Master, mas a razão do BC ter demorado tanto tempo para liquidar a instituição.”

    Ainda não entendi qual é a da mídia tentando proteger o tal diretor de fiscalização do BC convocado pelo Toffoli para a acareação no STF, aquele que, segundo as reportagens do ICL à época, fazia vista grossa para os problemas do Master e era favorável à compra do mesmo pelo BRB. Parece que há uma cacofonia deliberada, para retardar a liquidação do Master, o pagamento aos investidores pelo FGC e, assim, a necessidade de recomposição do patrimônio do fundo pelos bancões; afinal, como são 40 bi em indenizações, com SELIC a 15% estamos falando de algo em torno de meio bilhão ao mês…

  9. Paulo Dantas

    28 de dezembro de 2025 12:12 pm

    Me lembro quando o Intercept gringo não queria falar das trapalhadas do filho do Biden para não ajudar o Trump.

    É notícia tem de dar.

    Este Ministro não foi um que a esquerda era contra ?

    Mas que tem caroço no angu, tem .

    1. Rui Ribeiro

      28 de dezembro de 2025 3:20 pm

      Porque tem caroço no angu? Apenas porque você afirma? Ou existe alguma prova além da sua afirmativa?

      Se a esquerda foi contra o Ministro, ela tem que continuar contra ele pelo resto da vida, independentemente de mudança do comportamento dele?

      Jesus Cristo não era a favor de crimes contra o patrimônio mas perdoou um ladrão que foi crucificado no mesmo dia em que ele foi crucificado.

      1. Paulo Dantas

        28 de dezembro de 2025 6:04 pm

        Tem algo mais que não foi noticiado, o caroço, a campanha contra o Alexandre ficou forte.

        Lembrar que foram contra o Ministro é mera provocação mesmo.

  10. Joao

    28 de dezembro de 2025 12:15 pm

    Hoje o Edu Guimarães publicou que fez uma ampla pesquisa e não há contrato, escritura pública, instrumento jurídico original ou cópia autenticada com assinaturas reconhecidas das partes (Viviane Barci de Moraes ou sócios do escritório vs. Daniel Vorcaro / Banco Master). As reportagens se baseiam em uma relatada “cópia digital” que teria sido encontrada no celular de Vorcaro durante a Operação Compliance Zero da Polícia Federal, mas sem qualquer menção explícita ou velada a assinaturas da esposa de Moraes e/ou de seus sócios.

    1. Sergio

      28 de dezembro de 2025 3:58 pm

      Exatamente João. Tb li o artigo do Edu Guimarães. Que tal reproduzir o Artigo aqui no GGN, Nassif?

      1. Luis Nassif

        28 de dezembro de 2025 10:05 pm

        Precisamos de dados mais concretos.

  11. Fábio de Oliveira Ribeiro

    28 de dezembro de 2025 2:40 pm

    Malu quem? Estou quase me convencendo de que sou um privilegiado, porque nunca ouvi falar dessa.

  12. Paulo

    28 de dezembro de 2025 5:05 pm

    Sempre assim. Este esquerdopata não tem culpa de nada!
    Não sei!
    Foi no outro mandato!
    Roubaram a Petrobrás. Não sei.
    E mensalão não sei.
    Vergonha ladrões.

  13. Antonio

    28 de dezembro de 2025 5:47 pm

    Principalmente pelos processos da Tentativa de Golpe do 8/1, ficou evidenciado o perfil meticuloso, perfeccionista, rígido do ministro Moraes. Daí, a própria existência de um contrato de sua esposa, pagamentos e declaração do IR referentes ao banco liquidado, podem significar um açodamento das conclusões que a mídia tradicional tem propagado, utilizando a metodologia da Lava-Jato, falta de provas, para ganhar audiência, para alavancar as candidaturas (ainda indefinidas) de seu pensamento ideológico, e quem sabe projetar seus interesses estratégicos empresariais. O ministro, a meu ver, não seria tão tolo de se meter num aventura dessas, jogando por terra toda a sua trajetória e de sua família, considerando a atual conjuntura política envolvendo as condenações do grupo de direita com enorme preferência popular evidente. Isso não combina – o perfil, a conjuntura, o propósito de vida profissional. Caso eu esteja errado, o ministro daria um atestado de imbecilidade sem tamanho, e restaria no seu pecado pressuposto, se declarar suspeito em julgar os processos decorrentes do banco em questão. Conversar em rodas de amigos sobre o escândalo, não vejo gravidade. Possíveis acertos de negócios escusos, aí sim, e pelo que sei, sempre foram feitos a dois, ora bolas. Nem as esposas (ou maridos) ficam sabendo (sem machismos). De modo que, vamos aguardar com serenidade. Acredito que o Moraes estaria preparando uma baita resposta !

  14. JULIO CESAR DOS SANTOS

    28 de dezembro de 2025 7:57 pm

    Gente, Nassif, vocês estão cegos pelos próprios desejos, no caso o desejo de não ver a verdade, porque ela é muito dolorosa.

    Este contrato de 129 milhões reais de valor global é atípico considerando que a Vivi de Moraes é uma advogada medíocre e seu escritório de advocacia tem 4 funcionários. Isso não é normal e merece sim atenção e investigação. Cabe inclusive uma CPI para apurar os fatos. Alexandre de Moraes foi muito importante para a democracia mas isso não o torna imune a investigações.

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