13 de junho de 2026

Revista Piauí avança sobre o papel de Campos Neto no caso Master, por Luís Nassif

Aos poucos vão sendo reveladas as estratégias de Campos Neto, que colocaram o sistema financeiro na maior ciranda financeira desde os anos 80.
Campos Neto por Marcelo Camargo-Agência Brasil

Roberto Campos Neto foi omisso e conivente na expansão do Banco Master, ignorando alertas do Banco Central desde 2019.
Em 2024, Campos Neto evitou intervenção e facilitou venda de carteiras do Master ao BRB, transferindo risco ao banco público.
Após deixar o BC, Campos Neto tornou-se executivo do Nubank, que vendeu CDBs do Master, gerando suspeitas de conflito de interesses.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

Com base na reportagem de Consuelo Dieguez na revista piauí (fevereiro de 2026) – “A contaminação” – e em informações recentes, o papel de Roberto Campos Neto na viabilização do Banco Master é descrito como de omissão estratégica e conivência regulatória.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Aos poucos vão sendo reveladas as estratégias de Campos Neto, que colocaram o sistema financeiro na maior ciranda financeira desde as aventuras dos anos 80.

A reportagem e as investigações internas do Banco Central (BC) detalham que Campos Neto permitiu que a instituição de Daniel Vorcaro operasse e se expandisse agressivamente, mesmo diante de sinais claros de fragilidade.

1. Inércia diante de Irregularidades

  • Avisos Ignorados: Documentos do próprio BC indicam que, desde 2019, a autarquia detectou um “descompasso” nas provisões e práticas de gestão do Master. Na gestão de Campos Neto, o BC teria enviado ao menos 18 ofícios pedindo ajustes que nunca foram realizados, permitindo que o banco continuasse operando.
  • Omissão na Fiscalização: Técnicos do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) afirmam ter alertado a diretoria do BC e o próprio Campos Neto sobre os riscos, chegando a dizer: “Nós estamos vendo uma bomba, e vocês?”. A resposta do BC era de que “tudo estava sob controle”.

2. Promoção de “Soluções de Mercado” em vez de Intervenção

  • Prazo Extraordinário: Em março de 2024, quando a crise de liquidez se tornou insustentável, Campos Neto, em vez de decretar intervenção, concedeu a Vorcaro um prazo de quatro meses para ajustar o balanço.
  • Facilitação da Venda ao BRB: Campos Neto é apontado como um dos fiadores da tentativa de venda de carteiras de crédito do Master (muitas delas fraudulentas ou inexistentes) para o BRB (Banco de Brasília). Essa operação visava injetar R$ 12,2 bilhões no Master para evitar sua quebra, transferindo o risco para o banco público.

3. Conexão com o Setor Financeiro (Portas Giratórias)

  • A reportagem destaca que, após deixar o BC, Campos Neto tornou-se executivo do Nubank, uma das plataformas que mais vendeu CDBs do Banco Master para investidores varejistas, utilizando a garantia do FGC como argumento de venda. Isso levanta questionamentos sobre conflito de interesses e a “mão leve” na regulação enquanto presidia a autoridade monetária.

4. Herança para a Gestão Seguinte

  • Campos Neto encerrou seu mandato em janeiro de 2025 deixando a “bomba” no colo de seu sucessor, Gabriel Galípolo. A liquidação definitiva do Master só ocorreu em novembro de 2025, após a nova gestão constatar que as soluções de mercado propostas anteriormente eram baseadas em ativos falsos e que o banco tinha apenas R$ 4 milhões em caixa para compromissos bilionários.

Resumo do Impacto

O papel de Campos Neto foi fundamental para a sobrevida artificial do Master. Ao priorizar a “estabilidade do sistema” por meio de arranjos privados e evitar uma intervenção traumática sob sua gestão, ele permitiu que o rombo crescesse até atingir quase metade do patrimônio do FGC, lesando mais de 1 milhão de investidores.

O Papel de Nelson Tanure

A reportagem dedica um espaço considerável ao empresário Nelson Tanure, tratando-o como um “sócio oculto” ou o mentor por trás das estratégias de aquisição de empresas em dificuldades. O Master injetava dinheiro em empresas ligadas a Tanure (como Gafisa, Light, Oi), inflando artificialmente os ativos no balanço do banco. Quando essas empresas entravam em recuperação judicial, o Master ficava com o prejuízo, mas Vorcaro e Tanure já teriam extraído o valor por outras vias.

O que falta

Falta o BC divulgar  o inquérito do Banco Central sobre as atividades do Santander, no período em que a diretoria do câmbio estava nas mãos de Campos Neto. E, depois, o acordo fechado com Campos Neto, após sua saída do BC, para pagamento de multa e não reconhecimento da culpa.

LEIA TAMBÉM:

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

5 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Adalberto Vuolo Junior

    7 de fevereiro de 2026 9:51 am

    É o fim , o Brasil tem que ter um governo que puna todos STF, ECONOMISTAS , E QUE DEVOLVAM TUDO QUE ROUBARAM E SEREM JULGADOS E PRESOS SEM PIEDADE .

    1. Ediba

      9 de fevereiro de 2026 8:43 pm

      Quando aconteceu o “Roubo das Lojas Americanas”, os Três Porquinhos da Ambev/Americanas, nem foram convidados a depor pela CPI. Pode isso? Não pode, mas no Brasil, …pode.

  2. SERGIO DOS SANTOS NOGUEIRA

    7 de fevereiro de 2026 10:04 am

    Ali em “O que falta” cita Santander. Não seria Master?

  3. Orestes Camargo Jr

    7 de fevereiro de 2026 10:30 am

    Nassif, você é um farol que ilumina para o público os recantos obscuros dos conchavos dos corruptos. Parabéns pelo excelente trabalho que vem realizando ao longo de sua trajetória jornalística. Grande abraço.

  4. Rui Barbosa

    7 de fevereiro de 2026 6:04 pm

    Mas crime de rico a lei encobre, enquanto o estado esmagadora o oprimido. Não há direito para o pobre. Ao rico, tudo é permitido

Recomendados para você

Recomendados