Ação contra MDB é associada a Moro e dificulta reformas de Bolsonaro

Levando Moro para dentro do governo, Bolsonaro pode colher frutos relacionados às operações da Lava Jato junto a uma parcela da opinião pública e mídia. Mas, ao mesmo tempo, terá de lidar o reflexo disso dentro do Congresso

Jornal GGN – Jair Bolsonaro terá de lidar com as consequência de ter levado para dentro do governo o ex-juiz estrela da Lava Jato, Sergio Moro. A operação contra Michel Temer e outros caciques do MDB, nesta quinta (20) é um degustativo do que está por vir.

De um lado, Bolsonaro pode colher frutos relacionados à Lava Jato junto a uma parcela da grande mídia e da opinião pública que apoiam megaoperações sem pestanejar. Mas há congressistas e juristas que questionam se há abusos e atropelos nos trâmites processuais, além do entendimento de que a operação virou um instrumento contra a classe política.

Uma atmosfera carregada, na Câmara, é péssimo para o desenrolar da agenda reformista de Bolsonaro.

A Folha de S. Paulo reportou, na tarde de quinta, que parlamentares, “reservadamente”, afirmaram que a prisão de Temer “azeda ainda mais o clima no Congresso em relação à reforma da Previdência e ao Judiciário.”

“Deputados e senadores afirmam que a criminalização da política torna o ambiente ainda mais difícil para a aprovação da reforma. Eles também dizem que, com a decisão pela prisão, aumenta a pressão pela instalação da CPI para investigar membros do Judiciário, a CPI da Lava Toga”, que desagrada o Supremo Tribunal Federal.

A prisão de Temer ainda se dá dentro do contexto de troca de farpas entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e Sergio Moro. O ex-juiz de piso quer acelerar a tramitação do pacote anticrime, como se fosse tão urgente quanto a reforma da Previdência.

Maia, por outro lado, já disse expressamente que a Previdência é a prioridade. E para mostrar que Moro não é presidente da República para fazer demandas ao Congresso, o deputado ainda desacelerou o pacote anticrime criando um grupo de trabalho para discutir a proposta, antes de enviá-la para as comissões permanentes da Câmara.

Se os deputados se convencerem de que a prisão de Temer e Moreira Franco – sogro de Rodrigo Maia – foi um ataque da turma que segue os passos de Sergio Moro, a resposta pode vir em forma de obstáculos à agenda de reformas.

1 comentário

  1. As facções lutando pelo poder: de um lado a máfia-a-jato com a CIA, do outro os políticos da nova-velha guarda, do outro o bolsonazi e suas milícias…os milicos

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