As grandes contradições de Sergio Moro em entrevista ao Fantástico

A primeira contradição é dizer que não se sente mais confortável em um governo alinhado com partidos e políticos de trajetória questionáveis, como se aliar-se aos Bolsonaro desde o início fosse mérito

Jornal GGN – Em entrevista ao Fantástico, na noite de domingo (24), após a divulgação do vídeo ministerial pelo Supremo Tribunal Federal, o ex-ministro Sergio Moro foi contraditório em pelo menos três momentos.

Primeiro, quando resolve apontar uma “verdade inconveniente” para os seguidores de Jair Bolsonaro, dizendo que deixou de sentir-se confortável em fazer parte de um governo que alinha-se ao Centrão para sobreviver.

Moro tratou a aliança com partidos e nomes da “velha política” – alguns já processados, como Roberto Jefferson – como demérito, e uma prova de que Bolsonaro não está comprometido com a agenda anticorrupção.

O ex-juiz reclamou que, enquanto faz alianças “questionáveis”, o projeto anticrime e propostas de emenda constitucional para restabelecer a prisão em segunda instância, por exemplo, não receberam “uma palavra do presidente em apoio.”

“O governo se vale da minha imagem – eu tenho um passado de combate firme contra a corrupção – e, de fato, o governo não está fazendo isso, não está fortalecendo as instituições para o combate à corrupção. Fui vendo essa agenda ser esvaziada e, para mim, a gota d’água foi a interferência na Polícia Federal.”

Moro falou como se fazer aliança com os Bolsonaro fosse o contrário do que condena, um mérito; como se os Bolsonaro estivessem ao lado da velha política apenas desde ontem. Ignora que a família presidencial está circundada de suspeitas de corrupção muito antes de Jair tomar posse. No final de 2018 veio à tona o caso Queiroz e, antes do segundo turno estar concluído, as relações com milicianos e o crime eleitoral dos disparos em massa via WhatsApp, que desequilibraram o jogo democrático, já eram de conhecimento do público.

Outro momento em que Moro cai em contradição é quando tem de contornar perguntas sobre sua eventual omissão. Ao mesmo tempo em que vem dizendo que desde o final de 2019 percebe que Bolsonaro pressiona indevidamente por mudanças políticas e estratégicas na PF, Moro nega que tenha presenciado qualquer ação grave de Bolsonaro, não reportada pelo ex-ministro. “Não, de forma nenhuma, não houve nenhuma situação, eu apontaria se fosse o caso.”

Por fim, cobrado sobre o fato de ter assinado o decreto do armamento comentado por Bolsonaro na reunião ministerial, Moro também cai em contradição. Diz que assinou porque foi “pressionado”. Também fora pressionado a assinar a exoneração de Maurício Valeixo, mas não o fez, e agora Bolsonaro é alvo de pedido de impeachment por falsificação ideológica.

Ao Fantástico, Moro deixou claro que não quer falar sobre o que fez ou deixou de fazer no governo. Quer que a imprensa dê atenção apenas às acusações envolvendo a PF. “Eu não queria que isso [o decreto do armamento] fosse usado como subterfúgio para desviar a atenção da Polícia Federal. Foi um pedido do presidente e eu entendi que não tinha condições de me opor a isso porque já existia essa querela envolvendo a Polícia Federal.”

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