Bolsonaro chama inquérito contra aliados de “abusos” e ameaça “tomar todas as medidas”

Com aliados alvos de investigações, Bolsonaro disse que a partir de agora tomará "todas as medidas legais possíveis" para proteger "a liberdade dos brasileiros"

Foto: Marcos Correa/PR/Divulgação

Jornal GGN – Pressionado a demitir um dos seus principais aliados dentro do governo, o presidente Jair Bolsonaro ocupou as redes sociais na noite desta terça (16) para manifestar sua insatisfação com as investigações que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), que têm como alvo deputados, ativistas bolsonaristas e seu ministro da Educação.

Em uma sequência de 10 mensagens, o mandatário atacou o que considera ser “violação de direitos” e “abusos” contra o governo e ameaçou de tomar “medidas legais” para, segundo ele, defender a Constituição. As referências são sobre os inquéritos contra as manifestações antidemocráticas e inconstitucionais feitas por seus apoiadores, que no último sábado (13) chegaram a disparar fogos de artifício contra o prédio do Supremo Tribunal Federal (STF), simulando um bombardeio.

“Luto para fazer a minha parte, mas não posso assistir calado enquanto direitos são violados e ideias são perseguidas. Por isso, tomarei todas as medidas legais possíveis para proteger a Constituição e a liberdade do dos brasileiros”, ameaçou Bolsonaro.

Nos atos que ocorrem periodicamente, aliados de Bolsonaro trazem bandeiras pedindo o fechamento do Congresso, o que se configuraria em uma instauração de ditadura, e contra ministros do Supremo. O ministro da Educação, Abraham Weintraub, chegou a chamar os ministros da Suprema Corte de “vagabundos”, durante uma reunião ministerial no dia 22 de abril, e marcou presença, ao lado dos bolsonaristas, no ato do último domingo.

Nesta segunda-feira (15), a líder do movimento armado de extrema direita “300 do Brasil”, Sara Winter, foi presa durante a deflagração do inquérito e, nesta terça (16), aliados do mandatário foram alvos de abertura de sigilos bancários, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF. Entre os alvos de ontem, 10 deputados e um senador aliado do mandatário.

Diate dos atos do último sábado, contra o prédio do STF, todos os ministros da Corte se manifestaram repudiando os ataques. Na tarde de ontem, o ministro Celso de Mello afirmou que é “inconcebível” a presença de “resíduo de forte autoritarismo” no Estado brasileiro.

Entre as mensagens escritas nas redes sociais, Jair Bolsonaro disse que “o que adversários apontam como ‘autoritarismo’ do governo e de seus apoiadores não passam de posicionamentos alinhados aos valores do nosso povo, que é, em sua grande maioria, conservador”.

“Queremos, acima de tudo, preservar a nossa democracia. E fingir naturalidade diante de tudo que está acontecendo só contribuiria para a sua completa destruição. Nada é mais autoritário do que atentar contra a liberdade de seu próprio povo”, agregou.

Ao mesmo tempo que escrevia as publicações nas redes sociais, o mandatário estava articulando a retirada de seu fiel aliado, Weintraub, do Ministério da Educação, e estudando outro cargo para o colocar, sem deixá-lo “de mãos vazias”, como teria descrito um dos filhos do presidente, segundo coluna de Andreia Sadi.

Segundo Bolsonaro, as investigações da Suprema Corte são “abusos” que vinham sido recebidos pelo governo “com a mesma cautela de sempre”, mas que a partir de agora tomará “todas as medidas legais possíveis” para proteger “a liberdade dos brasileiros”.

 

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