Brasil precisa urgentemente de alfabetização midiática, diz Eliara Santana

À TV GGN, doutora em estudos linguísticos fala sobre o tratamento do governo Bolsonaro no Jornal Nacional, os desafios da oposição na área comunicacional, entre outros assuntos. Assista

Jornal GGN – O Brasil precisa “urgentemente de um efetivo letramento midiático”, ou alfabetização midiática, para que o povo possa entender como se dá a construção e eventuais manipulações nas narrativas propagadas pelos meios de comunicação. É o que avalia a jornalista e doutora em Estudos Linguísticos, Eliara Santana, em entrevista ao GGN [confira abaixo].

Segundo Eliara, o letramento midiático é uma experiência há muitos anos em andamento na Europa e nos Estados Unidos. A UNESCO chama de alfabetização midiática. Grosso modo, “são instrumentos para compreensão de como se faz o discurso da mídia.” A ideia, segundo ela, não é demonizar a imprensa ou colocar a credibilidade do jornalismo em xeque. Mas expor que pode haver algo nas entrelinhas que não está sendo visto a olho nu.

Ela cita como exemplo a última série de reportagens do Jornal Nacional sobre o agronegócio brasileiro. No programa, as matérias são sempre positivas. Nos intervalos comerciais, a propaganda “agro é pop” arrematada a mensagem que querem passar. “A própria construção da notícia embute propaganda”, diz.

Nos EUA, o letramento midiático é desenvolvido sobretudo nas escolas, para todos os níveis de estudantes. Há ainda trabalhos em comunidades e junto às famílias. Com essa alfabetização, o receptor da mensagem aprende a questionar não só o que é difundido, mas o que deixou de ser mencionado.

Em outro exemplo: “reportagem enorme no JN sobre desigualdade no Brasil. Deram imagens de camelôs na faixa de renda dos 2 mil reais. Isso não é retrato da desigualdade. Não foram mostradas as pessoas em situação de extrema-pobreza. E não deram a informação básica: metade dos brasileiros vivem apenas com 400 reais por mês. Isso não entrou na reportagem.” Para isso, o “letramento midiático vai dar instrumentos, ferramentas para questionarmos esses processos de construção da notícia.”

Além dessa proposta, Eliara debate os produtos da concentração dos meios de comunicação no Brasil, o fenômenos das fake news nas eleições, o tratamento que o JN dá ao governo Bolsonaro e os desafios da oposição na construção de uma discurso que faça frente ao bolsonarismo.

Confira a íntegra abaixo.

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