Cade aprova compra da Embraer sem restrições

Empresa aérea passa a pertencer a Boeing; segundo conselho, aprovação ocorreu pois companhias não concorrem nos mesmos mercados

Sede da Embraer, em São José dos Campos (SP) - Foto: Reprodução/Wikipedia

Jornal GGN – A Superintendência-Geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou a fusão envolvendo a empresa brasileira Embraer e a norte-americana Boeing sem restrições.

Segundo comunicado divulgado pelo Cade na tarde desta segunda-feira (27), as empresas “não concorrem nos mesmos mercados” e que não existem problemas de concorrência decorrentes da aquisição.

“O Cade concluiu que a operação resultará em benefícios para a Embraer, que passará a ser um parceiro estratégico da Boeing. Dessa maneira, a divisão que permanece na Embraer – aviação executiva e de defesa – contará com maior cooperação tecnológica e comercial da Boeing. Além disso, os investimentos mais pesados da divisão comercial, que possui forte concorrência com a Airbus, ficarão a cargo da Boeing”, diz o conselho. A documentação sobre o processo pode ser consultada aqui.

O Cade analisou duas transações dentro da operação. Uma delas consiste na compra de 80% do capital do negócio de aviação comercial da Embraer, que engloba a produção de aeronaves regionais e comerciais de grande porte (Operação Comercial). A segunda trata da criação de uma joint venture entre Boeing e Embraer direcionada à produção da aeronave de transporte militar KC-390, com participações de 49% e 51%, respectivamente (Operação de Defesa).

Para a análise da Operação Comercial, o Cade se baseou no segmento de aeronaves comerciais com capacidade entre 100 e 150 assentos, mercado considerado na operação. Segundo a autarquia, a operação não deve impactar negativamente os níveis de rivalidade existentes neste mercado, apesar de as condições de entrada no setor não serem favoráveis. “Na verdade, a ampliação do portfólio da Boeing deve aumentar sua capacidade de exercer pressão competitiva contra a líder Airbus, empresa que domina esse mercado”, diz o conselho.

Já no âmbito da Operação de Defesa, o Cade analisou o mercado mundial de aeronaves tripuladas de transporte militar no qual se insere o KC-390, da Embraer, e as aeronaves C-40 Clipper e KC-46 A Pegasus, da Boeing. A autarquia concluiu que não existe possibilidade de exercício de poder de mercado, uma vez que a operação não representa a união dos portfólios de aeronaves de transporte militar das empresas, mas apenas a participação em um projeto comum.

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