Caso Genivaldo: OAB pressiona e consegue reunião com MPF para tratar da prisão dos policiais

"Temos necessidade de preservar as provas", diz o presidente da OAB de Sergipe, Danniel Costa. Assista a entrevista completa

A OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Sergipe tem encontro marcado com o Ministério Público Federal na próxima quinta-feira, 2 de junho, às 15 horas, para tratar do pedido de prisão dos policiais rodoviários federais envolvidos na morte de Genivaldo de Jesus. O homem de 38 anos, morador de Umbaúba, foi abordado pela PRF porque estava andando de motocicleta sem capacete e acabou perdendo a vida em uma “câmara de gás” improvisada pelos agentes.

Em entrevista à TVGGN na noite de terça-feira (31), o presidente da OAB-SE, Danniel Costa, afirmou que cabe ao Ministério Público requerer a prisão cautelar para proteger os familiares da vítima e as testemunhas do caso, além de prevenir eventuais tentativas de obstrução de Justiça.

Na avaliação do advogado, a PRF, agora que está sob pressão da opinião pública, “mudou de postura” e parece mais “interessada nas investigações” do caso Genivaldo. Porém, isso não apaga o fato de que os policiais rodoviários federais “deturparam a verdade” e “tentaram encobrir provas” quando reportaram a morte de Genivaldo às autoridades.

Segundo o repórter Marcelo Auler – que está em Sergipe, com patrocínio de leitores do Jornal GGN e do Brasil 247, para acompanhar o caso – os policiais envolvidos na morte de Genivaldo alegaram inicialmente que o homem sofreu um mal estar súbito que o levou a óbito.

A informação consta, inclusive, na primeira nota à imprensa que a PRF emitiu. O comunicado atribuiu a Genivaldo uma “agressividade” que supostamente teria justificado o uso de “instrumento de menor potencial agressivo”. Imagens gravadas e divulgadas na internet, por outro lado, mostram que um dos policiais jogou uma bomba de gás de efeito moral dentro da viatura onde Genivaldo fora trancafiado. O homem respirou o gás por cerca de dois minutos. Laudo do IML afirma que ele morreu de asfixia. Somente depois que o caso ganhou repercussão nacional, a PRF produziu um vídeo negando que a violência seja institucionalizada.

“Tivemos uma visita ontem na PRF e essa foi a pergunta se fizemos, se havia uma orientação institucionalizada [para a violência]. A resposta foi não. (…) A versão da PRF é que essa abordagem não tem concordância de quem está gerindo a polícia. A OAB de Sergipe espera que este seja o objeto da investigação. Acreditamos em presunção de inocência, ampla defesa e devido processo legal, mas isso precisa ser investigado. Este não é o papel que a gente espera da polícia brasileira”, comentou Danniel Costa.

Para o presidente da OAB local, as imagens que varreram a internet nos últimos dias “mostram clara violação aos direitos humanos e indícios de tortura com resultado morte”. “A pergunta que se faz é por que esses três agentes continuam soltos? Temos necessidade de preservar provas. Há possível contato desses três agentes com policiais federais. Eles continuam transitando, utilizando a estrutura [da PRF]. E, acima de tudo, não tem nenhuma medida protetiva em relação à família da vítima e às testemunhas do caso.”

Assista a entrevista completa.

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1 Comentário

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Jair Costa

- 2022-05-31 23:21:00

A justiça brasileira tem que se superar nesse caso. Órgão público deve ser preservado, sua função institucional, como é o caso da PRF. Mas assassinos que cometem assassinatos usando a farda do órgão público não pode se proteger atrás deles. Primeiro tem que prender e condenar imediatamente à prisão. E a exoneração, perda do Cargo Público etc e tal fica em segundo plano. Desvistam-se esses assassinos das fardas da PRF.

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