Citação a Bolsonaro no jogo da seleção fere legislação brasileira

Pesquisadora ouvida pelo Globo diz que caráter público que deu origem à TV Brasil está sendo dizimado, e o canal se transformando em TV governamental

Peru x Brasil em Lima pela segunda rodada das Eliminatórias da Copa de 2022. Foto: Lucas Figueiredo/CBF (via fotospublicas.com)

Jornal GGN – A transmissão do jogo entre Brasil e Peru pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, realizada pela TV Brasil nesta terça-feira, feriu a legislação brasileira.

Segundo especialistas consultados pelo jornal O Globo, a partida virou um instrumento para propaganda do governo de Jair Bolsonaro. O direito de transmissão foi adquirido horas antes da partida pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que os cedeu à TV Brasil.

Uma dessas especialistas é Bia Barbosa, jornalista e pesquisadora da área de regulação de mídia. Ela explica que os canais públicos de comunicação não estão a serviço do governo e, no jogo da seleção brasileira, ficou muito claro que o caráter público que deu origem à TV Brasil (e que está previsto em lei) está sendo dizimado pelo governo Jair Bolsonaro, transformando-se assim em uma TV governamental.

Bia cita ainda o caso da jogadora de vôlei de praia Carol Solberg que, no mesmo dia, foi punida com advertência ao falar de política em uma partida do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia. Segundo a jornalista, há “violação da ética esportiva para alguns”, mas “mandar abraço ao presidente na TV pública não é uma violação também da ética esportiva.”

“Segundo a lei da EBC (Empresa Brasil de Comunicação) é clara a separação entre a comunicação pública e do governo. Um locutor (André Marques) ficou agradecendo em nome da Secretaria de Comunicação da Presidência da República à CBF e mandando abraço para o presidente. Texto lido, escrito. Uma propaganda governamental, numa televisão cuja lei diz que é pública. O Brasil não tem uma história de constituição de comunicação pública”, ressalta.

 

 

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