O cenário de guerra no Oriente Médio atingiu um novo patamar de hostilidade nesta terça-feira (10). Enquanto os Estados Unidos e Israel ampliam o espectro de suas operações militares, o governo do Irã endureceu o discurso, descartando qualquer possibilidade de cessar-fogo e ameaçando asfixiar a economia global por meio do bloqueio de exportações de petróleo na região.
No terreno, a ofensiva coordenada ganha tração. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, anunciou que este será o “dia de ataques mais intensos dentro do Irã“, mobilizando um contingente sem precedentes de caças e bombardeiros. A estratégia busca aproveitar o que Washington descreve como um momento de vulnerabilidade de Teerã, que teria disparado seu menor volume de mísseis desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.
‘Quebrando ossos’
Em Israel, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu reforçou que a missão está longe do fim. Durante visita ao Centro Nacional de Comando de Saúde, o premiê afirmou que as operações estão degradando a liderança clerical iraniana. “Não há dúvida de que, com as ações tomadas até agora, estamos quebrando seus ossos — e ainda não terminamos“, declarou, contrastando com falas recentes do presidente Donald Trump, que chegou a sugerir que o conflito estaria “quase concluído“.
A retaliação iraniana manifestou-se em múltiplas frentes. A Guarda Revolucionária atacou a Base Aérea de Al Harir, no Curdistão iraquiano, com cinco mísseis. No campo diplomático e econômico, o porta-voz Ali Mohammad Naini foi categórico: o Irã não permitirá a exportação de “um único litro de petróleo” para aliados dos EUA e de Israel. A ameaça elevou o estado de alerta no G7, cujos ministros de energia discutem em caráter de urgência a liberação de reservas emergenciais para conter a disparada dos preços.
Crise humanitária e reflexos globais
O transbordamento da guerra para o Iraque e o Líbano agrava o balanço de vítimas. No Líbano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que 84 crianças foram mortas pela ofensiva israelense, que alega visar a infraestrutura financeira e militar do Hezbollah. O número de deslocados no país já ultrapassa 667 mil pessoas, gerando um fluxo migratório desesperado em direção à Síria e a abrigos superlotados em Beirute.
“Acreditamos que o agressor deve levar um soco na boca para que aprenda a lição”, escreveu Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano, sintetizando a recusa de Teerã em sentar à mesa de negociações.
A insegurança jurídica e física começou a afetar o coração financeiro da região. Grandes bancos de Wall Street, como Goldman Sachs e Citigroup, iniciaram programas de transferência temporária para seus funcionários baseados nos Emirados Árabes Unidos, permitindo o trabalho remoto em países como a Turquia diante do temor de que Dubai e Abu Dhabi entrem na linha de fogo.
O impasse diplomático
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, selou o pessimismo diplomático ao afirmar à rede americana PBS que o diálogo com Washington “não está mais na agenda“. Segundo ele, após a quebra de promessas em acordos anteriores, não há confiança para novas tratativas.
Com ambos os lados apostando na força militar para ditar os termos de um eventual desfecho, o Oriente Médio entra em uma fase de incerteza profunda, onde a economia do petróleo e a estabilidade regional pendem por um fio.
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