10 de junho de 2026

Exclusivo: Interrogado, Deltan disse que “não se recorda” de pressionar Hardt para homologar a Fundação Lava Jato

Embora diga não se recordar de nada, Dallagnol estaria envolvido até o pescoço com o esquema que daria vida à fundação privada
Deltan Dallagnol
Deltan Dallagnol. Foto: Lula Marques/Agência Brasil

O ex-procurador Deltan Dallagnol disse em interrogatório que embasa a correição extraordinária na Lava Jato, promovida pela Corregedoria Nacional de Justiça, que “não se recorda” de ter pressionado a juíza federal Gabriela Hardt para acelerar a homologação do acordo entre Ministério Público Federal e Petrobras que desviaria mais de R$ 2 bilhões para a famigerada fundação privada que, na mídia, ficou conhecida como Fundação Lava Jato.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

A correição extraordinária na 13ª Vara Federal de Curitiba, promovida pelo time do ministro Luís Felipe Salomão, descobriu, a partir de depoimento da própria juíza Gabriela Hardt, que houve pressão sobre a magistrada e tratativas informais junto aos procuradores de Curitiba para homologar o acordo, que foi feito às “pressas” e faltando documentos básicos, na visão da Corregedoria. Os procuradores teriam, inclusive, antecipado, via WhatsApp, a minuta do termo de poucas páginas que Hardt veio a homologar em 2019. Questionado sobre os fatos, Deltan disse não se recordar de nada.

“QUE indagado se integrantes da força-tarefa trataram previamente dos termos do acordo de assunção de compromissos com a juíza GABRIELA HARDT, [Deltan Dallagnol] respondeu que não se recorda; QUE deseja esclarecer que, até assinava em conjunto algumas petições, mas não estava ‘na parte operacional’; QUE não sabe dizer o prazo entre a protocolização do acordo e a decisão de homologação; QUE, em geral, as decisões de homologação ocorriam rapidamente; QUE indagado especificamente se tem conhecimento de algum integrante da força-tarefa ter discutido os termos do acordo, inclusive com apresentação de minuta, com a juíza GABRIELA HARDT, respondeu que não se recorda.”
[Trecho do depoimento de Deltan Dallagnol na correição extraordinária]

Na semana passada, por 9 votos a 5, o CNJ decidiu abrir procedimento administrativo disciplinar (PAD) contra Gabriela Hardt justamente por causa da Fundação Lava Jato, entre outros pontos. Além disso, Salomão sugeriu o encaminhamento de cópia dos autos à Procuradoria-Geral da República, para que se verifique a possibilidade de apuração também na esfera criminal.

O PAD vai se restringir a investigar a conduta de Hardt na homologação do acordo que só não se tornou realidade por decisão do Supremo Tribunal Federal. O ministro Alexandre de Moraes entendeu que a fundação privada com dinheiro público era uma empreitada inconstitucional e homologada por juízo incompetente, e anulou os efeitos do acordo.

O termo previa a criação da Fundação Lava Jato com dinheiro de multa paga pela Petrobras nos Estados Unidos, com parte considerável do montante (80%) retornando ao Brasil sob a influência de Dallagnol. Com a fundação privada, a força-tarefa pretendia investir em “projetos sociais” e formação de lideranças políticas.

No relatório da correição, consta que o contexto em que a fundação surgiu pode configurar possível crime de desvio na modalidade peculato. O relatório da correição – que não pôde se aprofundar sobre o papel dos procuradores na trama – afirma ainda que é preciso investigar a quem interessava a criação da fundação privada, e indica que, no âmbito pessoal, aparentemente contemplava as aspirações de Deltan Dallagnol e Sergio Moro pela carreira política.

Embora Dallagnol afirme que não se recorda de nada, a correição revelou que o ex-procurador esteve envolvido até o pescoço com o processo que a Petrobras enfrentou nos EUA por causa da Lava Jato. Além de ajudar os americanos a fabricar as denúncias que culminaram em acordo com multa bilionária, Dallagnol teria negociado o retorno de parte da multa ao Brasil.

Em paralelo, Moro abriu o procedimento secreto que foi usado para administrar as contas judiciais de ondem partiram bilhões de reais, sem transparência ou critério, aos cofres da Petrobras. A verba era fruto de acordos de delação e leniência fechados pela Lava Jato em Curitiba, e destinados à Petrobras antes mesmo do trânsito em julgado. Com isso, a Petrobras conseguiu fazer frente à multa nos EUA, e a Lava Jato planejou se beneficiar adiante com o retorno da multa para a fundação privada. Salomão chamou o esquema de “cash back”.

LEIA MAIS:

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

7 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Maria Vilani De Souza

    10 de junho de 2024 9:04 pm

    Essa lavajato escancarou o desrespeito pelo dinheiro público por parte dos membros que nela atuavam como o deltan ao marreco Moro.
    Todos que atuaram pra essa farsa usando a justiça pra roubar o erário público terão que pagar na justiça por seus atos ilícitos.
    Parabéns 👏👏👏 ao Ministro Salomão por estar tomando as devidas providências.

  2. ed.

    10 de junho de 2024 10:09 pm

    Nassif, que tal uma enquete sobre os “n” (10, 20, 50, 100?) brasileiros mais nefastos per seus prejuízos à nação brasileira e outros que mais contribuiram para a mesma, não como pessoas, mas por seus RESULTADOS. Por ex:

    Mais NEFASTOS:
    Marinho/Frias/Mesquita/Civita/Chateubriand
    Lacerda, Jânio Quadros, Mourão (64), Costa & Silva, Médici
    Collor, Fernando Henrique, José Serra, Temer, Bolsonaro
    Joaquim Barbosa, Moro, Dallagnol
    A.Moura Andrade, Eduardo Cunha, Arthur Lira
    Parente, C.Branco

    Mais BENEMÉRITOS:
    Leopoldina
    Mauá
    Vargas, JK, Lula
    Tom Jobim, C.Miranda, Ary Barroso, Villa Lobos, O.Niemeyer, M.Assis, P.Freire, Darcy Ribeiro, A.Teixeira

    Desculpem, certamente esqueco muitos nomes, é só pra iniciar. Que tal?

  3. ed.

    10 de junho de 2024 10:12 pm

    Nassif, que tal uma enquete sobre os “n” (10, 20, 50, 100?) brasileiros mais nefastos per seus prejuízos à nação brasileira e outros que mais contribuiram para a mesma, não como pessoas, mas por seus RESULTADOS. Por ex:

    Mais NEFASTOS:
    Marinho/Frias/Mesquita/Civita/Chateaubriand
    Lacerda, Jânio Quadros, Mourão (64), Costa & Silva, Médici
    Collor, Fernando Henrique, José Serra, Temer, Bolsonaro
    Joaquim Barbosa, Moro, Dallagnol
    A.Moura Andrade, Eduardo Cunha, Arthur Lira
    Parente, C.Branco

    Mais BENEMÉRITOS:
    Leopoldina
    Mauá
    Vargas, JK, Lula
    Tom Jobim, C.Miranda, Ary Barroso, Villa Lobos, O.Niemeyer, M.Assis, P.Freire, Darcy Ribeiro, A.Teixeira

    Desculpem, certamente esqueco muitos nomes, é só pra iniciar. Que tal?

    1. +almeida

      11 de junho de 2024 8:13 am

      Ina boa ideia para refrescar a memória da população

    2. AMBAR

      11 de junho de 2024 1:32 pm

      Inclua a Maria da Conceição Tavares, a Erundina…. Entre os nefastos dê um desconto para o Serra, que trouxe os genéricos e nos livrou do cigarro, do Jânio Quadros que foi um bom prefeito para São Paulo, por suas frases célebres, uma das quais o Lula poderia aproveitar em sua defesa : ” bebo porque é líquido, se fora sólido, come-lo-ia” e
      A inflação dissolve o dinheiro, avilta os tesouros, compromete o crédito, perturba a produção, paralisa as obras, dessora os governos, depaupera os particulares, fermenta as revoluções.”
      ah! e por ter sido em dado momento a única alternativa ao corrupto Adhemar de Barros.

  4. Fábio de Oliveira Ribeiro

    11 de junho de 2024 6:55 am

    Faz sentido. Como todo vagabundo, Deltan Dellagnol precisa desesperadamente simular lapsos de memória para não se auto incriminar.

  5. AMBAR

    11 de junho de 2024 1:36 pm

    Coitado do Dalanhinho, está com a memória fraca, precisa tomar vitamina B12 e talvez um pouco de cálcio. Que tal um calço e um Bifa, pra se lembrar rapidinho das coisas, hein Dalanhol?

Recomendados para você

Recomendados