“Duvido que Cristo chamaria uma menina de assassina”, diz médico de Recife

Cristo "era um revolucionário, amava as mulheres, estava ao lado dos fracos e vulneráveis", disse o diretor do hospital que acolheu a menina de 10 anos, violada pelo tio, no ES

Foto: Divulgação/ STF

Jornal GGN – O ginecologista Olímpio Barbosa de Moraes comentou, nesta terça (18), o uso da religião por militantes anti-aborto que estiverem no domingo (16) em frente ao Cisam, em Recife, para tentar impedir a equipe médica de realizar o abortamento na menina de 10 anos que foi violentada durante 4 anos pelo tio, no Espírito Santo.

Incitados pela extremista Sara Winter e liderados por políticos locais ligados a igrejas evangélicas, os militantes rezaram, tentaram inventar argumentos jurídicos para dissuadir a equipe médica e, quando perceberam que não conseguiriam impedir o procedimento, passaram a chamar Olímpio e a menina de “assassinos”.

Olímpio disse à Rádio Gaúcha que não entende “como uma pessoa religiosa” seja capaz de gritar com uma criança e chamá-la de “assassina”.

Defensor dos direitos das mulheres, o médico relatou que cresceu em família católica mas hoje não é mais praticante da religião.

Ele disse que ainda admira muito “Cristo como uma figura antropológica” e que “a história dele é linda”. “Ele era um revolucionário, amava as mulheres, estava ao lado dos fracos e vulneráveis. Eu duvido que Cristo chamaria uma menina de assassina. Eu tenho certeza que o homem Cristo está do nosso lado, não tenho dúvida nenhuma”, pontuou.

Olímpio ainda afirmou que obrigar a menina de 10 anos a levar a gestação até o limite, além de significar um risco à vida dela, seria uma tortura.

“Fico pensando se a gente não tivesse tomado essa conduta [de realizar o procedimento], a imprensa internacional iria relatar o caso e seria uma barbaridade para toda a sociedade mundial, o Brasil submeter uma criança a uma tortura. Isso seria manchete no mundo todo. A gente está passando por tantos problemas que envergonham o Brasil, esse seria mais um.”

Ele ainda defendeu que “religião serve para quem segue a religião” e um fiel “não pode querer que outras pessoas sigam os mesmos valores e crenças”.

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2 comentários

  1. Em 1987 Délcio Monteiro Lima lançou o livro de sua autoria: Os demônios descem do Norte. Nele informou sobre a expansão acelerada do neopetencostalismo, no que chamou de seitas. Quando li o livro, ano passado, achei preconceituoso o termo, tendo em vista a diferenciação de crenças e fé. Estava errado, o neopetencostalismo é mesmo seita, no pior sentido do termo, aquele que agrega o fanatismo, e, pior, algo meramente crematístico, que só vive do lucro dos espertalhões sobre suas vítimas ensimesmadas para que renunciem ao mundo das informações e continuem prisioneiras do embuste, que, de quebra, avançou sobre as instâncias de um laicismo estatal tão calhorda quanto, basta ver os crucifixos espalhados pelos tribunais, repartições, órgãos, gabinetes etc. É muita gente estuprando simbolicamente a pequena vítima indefesa, além de muitas outras, que não sabemos, e até duvidamos de Cristo, quando os autores da Bíblia colocam em sua boca: – Deixai vir a mim as criancinhas! Neste ponto, boa parte da hieraquia da Igreja Católica vai se igualando, em exemplos anti-Casaldáliga.

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